É quase unânime a nossa simpatia pelo feriado de Páscoa. A sociedade ocidental tratou de criar personagens mais palatáveis para que a data caísse no gosto do povo – e conseguiu. No lugar de uma história cristã, que seja um personagem neutro; no lugar de um relato trágico, envolvendo uma morte sangrenta, que tal uma ressignificação existencial mais amena?

Quando nos aprofundamos no significado verdadeiro da Páscoa, no entanto, a palavra que surge veementemente é “ressurreição”. Jesus Cristo morreu e ressuscitou, e, por isso, celebramos a Páscoa. O túmulo está vazio e a mensagem do Evangelho continua viva como nunca.

Talvez o que ainda falte a nós – particularmente os cristãos – é compreender como o domingo de Páscoa afeta, de forma prática, a nossa segunda-feira seguinte. Em outras palavras, como a ressurreição muda o nosso dia a dia?

Para obtermos as respostas a essa pergunta, precisamos entender qual o valor real do Cristianismo. Mais do que uma religião, ser cristão é uma identidade moldada a partir do que Jesus Cristo já realizou.

Nossas lutas de hoje não são definitivas

Antes de tudo, ser cristão é experimentar, pela graça, a vitória que Deus já conquistou na cruz. Quando eu acordo na segunda-feira, e penso nas minhas responsabilidades e nos problemas que preciso enfrentar, devo me perguntar: “que lutas eu corro o risco de perder hoje?” “E elas são, de fato, definitivas?” Nossas lutas são reais, mas não possuem o poder de nos destruir por completo. Isso porque Deus já venceu a maior de todas as batalhas. Na cruz, Jesus derrotou o mal e nos abriu o caminho (assim como o Mar Vermelho) para a vida abundante (João 10.10). Tal verdade nos alivia de toda carga pesada e nos dá confiança para enfrentar nossas lutas diárias.

Depois da ressurreição, vivemos em novidade de vida

A vida superou a morte e estabeleceu, de uma vez por todas, um novo padrão para a existência. Esse padrão afeta cada segundo do nosso cotidiano. Não diz respeito ao futuro, mas ao presente! O Evangelho de Cristo tem a ressurreição como seu pilar para a igreja (1 Co 15). Na prática, nossas escolhas são movidas pela expectativa da vida, não da morte. E, sendo assim, trabalhamos e construímos ambientes positivos de “novidade de vida”, seja em casa, no trabalho, na igreja ou nos espaços públicos. Deveríamos ser vistos como aqueles dos quais “brota a vida”. Em uma discussão difícil, somos os que optam pela esperança, e não pelo pessimismo. Se ofendidos, reagimos em favor da reconciliação, não da ruptura. Enquanto tivermos escolha, seremos os que buscam a paz.

Depois da ressurreição, somos fortalecidos pela esperança

A ressurreição potencializou a nossa esperança. Agora já não esperamos o pior, mas sim o melhor. Já não desistimos facilmente diante dos obstáculos ou frustrações. Enxergamos o invisível, esquecemos o que passou e seguimos, firmemente, para o alvo (Fp 3.13-14). É uma perspectiva diferente. O dia começa e imaginamos: “o que virá de bom?” “Que oportunidades eu terei?”. Isso não anula os problemas, mas nos dá o foco correto para enfrentar o dia.

Depois da ressurreição, somos movidos pela alegria e gratidão

Somos fruto da ressurreição de Jesus Cristo, e isso nos enche de alegria e gratidão. Tudo o que cremos é baseado em uma força tamanha que nenhuma expressão da morte pode vencer. Debochamos da morte: “Onde está, ó morte, a tua vitória?” (1 Co 15.55-59) e somos preenchidos pela coragem que vem do Senhor da História. O que virá, pois, daqui para frente? Não sei. Vivemos tempos difíceis e tristes, mas esse não é o capítulo final da história. A ressurreição de Cristo testemunha que a palavra final é de Deus, não do mundo. Ao acordar um dia depois do domingo de Páscoa, eu me vejo imbuído de uma sensação incrível de amor. Um amor que enfraquece minha tristeza e fortalece minha alegria.

O que o domingo de Páscoa me ensina sobre a segunda-feira? Tudo o que eu preciso saber para viver uma vida que realmente vale a pena.

 

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