Posts tagged política

38ª semana de 2013

“A depressão cresce entre as crianças em parte pelas razões pelas quais está aumentando em toda a sociedade, mas também porque as crianças estão sob mais pressão, são mais superestimuladas, mais levadas a se movimentar de um lugar para o outro e de escola para escola. Isso acontece porque os pais estão ambos trabalhando fora, e as crianças têm ficado com uma variedade de cuidadores que as amam menos que os pais. Isso acontece por causa do colapso da família.”

Andrew Solomon, O Estado de S.Paulo – 15/09/2013

 

“Alguns trabalhos recentes mostram que, em tempos em que tudo acontece nas redes sociais, declarações e publicações em páginas pessoais poderiam dar pistas para amigos e parentes das intenções de alguém que enfrenta sérias dificuldades. Estar atento a esses sinais poderia ajudar a evitar suicídios.”

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo – 15/09/2013

 

“Se você deixar, tudo gira em torno do dinheiro. Depende de como você encara a profissão. (…) Os temas mais perturbadores são os que nos levam a um maior entendimento sobre a vida.”

Jake Gyllenhaal, ator, O Estado de S.Paulo – 15/09/2013

 

“Estar pobre torna as pessoas menos capazes de fazer as coisas direito e afeta a habilidade de pensar.”

Eldar Shafir, Folha de S.Paulo – 15/09/2013

 

“‘Câncer’ são centenas de doenças diferentes. Não há uma cura, mas muitas. A genética nos dá uma nova visão da doença. A batalha é longa e, quanto mais vivermos, maior será a probabilidade de que algo dê errado. No meio tempo, 50% dos cânceres são evitados com medidas como não fumar e evitar muito sol.”

Marcelo Gleiser, Folha de S.Paulo – 15/09/2013

 

“Hoje existe essa coisa de ‘escolha’, profissão, filhos depois da pós, direitos iguais, ar-condicionado, reposição hormonal, bolsa Prada. Esquecemos que direitos e escolhas são produtos mais caros do que bolsa Prada. Pensamos que brotam em árvores.”

Luiz Felipe Pondé, Folha de S.Paulo – 16/09/2013

 

“Não a afetividade melosa de incontáveis declarações de amor ao filho, e sim a amorosidade de introduzi-lo na vida como ela é, de dar banhos de realidade no filho de acordo com a idade que ele tem.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 17/09/2013

 

“A primeira lição a tirar de junho é a seguinte: a política brasileira transformou-se em algo profundamente instável. Nada nos garante que não estamos vendo apenas um momento de calmaria antes de uma nova tempestade. Note-se como, desde junho, este país viveu, de maneira praticamente ininterrupta, em um estado contínuo de manifestações de toda ordem. (…) Por um momento, parecia que certas instituições brasileiras tinham sentido o golpe. Tudo isso durou um instante. Logo em seguida, tais instituições demonstraram seu caráter radicalmente irredutível em relação a reformas e voltaram a operar como sempre operaram. (…) Nada mais equivocado do que confiar em uma calmaria aparente. Quando uma sociedade acorda, ela não volta a dormir completamente. Na verdade, sua elaboração passa a um estado de latência. Em latência, ela vai aos poucos se desacostumando de suas antigas formas, até que chega o momento em que provocar mudanças equivale a chutar uma porta podre. Muitas das transformações fundamentais ocorrem assim, ou seja, o trabalho mais importante foi feito em silêncio aparente.”

Vladimir Safatle, Folha de S.Paulo – 17/09/2013

 

“Não educar bem uma criança, deixá-la crescer no shopping center, consumindo loucamente sem ter desafios e sonhos que transcendam um abdômen de tanquinho e o próximo modelo de iPhone é falta de amor com ela e falta de responsabilidade com o país.”

Nizan Guanaes, Folha de S.Paulo – 17/09/2013

10ª semana de 2013

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“Será que os pais estão atentos às mudanças de comportamento dos filhos? […] Por que demora tanto para cair a ficha dos pais? Perceber logo que algo vai mal pode ser determinante no sucesso de uma eventual intervenção. […] Por mais tolerantes que os pais sejam, mudanças bruscas merecem atenção e cuidado.”

Jairo Bouer, “Revista Época” – 04/03/2013

 

“Não quero entrar nos 50 anos na zona de conforto. Quero interagir com gente que tenha algo a dizer e me leve a testar meus limites. […] Como pessoa, como ator, chega o momento em que você se olha no espelho, como eu, agora. O que vai ser de mim, se não tiver coragem de mudar? […] Essa coisa de maturidade é muito relativa, esquisita mesmo. Tem gente que pode chegar aos 80 imatura, mas tive e continuo tendo encontros importantes em minha vida, gente que tem estimulado minha reflexão. […] O preconceito é uma coisa que empobrece.”

Nicolas Cage, “O Estado de S.Paulo” – 05/03/2013

 

“No fundo, a Igreja tem apenas um desafio no que se refere a ela mesmo: garantir que sua mensagem volte a chegar à sociedade. O mundo mudou, a sociedade mudou e há uma constatação de que a Igreja vem perdendo fiéis. Essencialmente, o próximo papa terá a missão de restabelecer essa comunicação que, em algumas partes do mundo, foi perdida ou está enfraquecida.”

Thomas Reese, “O Estado de S.Paulo” – 06/03/2013

 

“Liberdade não se negocia e cada um sabe de si. Não é religião que vai organizar o movimento, porque não organiza. E se a gente começar a fuçar vai ver que é tudo meio hipócrita, né? É uma falsa moral que querem impor.”

