Pelas estradas da vida, ele semeava
Lançava sementes e mais sementes, sem medida.
Alguns perguntavam: por quê?
Outros: não vale nada.
Mas o semeador a semear continuava.

Grãos caíram no meio do caminho, e as aves o comeram.
Não nasceram, mas voaram;
Outros entre as pedras ficaram;
Brotaram, mas sem raízes profundas.
Existiram, mas, sem forças, sucumbiram.

Com ervas inimigas, outro punhado ficou.
E a má companhia da desinformação o sufocou.

Por fim, as sementes em boa terra cresceram.
E produziram uma colheita surpreendente,
Aliviando a fome, e fazendo todo o povo contente.

E só então as pessoas começaram a perceber o que é:
Que a esperança sempre se veste de semente
E todo caminho é uma trilha de fé.

Que o conhecimento é eterno, e não escondido.
Para quem eternamente o busca,
como um pai procura pelo filho perdido.

Que a Palavra nunca morrerá
Mesmo num mundo frágil, cheio de medos,
De dessabores, tempestades e desesperos.

Assim o semeador segue a caminhar,
Semeando grãos e plantando esperança,
Transformando escassez em bonança,
E ensinando nossos olhos a enxergar.

Plataforma Transforma Brasil é pioneira no País e já foi testada em capitais e grandes cidades brasileiras

 

Voluntários da ONG Novo Jeito

No Brasil, segundo o IBGE, apenas 3,5% da população pratica algum trabalho voluntário, mesmo que de maneira individual. Um número inverso ao dos Estados Unidos, onde pelo menos 20% dos americanos são comprometidos oficialmente com ações voluntárias, mas estima-se que 8 em cada dez americanos já se envolveram em alguma iniciativa solidária. Os dados do engajamento cívico no Brasil podem mudar a partir de agosto, quando será inaugurada a primeira agência nacional de incentivo ao voluntariado. A plataforma Transforma Brasil vai cruzar os dados de quem quer ajudar com quem precisa de ajuda, e promete facilitar a vida dos brasileiros que querem dedicar voluntariamente parte de sua mão de obra, mas não sabem onde.

A iniciativa foi criada pelo empreendedor social cristão Fábio Silva, que, em 2014, foi capacitado pelo Departamento de Estado Americano para desenvolver iniciativas sociais no Brasil. Na época, líderes sociais de vários países em desenvolvimento passaram 40 dias nos Estados Unidos conhecendo os programas da agência nacional de voluntariado, que oferece uma série de benefícios para aqueles que tem algum tipo de engajamento cívico no País, como pontuação diferenciada em provas de concurso público e prioridade no ingresso em universidades.

Segundo levantamento da agência, os voluntários têm 27% mais chances de conseguir emprego do que aqueles que nunca tiveram experiência semelhante. No ano passado, o programa estimou em cerca de US$ 180 bilhões o valor das 7,8 bilhões de horas de trabalho voluntário dedicadas no País.

Amanhã (28), no Dia Nacional do Voluntariado, será implantada a plataforma nacional Transforma Brasil, com sede em São Paulo (SP). A tecnologia vai cruzar os dados dos que querem ser voluntários, mas não sabem como, com os das ONGs que precisam de mão de obra, mas não sabem de que forma chegar até os profissionais necessários. Com o apoio de fundos de assistência internacional, a iniciativa promete alavancar os números de voluntariado no País, que hoje atingem apenas 7,4 milhões de brasileiros, o equivalente a 3,5% da população.  “As pessoas querem dedicar parte do seu tempo a alguma causa ou propósito, mas nunca houve o ‘cardápio’ de opções e nem o incentivo para isso. Agora, quem já tem o desejo de se dedicar voluntariamente a alguma instituição, vai saber onde pode ser útil e ter benefícios para fazer isso”, acredita Fábio.

Iniciativa já foi testada em grandes cidades do País:

Em 2015, Fábio implantou no Recife (PE), sua cidade natal, a primeira versão da plataforma. Em três anos, a “Transforma Recife” já cadastrou cerca de 120 mil voluntários e 400 ONGs e registra mais de um milhão de horas voluntárias trabalhadas na capital pernambucana. A iniciativa virou programa de política pública adotado pela prefeitura e foi premiada pela ONU Smart como um dos programas que mais contribui com o desenvolvimento das cidades. A plataforma também foi implantada nas cidades de Campinas (SP), Petrópolis (RJ), Cuiabá (MT) e Campina Grande (PB).

