(Foto: BBC)

Enquanto o mundo todo acaba de assistir a cerimônia do casamento real entre o príncipe Wiliam e a agora duquesa de Cambridge Catherine, eu cá com meus botões me entristeço com as contradições que vão além de uma ocasional cerimônia. É triste ver que os olhos estão tão atentos aos detalhes como a estética vestimental e o ritual inglês, mas completamente alheios ao conteúdo cristão e ao significado profundo dos votos públicos. A mídia insistentemente conversa sobre chapéus, vestidos, detalhes litúrgicos, personalidades famosas, mas passa ao largo da homilia, da fé, da esperança, do sentido de cada ato.

Seria tão somente um descaso de uma geração de jornalistas que, na verdade, nunca valorizou mesmo o significado mais do que o símbolo. Mas talvez o foco dado à narrativa do casamento real seja um extrato de como a religião foi relegada ao status de decoração para corações famintos de alegria momentânea, fama, sonhos individualistas. Se assim for, a questão é mais séria.

A religião não é mais do que seria uma foto de cartão postal das Cataratas do Iguaçu: bela por fora, ótima para ser fotografada, mas onde nunca mergulharíamos. Agora ela faz parte de um guarda-chuva abstrato chamado “cultura”. A tradição cristã expressa no casamento real não tem valor para os jornalistas, e provavelmente para a maioria dos telespectadores. É mero acessório. Mesmo que muitos corações estejam atrelados a ela, em sua esperança de que a vida seja melhor e mais significativa, o Cristianismo é apenas a moldura de um quadro belo. Mesmo que a moldura seja retirada, a foto é o que interessa.

É triste constatar que é vã a nossa fé, se ela não se torna real, se ela não dá sentido para o que mais nos importa. E o que realmente nos importa – que nos tira o sono, que nos arranca lágrimas, que mexe com nossa ansiedade, que nos torna alegres ou tristes, que nos dá esperança – definitivamente não são cerimônias, vestidos e chapéus.

  1. Como jornalista cristão, eu entendo plenamente o que você está comentando, Lissânder! E, para mim, tem ainda mais um agravante, que é a banalização da virgindade pré-nupcial… Ninguém merece! Além disso, foi terrível ficar vendo o povo no maior papo do mundo durante a cobertura enquanto havia a execução dos hinos e de outros rituais litúrgicos anglicanos que poderiam ser evangelizadores de toda uma multidão! Sei que devo estar parecendo quadradóide ou até mesmo crente chato, mas, sinceramente, por conta da massificação da cultura, da banalização do que é cristão e da espetacularização do que deveria ser simples (vestes, chapéus, etc…), entre outros fatores, nós somos um povo que quer cada vez menos pensar criticamente sobre a essência do que cremos e vemos! Valeu o post, Lissânder! Jóia! Grande abraço, querido! Em Cristo, Saulo Xavier.

  2. Interessante sua reflexão, Lissânder. Me pergunto se o cristianismo virou essa moldura a que ninguém mais presta atenção porque deixou de ser uma foto bonita e atraente como antes. Leio os evangelhos e me surpreendo e me cativam os ensinos e os atos de Jesus e dos discípulos. Olho para o cristianismo de hoje e vejo rituais vazios, formas caducas, líderes confusos, abandono da essência da verdade (Jesus). Não me espanta que vestes e adereços chamem mais atenção. Trabalhemos para que o evangelho volte de novo para o centro do quadro e deixe de ser moldura. Obrigado por nos mostrar essa prioridade! Abraço.

  3. É Lissânder, os conteúdos estão esvaziados mesmo… até que ponto é “real”, de realidade, esse casamento? Visto que já estavam casados há tempos, quando decidiram morar juntos, dividir um lar, compartilhar os dias. A mim, parece ilusória toda a pompa e circunstância envolvendo os símbolos e liturgias eclesiásticas… excelente reflexão a sua!

  4. Na verdade as pessoas querem saber mais é da forma do que conteúdo. Seguem os ritos sem saber seu significado.
    Na verdade a religião é o ópio do pseudo-cristão.
    Devemos é lembrar que Deus é imutável, religião é invenção humana, Cristo é o único caminho e a fé nEle nossa única saída e Nele a esperança não é vã.

  5. Mas apesar da mídia estar valorizando vestidos, chapéis, etc, nós como cristãos podemos nos alegrar em um dia como esse. Para aqueles que acompanharam a cerimônia perceberam que no centro dela está a pessoa de Jesus Cristo… nas orações, nos fotos, na leitura da Palavra de Deus, na oração escrita pelos noivos… Milhões de pessoas hoje ouviram a Palavra de Deus… nisso nos alegramos…
    @marzzini7 A oração escrita pelos noivos no #casamentoreal: “servir e confortar aqueles que sofrem”.

  6. Lissânder,
    Gostei do artigo. E um momento do casamento que me marcou foi quando o irmão da noiva leu Romanos 12. Ele não simplesmente leu. Ele declamou, pouco a pouco, com muito significado e carinho e olhando para os noivos. Pensei que essa era uma atitude de um cristão. Que a mensagem, os hinos, etc de alguma maneira tenham significado para os que tiverem ouvidos para ouvir.
    Tonica

    • Olá Daniel!
      Obrigado pelo contato.
      Aqui estamos bem, e em um bom ritmo de trabalho na UMP de Viçosa. Iniciamos uma série de exposições bíblicas em 1 Coríntios. Além disso, temos investido esforço na estruturação de grupos de convivência entre os jovens. Devido o grande número de jovens (atualmente, nosso cadastro conta com 140 nomes), queremos criar espaços de convivência menores para o pastoreio e ensino mútuo.
      Sei que os desafios são grandes, mas confiamos na graça de Deus.
      Quando quiser nos visitar, será bem-vindo!
      Grande abraço!
      Lissânder

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