Ney Matogrosso, “O Estado de S.Paulo” – 07/03/2013

 

“O uso de drogas ilícitas no mundo vem crescendo, apesar dos esforços mundiais de controle. O aumento do consumo das drogas sintéticas é considerado pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc) como “o inimigo público número um”. Ao contrário das drogas tradicionais, feitas com base em plantas, as drogas sintéticas são produzidas a partir de produtos químicos facilmente obtidos em laboratórios improvisados. O combate é, por isso, muito mais difícil. O consumo das drogas sintéticas hoje é uma questão de moda. Assim como vimos, nos 1960, o crescimento do uso de LSD e heroína ligado ao movimento hippie, nos dias atuais há a cultura da música tecno, que incentiva o uso de drogas como o ecstasy. Essa situação preocupa, porque vai mudar o paradigma do combate às drogas. E a prevenção vai ganhar uma importância muito maior do que a repressão. Nesta década, o maior problema que nós vamos vivenciar é a droga sintética. Principalmente o ecstasy.[…] O ecstasy desencadeia transtornos psiquiátricos como síndrome do pânico e depressão, que costumam vir acompanhados de taquicardia e aumento da temperatura do corpo. E tem sido a causa de inúmeras mortes. “O grande problema do ecstasy é o dano cerebral que a droga produz, principalmente nos neurônios responsáveis pelo prazer”, adverte o professor Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).”

Carlos Alberto Di Franco, “O Estado de S.Paulo” – 08/03/2013

 

“Nos últimos anos, o mercado de trabalho no Brasil evoluiu para uma situação próxima do pleno emprego, ao mesmo tempo em que o rendimento dos ocupados deu um salto. Mas uma desigualdade a economia brasileira ainda não conseguiu derrubar: a disparidade de salários entre trabalhadores do sexo masculino e feminino. Homens chegam a ganhar, na média, até 66% mais que mulheres com o mesmo grau de escolaridade – no caso, superior completo.”

Marcelo Rehder, “O Estado de S.Paulo” – 08/03/2013

 

“Começa pela consciência de que quanto mais longe da política o cidadão estiver, quanto mais rejeição ele manifestar por esse ambiente, acreditando que a exibição de repúdio o exime de responsabilidades, pior ficará. Se as pessoas ficarem no conforto do nojinho inconsequente e sem compromisso com coisa alguma a não ser com a conversa que se joga fora, vale pouco ou quase nada gritar que o pastor apontado como homofóbico não pode presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. […] O jeito que se pode dar é antes. Votando bem? Fundamental, mas não suficiente. O interesse pelo que se passa no País é o primeiro passo. O hábito de usar de discernimento para avaliar o que se vê e ouve é outro. Informar-se, essencial. Chamar o parente, o amigo, o colega de trabalho a perceber que da junção de forças individuais é que se movimenta o coletivo, providencial. Compreender o básico sobre a importância e o funcionamento das instituições, indispensável.”

Dora Kramer, “O Estado de S.Paulo” – 08/03/2013

 

“A Rede Fale – que representa 39 grupos religiosos – lança empreitada contra a nomeação: abaixo-assinado e carta aberta na internet, além de pedido de audiência pública. ‘Ele não representa e não fala em nome de todos os evangélicos. Não pode usar isso como carta na manga’, disse à coluna Caio César Marçal, representante da organização. ‘Está luta terá outros rounds’.”

Sonia Racy, “O Estado de S.Paulo” – 08/03/2013

 

“Não custa citar mais uma vez os números que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) tem reiterado: os países industrializados, com menos de 20% da população mundial, consomem quase 80% dos recursos totais; as três pessoas mais ricas do mundo, juntas, têm tanto quanto o produto interno bruto (PIB) conjunto dos 48 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas; as 257 pessoas mais ricas, com mais de US$ 1 bilhão cada, juntas têm mais que a renda anual de 40% da humanidade. E os 500 milhões de pessoas mais ricas (7,14% da população total) emitem 50% dos poluentes que causam mudanças climáticas. Um indiano consome 4 toneladas anuais de materiais, um canadense, 25 toneladas. Se se quiser chegar mais perto, o padrão médio de consumo de recursos dos paulistanos está 2,5 vezes acima da média global. E assim vamos, aumentando as emissões de poluentes, elevando a temperatura do planeta, gerando cada vez mais “desastres naturais”. Como se vai fazer, se mesmo com tantos programas em toda parte não conseguimos reverter as tendências globais – ao contrário, enfrentamos cada vez mais dificuldades, com as crises econômico-financeiras na Europa e suas repercussões no mundo? “Nosso modelo econômico e social está esgotado”, tem repetido o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. […] Com as crianças à espera de respostas sobre um futuro inquietante. E quanto mais demorarem as respostas, mais difícil será.”

