Era uma vez a Palavra, e ela era Deus.
A primeira gota – chuva, madrugada, lágrima –
Tinha seu hálito, seu sabor.

A Palavra iluminou a vida.
E todos os olhos a viram,
Com estupenda surpresa:
“Vejam! Vida, útil, bela, faz sentido!”
Tudo se encaixa; e, do encaixado, nascem cores e versos.

A Palavra, ela própria, se fez gente,
E começou a caminhar entre nós.
Frágil no início, gloriosa no final.
Andou pelas ruas sujas das cidades e das almas,
E chorou.

O que era saudade, agora é presença.
É riso junto, amor compartilhado,
Abraço.
Sem início e fim, porque o Eterno está.

Todos os conceitos do mundo se rendem à Palavra.
Ela, que não quis se apequenar a conceitos;
Ela, que é uma Pessoa, o Único Filho,
Que enche a vida de graça e verdade.

Todos os mistérios, aliviados, o adoram.

A Palavra saiu do inescrutável,
Vestiu a roupa de casa,
Comeu, bebeu, amou.
E alimentou o sol com sua glória.

 

Lissânder Dias
05h30. 16 de agosto de 2012

 

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