 

Sobre Fábio Silva

O empreendedor social Fábio Silva, de 40 anos, é formado em Administração de Empresas, com MBA em Gestão. Em 2016, a primeira incubadora de projetos sociais do País – Porto Social, que beneficia, a cada ano, 50 projetos sociais, oferecendo capacitação para profissionalizar a gestão das organizações. Casado com Isadora e pai de Sofia e Nina, Fábio descobriu sua vocação para a carreira, que ainda não é reconhecida no Brasil, em 2010, ao criar a ONG Novo Jeito, especializada em mobilizações sociais. A ONG surgiu de um grupo de estudos bíblicos realizado na casa de Fábio. Em oito anos de atuação, a ONG já mobilizou mais de cem mil pessoas em ações voltadas para grandes emergências (incêndios e enchentes) e em prol de causas específicas (reformas de abrigos de idosos e hospitais, manifestações em prol do “amor”).

Em 2017, Fábio foi recebido pelo Papa Francisco devido às iniciativas que criou no Brasil.

 

Dados sobre voluntariado

Voluntários no Brasil – 7,4 milhões – 3,5% da população (fonte: IBGE)

Voluntários no Recife – 120 mil – 8% da população (fonte: www.transformarecife.com.br)

Horas de trabalho voluntário no Recife de 2015 a 2018 – 1.041.100 (fonte: www.transformarecife.com.br)

Voluntários nos Estados Unidos 62,8 milhões – 20% da população (1/4 dos adultos)

Voluntários nos EUA tem 27% mais chances de conseguir emprego

Em 2017 – 7,8 bilhões de horas de trabalho voluntário

(fonte: www.nationalservice.gov)

 

Serviço

Lançamento da Plataforma Transforma Brasil

Quando: 28/08/2018

Onde: Cívi-co – R. Dr.Virgílio de Carvalho Pinto 445, São Paulo – SP

 

Texto de autoria da assessoria de comunicação do Transforma Brasil.

De todas as enchentes em que naufraguei,

é da força contrária à correnteza que me lembro.

 

De todas as pedras que me fizeram tropeçar,

é da harmonia retomada pelos passos que me lembro.

 

De todos os pecados que cometi,

é da jangada da graça que me lembro.

 

De todas as frustrações que senti,

é do gosto agridoce do amor que me lembro.

 

De todos os equívocos que causei,

é do novelo sendo desenrolado que me lembro.

 

De todas as traições que pratiquei,

é do suor na reconstrução que me lembro.

 

De todos os sonhos que não vivi,

é do arco-íris repentino que me lembro.

 

De todos as manhãs nubladas que me fizeram desacreditar,

é da ensolarada alvorada seguinte que lembro.

 

Não sou a queda no abismo.

Sou as mãos que me seguram.

 

A voz saía com dificuldade, sob o peso da velhice e das dores que o afetam constantemente. Mesmo assim os pensamentos eram claros e sucintos. Era a voz de um velho pastor.

João Rodrigues tem 85 anos. Caminha com muita dificuldade. Na verdade, na maior parte do tempo, ele está sentado.

Por muito tempo, morou em uma casa grande, intencionalmente escolhida para acolher pessoas. Hoje, vive em uma residência menor, com a esposa dona Carmen e filhos. Sente-se orgulhoso em contabilizar o número de visitas que já fez na vida.

Eu não conhecia o Pr. João. Fui lá entrevistá-lo para um vídeo. Era uma manhã ensolarada, com os raios entrando pela janela da sala. Começo fazendo uma pergunta específica, mas ele me dá outra resposta. Fala sobre sua vida pessoal. Emociona-se. Conta como Deus lhe é precioso; e conta de um jeito comovente, relevando como sua fé é viva e real.

Enquanto o pastor fala, uma das suas filhas faz gestos para mim, lá no fundo da sala. Ela está tensa com o fato do Pr. João não ter respondido minha pergunta. “Ele sempre faz isso”, diz a filha. Mas eu não estou preocupado. Quero ouvi-lo mais, quero aprender sobre uma vida de fé com o testemunho daquele velho homem frágil fisicamente, mas forte espiritualmente.

Pr. João diz que sem Deus não há prazer na vida. De forma simples, me trata como se eu fosse sua ovelha. É simpático. É pastoral.

Após alguns minutos, eu tive que seguir a pauta da entrevista e, por isso, não ouvi o final da história do Pr. João. Talvez não seja necessário. O que me falou já é suficiente para eu me lembrar que o final da vida é um exercício cotidiano de navegar em uma jangada, sem equipamentos, sem salva-vidas, sem “plano B”. É sobreviver apenas com o essencial, com o básico, com o que nos resta. O que restou àquele homem? Saúde? Recursos? Fama? Nada, exceto o amor que dedicou às pessoas e a intimidade com Deus cultivada ao longo de tantos anos.

Pr. João estava de “mãos vazias”, mas com o coração cheio de graça.

Talvez seja só hábito de pastor. Ou talvez não.

A velhice talvez seja voltar às origens. Assim como Deus sempre quis.

 

Deus e paixão são os ingredientes essenciais para a vida. (Eugene Peterson)