Washigton Novaes, “O Estado de S.Paulo” – 08/03/2013

04ª semana de 2012

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“Essa desconfiança do conhecimento científico é muito estranha, dada a nossa dependência dele no século 21. (De onde vêm os antibióticos e iPhones?) O problema parece estar ligado ao Deus-dos-Vãos, a noção de que quanto mais aprendemos sobre o mundo, menos Deus é necessário. Os que interpretam a Bíblia literalmente veem nisso uma perda de rumo. Uma teologia que insiste em contrapor a fé ao conhecimento científico só leva a um maior obscurantismo. Mesmo que não acredite em Deus, imagino que existam outras formas de encontrar Deus ou outros caminhos em busca de uma espiritualidade maior na vida.”
Marcelo Gleiser – Folha de S.Paulo, 22/01/2012

“Neymar parece não saber a diferença entre o público e o privado nem que a sociedade do espetáculo tem pressa em promover, consumir, trocar e descartar seus ídolos. Neymar, abra o olho!”
Tostão – Folha de S.Paulo, 22/01/2012

“Tudo é política. Até a negação da política é um ato político. Não dá para dissociar. A política faz parte da nossa vida. Participando ou não, estamos sujeitos a essa atividade. Interessados ou não, não há como escapar da política.”
Euclydes Marinho – O Estado de S. Paulo, 23/01/2012

“A cada instante nossas decisões são influenciadas, guiadas talvez, por essas interações entre ‘natureza e ambiente’, acumuladas em todas as nossas experiências anteriores. […] Emoções são a maneira de o cérebro manifestar no corpo sua resposta mais sincera ao que a vida nos oferece e assim tornar palpável para si mesmo -para nós, portanto- nossos sentimentos sobre algo ou alguém. Concordo que quem nos desperta paixões, ira ou prazer não é algo que possamos influenciar: apenas nos cabe reconhecer. Mas é aqui justamente que podemos mudar a história: a partir do momento em que tomamos ciência de nossos sentimentos. […] Não escolhemos por quem nos apaixonamos – mas temos, sim, o poder de decidir o que fazer a respeito…”
Suzana Herculano-Houzel – Folha de S.Paulo, 24/01/2012

“O número de norte-americanos que possuem tablet ou leitor digital praticamente dobrou entre o fim do ano passado e o início de janeiro, de acordo com levantamento realizado consultoria Pew Internet. Em dezembro, 10% dos 2.986 entrevistados com mais de 16 anos tinham um dos dois aparelhos, número que saltou a 19% neste mês, em uma base de 2.000 pessoas. A Amazon e a livraria Barnes e Noble introduziram, cada uma, novos tablets e versões mais baratas do seus aparelhos Kindle e Nook, antes das férias. O iPad, da Apple, entretanto, continua como o aparelho mais popular. De acordo com a consultoria IDG, 60 milhões de pessoas tinham o iPad no ano passado, ante 17 milhões em 2010.”
Folha de S.Paulo, 24/01/2012

“Na medida em que a liberdade do homem deixa de ser levada em consideração e se dá mais peso às determinações do meio ambiente ou da genética, o que existe de único em cada indivíduo perde valor.”
Marcelo Coelho – Folha de S.Paulo, 25/01/2012

“Pastores da Igreja Universal do Reino de Deus inovam. Pela TV, em Brasília, prometem bom desempenho em concursos públicos. O fiel só precisa levar caneta ou comprovante de inscrição ao templo para ser ungido. O discurso? ‘Se Deus te iluminar, te der a direção, nada dá errado’.”
Sonia Racy – O Estado de S. Paulo, 27/01/2012

“Será preciso esforço, ideias e tempo para que amadureçam soluções democráticas consistentes para os problemas que estão a emergir da revolução atual, que está revirando os fundamentos do viver coletivo, e desta crise orgânica que está fazendo com que o capitalismo aprofunde suas imperfeições, desorganize os sistemas de produção e distribuição, as formas de vida, as identidades e os modelos políticos, complicando e problematizando as capacidades coletivas de reação e emancipação.”
Marco Aurélio Nogueira – O Estado de S. Paulo, 28/01/2012

“Eu me preparei para a velhice. Eu venho ficando velho há muito tempo, me preparo para a velhice, me preparo para a morte, coisas que não interessam a muita gente. […] Entro com tranquilidade em cada novo portal da vida, sendo que a morte é o ultimo deles. Você entra em um, em dois, três, quatro, cinco… A morte é o último e faz parte da vida.”
Gilberto Gil – O Estado de S. Paulo, 28/01/2012

“Criamos ficções porque, por meio delas, saímos do cárcere real e vivemos as mil vidas que de outra forma não poderíamos viver. Ademais, porque no ir r vir da ficção vemos as imperfeições do mundo real e se afina nossa consciência crítica, a ferramenta que impede que as sociedades se paralisem na resignação e na apatia. Aspirar ao impossível, como fazem Victor Hugo e, em maior ou menor grau, todos os grandes criadores de ficção, é um antídoto contra o conformismo e a indolência. Esta é a razão de ser do romance, está é a razão pela qual há escritores que põem todo seu empenho em se deixar tentar pelo impossível.”
Carlos Granés – O Estado de S. Paulo, 28/01/2012

“Seja qual for a história, nós todos podemos nos reconhecer nela, porque a escuta humaniza. Quando escutado, o drama do outro pode se tornar meu. Além de curar, a escuta aproxima. Permite encontrar a semelhança no seio da diferença e superar a intolerância. É um recurso que depende da capacidade de incluir o outro em nosso espaço vital. […] a resposta é sempre decorrente da particularidade de cada um. É normal as pessoas da particularidade de cada um. É normal as pessoas procurarem as regras gerais porque querem garantias. […] A pessoa tem de se debruçar na própria história e decifrar esse inconsciente. Nem sempre ela consegue, mas é preciso tentar. Somos responsáveis quando não nos valemos dos recursos da análise para descobrir por que agimos de uma determinada maneira. São três as paixões humanas: o amor, o ódio e a ignorância, esta é a mais nefasta de todas. […] Quem ama não se vale do outro, quem ama quer contentar o amado.”
Betty Milan, psicanalista, Revista Lola – janeiro de 2012

