A oração é a ponte entre minha vida inconsciente e consciente. Ela conecta meu pensamento com meu coração, minha vontade com minhas paixões, meu cérebro com meu estômago. A oração é a única via para deixar o Espírito vivificante de Deus penetrar todos os recantos do meu ser. É o instrumento divino de minha completude, unidade e paz interior.

Se é assim, o que posso dizer sobre minha vida de orações? Gosto de orar? É meu desejo orar? Reservo tempo para orar? Francamente, a resposta é “não” para todas as três questões. Depois de 63 anos de vida e 38 de sacerdócio, minha oração parece tão morta quanto uma pedra.

(…)

Será que a escuridão e aridez de minha oração são sinais da ausência de Deus, ou são sinais de uma presença mais profunda e vasta que meus sentidos podem abarcar? A morte de minha oração é o fim de minha intimidade com Deus ou o início de uma nova comunhão, para além das palavras, emoções e sensações corporais?

Na meia hora em que eu me sento para estar na presença de Deus e orar, não acontece coisa sobre a qual poderia comentar com meus amigos. Mas talvez esse tempo seja uma maneira de morrer com Jesus.

O ano [sabático] à minha frente deve ser um ano de oração, embora eu diga que minha oração está tão morta quanto uma pedra. A minha certamente está, mas não a oração do Espírito em mim. Talvez tenha chegado a hora de abandonar minha oração, meu esforço de estar próximo de Deus, minha maneira de estar em comunhão com o sagrado, e deixar o Espírito de Deus soprar livremente mim. Paulo escreve: “Vós não recebestes um espírito de escravidão que vos reconduza ao medo; mas um Espírito que faz de vós filhos adotivos e pelo qual nós clamamos: Abba, Pai. Esse Espírito se ajunta ao nosso espírito para atestar que somos filhos de Deus” (Rm 8.14-16).

• Henri J. M. Nouwen. “Diário do Último Ano Sabático de Henri Nouwen”. p. 21, 22, 23.

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