“Você não pode fazer o que é certo para sua empresa em detrimento do que é certo para a sociedade. Tempos difíceis não são exclusividade das empresas: elas atingem a todos. Por isso mesmo esta é a hora de investir em projetos criativos de filantropia junto às comunidades. É dever do líder enxergar a sua corporação como fonte de mudança positiva.”
Howard Schultz, Revista Época Negócios – janeiro de 2012

“Quando você é jovem, está sempre tentando desesperadamente deixar a sua marca. […] Eu não preciso mais provar que sei. Essa é a beleza de envelhecer. Você não precisa provar nada a ninguém. Só precisa dar as caras, fazer o seu trabalho e gostar do tempo que você gasta tentando conseguir as coisas que quer.”
George Clooney, 50, ator – Revista Alfa – janeiro de 2012

“Não fui atrás de um sonho, sonho é coisa de criança. Fui atrás de uma convicção. E acho que vai dar certo.”
Falcão – Revista Alfa – janeiro de 2012

7ª semana de 2011

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“Em política, a pior maldição é querer aprisionar o sucesso. Quem tenta fazer isso se torna prisioneiro dele e não consegue mais fazer as coisas com abertura criativa e espírito de novidade. A ação política é sempre um processo vivo, único. Se tentar aprisionar o sucesso, que já é passado, aí sim, vai viver a maldição. […] Não se alcança convergência em tudo, mas é possível encontros a partir de princípios éticos e valores duradouros.”

Marina Silva, O Estado de S.Paulo – 13/02/2011

 

“Um país que não sabe o que é ciência está condenado a retornar ao obscurantismo medieval. […] A ciência cria conhecimento por meio de um processo de tentativa e erro, baseado na verificação constante por grupos distintos que realizam experimentos para comprovar ou não as várias hipóteses propostas. […] O problema não é não saber. O problema é não querer saber. É aí que ignorância vira tragédia.”

Marcelo Gleiser, Folha de S.Paulo – 13/02/2011

 

“É isto que nós somos, sem que tenhamos coragem para dizê-lo: um adeus. É por isso que precisamos dos poetas. Pois eles são aqueles que tecem as suas palavras em volta do frágil fio que nos amarra sobre o abismo. Eles sabem que em nossos corpos mora um adeus. De repente, sem nenhum anúncio.”

Rubem Alves, Revista Psique, Ciência & Vida – fevereiro de 2011

 

“Metade, ou mais, dos nossos jovens estudantes não consegue extrair informações relevantes de textos um pouco menos explícitos, muito menos manipulá-las para fazer comparações com outros dados ou para outros fins. […]

Essa desigualdade educacional atual contribuirá para a formação de uma população adulta muito desigual no futuro – assim como a desigualdade educacional passada foi a grande responsável pela atual desigualdade social e econômica. Assim, nosso sistema educacional contribui para fechar um círculo vicioso terrível: projetar, no futuro, as atuais situações de concentração de renda e desigualdade social.

É essencial, pois, que as crianças de classes sociais menos favorecidas sejam especialmente incentivadas, condição necessária para uma educação democrática e republicana e, também, para que no futuro tenhamos condições objetivas e sólidas de combater nossa perversa concentração de renda.”

Otaviano Helene – presidente da Associação dos Docentes da USP; Lighia Horodynski-Matsushigue – professora aposentada do Instituto de Física da USP, Le Monde Diplomatique – fevereiro de 2011

 

“A esfera pública tem a responsabilidade de afirmar direitos, de construir cidadania social contra a lógica do consumidor e da ascensão social pela disputa de todos entre si no plano do mercado. Elevar a qualidade da educação pública, melhorar substancialmente o atendimento da saúde pública, disseminar espaços de cultura no plano público – são formas concretas de construir cidadania, de fortalecer o espírito público dos servidores e de construir concretamente alternativas ao neoliberalismo.”

Emir Sader, Revista Caros Amigos – fevereiro de 2011

 

“O ato de questionar a vida pode trazer sentimentos ingratos e que põem na mesa dúvidas pertinentes que nos fazem parar e prestar atenção em por que razão existimos. Penso, logo existo? Que nada! Penso, logo entro em crise. Afinal, quem nunca ficou angustiado com as dúvidas e mistérios da natureza humana? […]

Refletir, procurar o diálogo e compreender que cada escolha tem o lado positivo pode ser uma forma de relativizar as coisas e enxergar a crise sem as lentes do exagero. […]

A todo momento somos bombardeados por informações e possibilidades de sucesso sem fim, que nem sempre conseguimos abraçar. Em algum momento, é natural cair na armadilha de se sentir incapaz. Essa constatação, na verdade, pode ser muito positiva. Ela leva o sujeito a repensar as coisas, amadurecer e buscar novas alternativas para a felicidade. Mas isso quando ele está disposto a enfrentar as mudanças que podem decorrer desses questionamentos, claro. […]

Para o psicanalista Cláudio Cesar Montoto, são dois pontos importantes para superar uma crise. Um: saber reconhecê-la. Dois: enfrenta-la. Todo mundo passa por uma ou várias crises durante a existência. E, se não passou, ainda há de passar. Mas a única forma de fazer com ela deixe de dominar nossos pensamentos é descobrir e compreender o que está por trás dela. É preciso reconhecer que nossas escolhas sempre acarretam perdas, dúvidas e senões.”

Revista Vida Simples, fevereiro de 2011

 

“Adoro garimpar para entender as coisas. Como James Bond tinha ‘licença para matar’, eu me dei licença para perguntar. E assim a vida nunca fica chata, porque sempre há algo para aprender. Acredito que a curiosidade seja um ativo estratégico poderoso. Se você observa os melhores líderes que estudamos, eles estão sempre cavando, perguntando ‘por quê’. Eles não dizem simplesmente ‘isso funciona’, mas querem saber por que funciona. Então, buscam uma compreensão mais profunda do mundo. […]

Lidere perguntando, não respondendo. Use perguntas para entender, não para manipular. […] Essa curiosidade é o que ajuda você a enxergar as coisas que deveria realmente temer.”

Jim Collins, pesquisador norte-americano, HSM Management – jan/fev. 2011

 

“O mais importante que aprendi com Peter Drucker foi que é necessário parar para pensar. Um dos problemas do management moderno é que tudo é feito com pressa, sob pressão. Bem poucas vezes as pessoas têm tempo para pensar. O segundo problema é a sobrecarga de informação. Recebemos centenas de e-mails, incorporamos os dados, mas não pensamos. Drucker me ensinou a dedicar tempo à reflexão, a me retirar para pensar nas coisas; isso é o que me ajuda a não cometer grandes erros.”

Hermann Simon, um dos pensadores mais influentes do management, HSM Management – jan/fev. 2011

 

“Palavras de Federico García Lorca ao inaugurar a biblioteca de Fuente de Vaqueros (Granada), em setembro de 1931: ‘Quando alguém vai ao teatro, a um concerto ou a uma festa, se lhe agrada, lamenta que as pessoas de quem gosta não estejam ali. ‘Como minha irmã, meu pai iriam apreciar’, pensa, e desfruta, tomado por leve melancolia. Esta é a melancolia que sinto, não pela minha família, e sim por todas as criaturas que, por falta de meios e por desgraça, não gozam do supremo bem da beleza, que é a vida com bondade, serenidade e paixão’.”

Frei Betto, Revista Caros Amigos – fevereiro de 2011

6ª semana de 2011

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“Para mim, assim como para muitos outros, o Prêmio Nobel nunca foi um objetivo. A ciência é atrativa por si mesma. É fascinante descobrir coisas novas.”

Albert Fert, prêmio Nobel de Física de 2007, O Estado de S.Paulo – 06/02/2011

 

“O problema surge quando o jovem começa a migrar da vida real para a virtual e passa a negligenciar atividades comuns. Como esse uso excessivo não deixa sinais físicos, a diferenciação acaba sendo feita pelo prejuízo causado nas diversas áreas da vida, explica o psiquiatra Daniel Spritzer, coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (Geat), do Rio Grande do Sul. ‘A esfera escolar é geralmente a mais afetada, com uma marcada queda no rendimento’. […] Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP, realiza um trabalho de orientação por e-mail a dependentes de internet e jogos eletrônicos e conta que o primeiro passo para a recuperação é identificar a dificuldade que levou ao uso abusivo. […] Proibir o uso do computador ou do videogame, diz Rosa, não é a solução. ‘O melhor que os pais podem fazer é ter uma atitude preventiva. Para isso é preciso conhecer as possibilidades do mundo virtual, aproximar-se do jovem, acompanhar o uso das tecnologias e ajudá-lo a discriminar o bom e o ruim’. […] Com os adolescentes é preciso manter o diálogo, explica a neuropsicóloga Adriana Foz. ‘O mundo digital oferece inúmeras oportunidades de desenvolvimento cognitivo, aprendizagem e diversão. Não temos como negar nem omitir, mas aprender a fazer um uso saudável e agregador’.”

Karina Toledo, O Estado de S.Paulo – 06/02/2011

 

“Arrogantes e prepotentes, nos transformamos no maior agente destruidor do nosso próprio habitat. […] Se nossos dirigentes e a sociedade como um todo se interessassem em entender a filosofia, a cultura e a inteligência dos povos indígenas, abortariam qualquer projeto que os ameaçasse. E poderíamos inaugurar novo paradigma de progresso.”

Cao Hamburger, 48, diretor de cinema, Folha de S.Paulo – 06/02/2011

 

“Temos atrapalhado o crescimento dos nossos filhos, esse é o fato. […]Pequenos deveres e responsabilidades, por exemplo, passam a recair sobre a criança. Novas dificuldades e exigências também fazem com que a criança tenha de exercitar o que antes não precisava, porque cabia ao adulto: paciência, esforço, concentração, espera, superação, entre outros. O que fazemos nessas horas? Em vez de apoiar a criança, encorajá-la nessa sua nova empreitada, ampará-la em seus inevitáveis, mas ainda pequenos sofrimentos, achamos necessário fazer tudo isso por ela. De quem é hoje a responsabilidade pela vida escolar dessas crianças? Delas? Dificilmente. São os pais quem tem assumido essa parte da vida por elas, devidamente incentivados pela escola e pela sociedade de uma maneira geral. […] Resultado? A criança permanece aprisionada nesse mundo ilusório e mágico em que sempre tudo termina bem -e nunca por sua própria intervenção. Desse modo, ela não cresce, não desenvolve o seu potencial, tampouco reconhece esse potencial, enfim: não se encontra. Melhor dizendo: ela se encontra sempre na condição de criança, até o dia em que terá de enfrentar o tédio que isso é.”

Rosely Sayão, psicóloga, Folha de S.Paulo – 08/02/2011

 

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração. Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência. […] Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo. Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se.”

Nizan Guanaes, publicitário, Folha de S.Paulo – 08/02/2011

 

“A inclusão digital se torna, cada vez mais, uma questão cultural. […] Como qualquer pessoa que não se interessa por uma área da medicina ou do direito até que se torne vítima dela, eles nunca se importaram com o digital. Mas deram o azar de terem nascido em uma época que ele se tornou importante. Por causa disso, muitos vivem hoje em um mundo desconfortável e isolado, que não compreende o que fazem seus filhos, seus funcionários e o resto do planeta.”

Luli Radfahrer, Folha de S.Paulo – 09/02/2011

 

“A dignidade tem a capacidade de transformar. Também a descoberta de uma identidade egípcia transcendendo as fronteiras religiosas e de classe. É fácil romantizar. Este momento não durará para sempre. A pobreza e o analfabetismo não vão desaparecer numa explosão de boa vontade.”

Roger Cohen, The New York Times/ O Estado de S.Paulo – 11/02/2011

 

“Por que ainda queremos dar aulas? O que nos leva a isso? Que sonho maluco! Ou seria uma maldição? Um carma? Cruz que se leva na vida? Um sonho que bate de encontro, a uma rocha. […] Um professor ganha menos de um centésimo de um deputado, senador, vereador e eles nem vão às sessões.”

Ignácio de Loyola Brandão, O Estado de S.Paulo – 11/02/2011

 

“Ultimamente, temos visto cada vez mais os jovens fugindo das decisões futuras e cada vez mais perdidos frente às escolhas de estudo e carreira. Ter um propósito na vida é psicologicamente saudável e mobiliza o sujeito numa direção, livrando-o da estagnação e dando sentido à sua existência, porém, este propósito não surge magicamente, ele é fruto de uma construção que só ocorre se os jovens possuem elementos para construí-lo, e duas coisas são fundamentais nesta estrutura: família (afeto) e estudo (experiências e aprendizados).”

Denise D’Aurea Tardelli, Revista Psique, Ciência & Vida – fevereiro de 2011

 

“O Brasil ganhou 81.620 novos empreendedores individuais em janeiro, em relação aos 27.656 registrados em igual período de 2010. O número representa uma média de 26.000 registros por dia e 16,3% da meta nacional de formalizar 500 mil empreendedores em 2011.”

Revista Época – 07/02/2011

5ª semana de 2011

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“Apesar do aumento da concessão de bolsas de pós-doutorado, a quantidade de pesquisadores com essa qualificação deixa a desejar. Na Capes, o número de bolsas para esse nível chegou a 2.088 em 2009 -em 2005, 479 foram concedidas. Já na Fapesp, 1.400 delas foram ofertadas no ano passado, contra 800 em 2005. Só que cada doutor formado por ano na USP e na Unicamp corresponde a 0,4 pós-doutor, em média. Nos EUA, a relação se inverte a favor do pós-doutor: 1,2 para cada doutor, diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp. ‘Deveríamos ter três vezes mais pós-doutores nessas instituições para haver competitividade internacional’.”

Folha de S.Paulo – 30/01/2011

 

“Os exames iniciais não indicaram diferenças entre grupos, mas as ressonâncias feitas após o curso mostraram um aumento na concentração de massa cinzenta no hipocampo esquerdo naqueles que haviam meditado. Análises do cérebro todo revelaram mais quatro aumentos de massa cinzenta: no córtex cingulado posterior, na junção temporo-parietal e mais dois no cerebelo.

Britta Hölzel, pesquisadora da Harvard Medical School e uma das autoras do estudo, disse à Folha que isso pode significar uma melhora em regiões envolvidas com aprendizagem, memória, emoções e estresse. O aumento da massa cinzenta no hipocampo é benéfico porque ali há uma maior concentração de neurônios, afirma Sonia Brucki, do departamento científico de neurologia cognitiva e do envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. ‘Antes, acreditava-se que a pessoa só perdia neurônios durante a vida. Agora, vemos que podem brotar em qualquer fase da vida, e determinadas atividades fazem a estrutura do cérebro mudar’. Isso significa que o cérebro adulto também é plástico, capaz de ser moldado. No ano passado, um estudo dos mesmos pesquisadores já mostrava redução da massa cinzenta na amígdala cerebral, uma região relacionada à ansiedade e ao estresse, em pessoas que fizeram meditação por oito semanas. Mas qualquer um que começar a meditar amanhã terá esses mesmos efeitos benéficos em algumas semanas? ‘Provavelmente sim’, diz a neurologista Sonia Brucki. Ela ressalta, no entanto, que a idade média dos participantes da pesquisa é baixa e, por isso, não dá para afirmar com certeza que isso acontecerá com pessoas de todas as idades.
Agora, a pesquisadora Britta Hölzel quer entender como essas mudanças no cérebro estão relacionadas diretamente à melhora da vidas das pessoas. ‘Essa é uma área nova, e pouco se sabe sobre o cérebro e os mecanismos psicológicos relacionados a ele. Mas os resultados até agora são animadores’.”

Mariana Versolato, Folha de S.Paulo – 30/01/2011

 

“O investimento em educação traz mais do que empregos. Traz processos mais baratos, mais seguros e mais eficientes, gerando bem-estar muito além do círculo familiar do cidadão que recebeu instrução qualificada. Certamente compensa, mas é preciso ter a coragem de investir hoje para colher daqui a 15 anos. É hora de mudar isso.”

Gustavo Cerbasi, Folha de S.Paulo – 31/01/2011

 

“Caetano tem três filhos religiosos. Sobre Moreno, que tende ao catolicismo, diz: ‘Se o papa João 23 fosse santo, ele seria devoto’. Seus dois filhos mais novos, Tom e Zeca, são evangélicos e frequentam a igreja Universal do Reino de Deus. Sobre um tropicalista gerar filhos evangélicos, Caetano diz: ‘Minha geração teve que romper com a religiosidade imposta, a deles teve que recuperar a religiosidade perdida’. Caetano diz ser muito bem recebido quando vai assistir a seus filhos tocando nos cultos e afirma enxergar o bem que a religião fez aos dois. Paula Lavigne comenta: ‘Zeca encontrou um conforto na religião. Qualquer coisa que faça bem aos meus filhos faz bem para mim’. […] Paula Lavigne diz que a profundidade com que Caetano lida com as questões mais complexas da vida faz a convivência com ele ser difícil: ‘Ele nunca vai ser completamente feliz, só a ignorância é feliz’.”

Morris Kachani e Artur Voltolini, Revista Serafina/ Folha de S.Paulo – fevereiro/2011

 

“Dois tipos de mudanças vêm ocorrendo neste século – a transição de poder de um Estado dominante par outro é um modelo familiar. Mas a difusão do poder é um processo mais recente. Hoje, o problema enfrentado por todos os Estados é que muita coisa ocorre que foge ao controle até mesmo dos mais poderosos dentre eles. […] Num mundo com base na informação onde a insegurança virtual impera, a difusão do poder poderá ser uma ameaça maior do que a transição do poder. O que significará exercer poder na era da informação do século 21? Que recursos possibilitarão esse poder? Cada era constrói suas próprias respostas. […] A noção tradicional sempre foi de que o Estado com o maior Exército é que vence. Na era da informação, contudo, poderá ser o Estado (ou não Estado) com o melhor argumento que ganha. Hoje não se sabe como medir um equilíbrio de poder, muito menos como criar estratégias de sobrevivência bem sucedidas para este novo mundo. […] Como os eventos no Oriente Médio irão se desenrolar, ninguém sabe. Mas nesta era da informação, a defesa da liberdade de acesso a ela será um importante componente do poder inteligente.”

Joseph S. Nye, ex-secretário adjunto da Defesa dos EUA, professor na Universidade Harvard, O Estado de S.Paulo – 04/02/2011

 

“Passados quase 20 anos, as metas de redução de emissões ainda não foram cumpridas e elas continuam aumentando. Há poucos meses, em Nagoya, chegou-se a uma declaração que reconhece a necessidade de ampliar as áreas de proteção e a soberania de cada país sobre as espécies da biodiversidade em seu território, bem como a necessidade de compartilhar resultados em caso de exploração – mas ainda faltam regras práticas para esse compartilhamento. O desmatamento no mundo caiu cerca de 7 milhões de hectares anuais, mas ainda é muito alto. Os países ricos não aumentaram sua contribuição e, diz a ONU, o mundo continua com 925 milhões de pessoas passando fome, porque têm renda diária inferiora a US$ 1,25 (pouco mais de R$ 2). Poderão vir a ser mais pessoas, porque já nos aproximamos de 7 bilhões no planeta e chegaremos, em meados deste século, a pelo menos 8,5 bilhões. […] Quem encontrará o caminho para superar as lógicas financeiras? Como se enfrentarão as brutais desigualdades de renda no mundo e em cada país (inclusive no nosso)?”

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo – 04/02/2011

 

“A felicidade é um sentimento individual tão efêmero como variável, a depender dos valores de cada pessoa. Em nossa época consumista, a felicidade pode ser vista como a satisfação dos desejos, muitos ditados pela moda ou pelas celebridades, como um passeio pelo Rio Nilo. […] Também a felicidade pode advir, como propõe o budismo, de estar liberto dos desejos, ou por ficar realizado apenas com a satisfação dos desejos acessíveis. A felicidade é possível pela perda do medo das perdas, por ter harmonia com a natureza, graças ao conformismo com as contingências, pela imersão na vida espiritual e pela contemplação, na dedicação aos necessitados, bem como em vista de uam relação afetiva.”

Miguel Reale Júnior, advogado, foi Ministro de Justiça, O Estado de S.Paulo – 05/02/2011

2ª semana de 2011

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“Veja o futuro como um quebra-cabeça. Conecte, digamos, algo vivido no trabalho com algo lido no jornal. Veja como as peças formam uma nova imagem. O futuro não é linear.”

Oscar Motomura, Revista Época Negócios – janeiro de 2011

 

“Uma pesquisa do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) sinaliza que apenas 12% dos entrevistados conseguem citar o nome de um cientista brasileiro e só 18% sabem mencionar de cabeça uma instituição científica. Quem consegue nomear está na parte mais rica da população. “Isso mostra que o Brasil ainda é uma país extremamente desigual”, analisa o físico Ildeu de Castro Moreira, coordenador do trabalho.
E os cientistas mais citados são Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. “Praticamente ninguém menciona cientistas sociais, sendo que o Brasil têm nomes importantíssimos como Paulo Freire e Gilberto Freyre”, completa. A pesquisa consultou 2.016 brasileiros com objetivo de investigar as atitudes e percepções dos brasileiros sobre a ciência e tecnologia. O trabalho dá continuidade a uma investigação similar realizada em 2006.”

Sabine Righetti, Folha de S.Paulo – 10/01/2011

 

“Está na hora de as autoridades entenderem que não haverá qualidade de vida se saneamento, tratamento de esgotos, gestão de recursos hídricos e política habitacional preventiva não estiverem no centro das agendas municipais. A crise ambiental é séria, e o número de cidades vitimadas é crescente. A lógica da gestão pública tem de mudar. É na infraestrutura das cidades, nos subterrâneos das ruas, nas periferias longe dos holofotes, nas várzeas de rios, nas encostas de morros e nos aterros sanitários que reside a nova lógica das políticas públicas.”

Ricardo Young, Folha de S.Paulo – 10/01/2011

 

“Afirmam os entendidos que não se pode nem se deve viver sem inimigos. São necessários à firmeza de nossas convicções e eficiência de nossos atos. Mesmo na metafísica há necessidade de contrários: após a Criação, o próprio Deus descolou um adversário, na pessoa do seu anjo predileto, que era Lúcifer.”

Carlos Heitor Cony, Folha de S.Paulo – 11/01/2011

 

“Entramos na década em pleno caos criativo. As mídias sociais evoluíram e agora são só mídia. Todos viramos mídia. Tudo virou mídia. E mídia é um meio condutor. De conteúdo humano. O que é fantástico. […] O Facebook é a cara do hoje.
Seu segredo é o segredo da revolução em curso e que a publicidade conhece desde sempre: comunicação. Agora evoluída para conexão.  O Facebook é a cara do hoje porque é a nossa cara. Com suas conexões, permite-nos fazer algo de que sempre gostamos: mergulhar em vidas alheias. E algo que descobrimos adorar: expor as nossas vidas. Aliás, o grau de transparência de algumas pessoas na rede chega a constranger. […] O criativo é naturalmente destrutivo.  A única forma de ter esse caos criativo como aliado é entrar no fluxo e inovar. A inovação é ao mesmo tempo mãe e filha da comunicação. Se você pensa que sabe tudo, está obsoleto. Quem diz que sabe tudo sobre o seu próprio negócio está morto. É preciso inovar. Para fazer mais rápido, mais sustentável, mais barato, mais produtivo, melhor.”

Nizan Guanaes, Folha de S.Paulo – 11/01/2011

  

“Esse mundo mecânico/ elétrico/eletrônico demanda, cada vez mais, mão de obra viciada em precisão, atenção e capricho. […] Fazer, rever, corrigir, verificar de novo daqui a pouco, o mundo clama por isso. Na fábrica, na oficina, nos escritórios de projeto, entre operários e doutores.”

Anna Veronica Mautner, psicanalista, Folha de S.Paulo – 11/01/2011

 

“Escrever não dá quando a necessidade é sustento, mas faz toda a diferença na vida. […] Não há quem nos impeça de desenvolver nossas possibilidades. Se elas existem, é quase natural que desabrochem, se não existem, podadas por qualquer coisa que seja, vamos desenvolvê-las alegremente, com humor, só atentas para não cairmos na mesma cela com outra decoração.”

Nina Horta, Folha de S.Paulo – 13/01/2011

 

“Os nativos digitais, aqueles que nasceram a partir dos anos 1990 e não concebem o mundo sem celular nem internet, são estimados em 1,6 bilhão de pessoas, número que cresce a cada dia. Numa pesquisa mostrada por Katherine Savitt durante o último Web 2.0 Summit, em San Francisco, Califórnia, em novembro, 71% das pessoas dessa faixa etária reportaram uso simultâneo de celular com internet e/ou televisão. E 69% disseram manter três ou mais janelas ativas do navegador durante uma sessão de internet. Por conta das tarefas múltiplas, os jovens e ultrajovens são às vezes tachados de DDA, ou seja, portadores de Distúrbio de Deficit de Atenção. Mas será que trocar mensagens tipo SMS enquanto assistem a programas na TV não é algo como conversar no sofá? Desde os anos 60 sabe-se que o sistema nervoso se modifica quando o organismo é exposto a muitos estímulos. Neuroplasticidade é o nome que se dá à capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões a cada momento. Será que o cérebro da Geração Z não evolui de maneira diferente da dos mais velhos? Será que essa geração não tem uma capacidade sem precedentes de coletar e processar informações? […] Essa geração parece muito mais afeita a criar e compartilhar seus textos, fotos e vídeos na internet do que todas as gerações precedentes. 93% dos jovens internautas fazem isso, diz a pesquisa. Além de criar e publicar, há o espírito curador. O hábito de sair navegando e selecionar o que se vê, lê ou ouve. Validam o que gostam comentando ou compartilhando o conteúdo de terceiros, profissionais ou amadores. Essa é a forma normal de expressão nas redes sociais.”

Márion Strecker, 50, jornalista, Folha de S.Paulo – 13/01/2011

 

“Navegar é preciso, mas nem sempre se chega ao porto desejado. Os mares deste mundo estão cheios de náufragos do outro mundo.”

Carlos Heitor Cony, Folha de S.Paulo – 13/01/2011

 

“As pessoas devem ser, acima de tudo, curiosas. É a curiosidade que a faz imaginativa, e aí a criatividade emerge. […] O bem-estar é um dos mais poderosos fermentos para a criatividade e a inovação. […] A mesmice cria tédio. E o tédio gera insatisfação. […] É um desafio e uma oportunidade [a convivência]. As cidades europeias reúnem pessoas com origens étnicas e culturais diversas. Na América Latina, as diferenças são sociais. Vejo nessa heterogeneidade um poderoso fermento para a inovação e a criatividade. Acho que a inovação poderosa, num país como o Brasil, vai nascer do convívio e da troca de ideias de pessoas com backgrounds diferentes, da classe A com as classes C, D ou E. Só assim surgem ideias e insights.”

Charles Landry, 62, britânico, especialista internacional em cidades criativas, Revista Época Negócios – janeiro de 2011

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