Cheguei hoje ao Nepal para uma viagem de 10 dias. Vamos, de bicicleta, visitar casas ao longo da trilha e distribuir Bíblias. Dizem que foi aqui neste país que Buda nasceu (na fronteira com o Tibet). A verdade é que não difícil encontrar estátuas do líder religioso do Budismo. E aqui são é apenas  Buda que ganha espaço nas prateleiras das lojas ao ar livre. Há estátuas de deidades as mais diversas. Além disso, vagas e macacos ocupam espaços nas vias públicas sem serem incomodá-los, afinal, são considerados deuses.

Duas conversas
Duas conversas me ajudam a entender um pouco da alma religiosa do nepalês. A primeira é do missionário brasileiro que mora há 7 anos na capital. Ele disse, por ser a religião milenar, o Hinduísmo tem força grande na cultura. Então como o Cristianismo pode chegar até a alma do nativo? Primeiro, gastando tempo de qualidade no discipulado das pessoas. Muitos estão chegando a Cristo por meio de milagres, mas poucos são, de fato, acompanhados no crescimento da sua fé.

A segunda conversa foi meio que repentina. Estávamos comprando alguns produtos para a viagem de bicicleta em uma loja da cidade. Meu amigo fez amizade com o vendedor, tentando negociar o preço de um saco de dormir. De uma hora para a outra, a conversa tomou outro rumo.  Eles começaram  a falar sobre céu e inferno, sobre Bíblia, sobre Cristianismo. Meu amigo fez uma pergunta provocativa: “para onde você vai quando morrer?” O vendedor ficou irritado e a conversa foi se tornando um pequeno embate.

Não é fácil conversar sobre Cristo com quem tem uma visão de esperança, de inovação e informação bem diferentes de nós. Ao mesmo tempo, vi como nós, os brasileiros, somo queridos. Todo conhecem Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho.

Que Deus nos dê sabedoria para aplicarmos bem todos os recursos e ferramentas que ele nos deu!

 

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Os pés pesam cada vez mais. E não sabe quanto tempo ainda vai andar. Ele observa as fachadas das residências e lembra das fachadas das casas de sua infância. Bem diferentes.

As casas de antigamente sempre tinham varandas, e quase nunca muros. As de hoje abdicaram do espaço de convivência porque precisam proteger-se.

Tudo é bem calculado por estas bandas. Não há tanto espaço para improvisos. Ele consegue perceber a simetria enquanto caminha na desarmonia dos seus próprios passos.

O suor já impregnou sua pele. O cheiro não é bom, e o incomoda. Gostaria de tomar um gostoso banho. Mas a verdade é que não há perspectiva de que isso aconteça nas próximas horas.

Não falei, mas ele não está apenas caminhando. Carrega um carrinho vazio. O seu trabalho é conseguir papelão e vendê-lo. Assim é que ele sustenta a família.

O problema é que já está no fim do dia e pouca coisa conseguiu. É a última rua do bairro. Todas as casas fechadas.

Quase desistindo, pensa na vida. Por que tanta escassez? Como fez tanta escolha errada na vida? Por que a família não o ajuda? Por que continuar?

Ele também pensa em Deus.

Sabe pouco. Mas tem fé.

Lembra de sua pequena igreja próxima à sua casa. Lá ele canta, ora, chora e ouve as lições da Bíblia.

Uma das lições é não desistir. “Deus está contigo”.

Então levanta um pouco mais o carrinho, retoma o fôlego e acelera os passos.

Um veículo se aproxima. O motorista abre a janela e diz: “bom dia. Tenho uma coisa para você lá em minha casa”.

“Bom dia, doutor. É mesmo? Então vamos lá”.

Seguem. O carro o ultrapassa, mas não acelera tanto.

A casa não é longe. E ele já percebe a fachada próxima. Sim, tem muros também.

O motorista abre o portão automático e o chama para entrar.

Ele entra.

O motorista é um jovem de baixa estatura, barbudo e sem cabelos. Um sujeito simpático e amável.

Mas de todas as frases doces que ele poderia pronunciar, a melhor de todas foi:

“Acabamos de nos mudar para cá. Temos muitas caixas de papelão vazias no canto direito da garagem. Pode ir lá e pegar para você”.

A reação foi automática:

“Só pode ser de Deus mesmo!”

Foi uma mistura de oração com suspiro. De fé com cansaço. De surpresa com gratidão a Deus.

Ele lembrou-se de Pedro, que havia tentado pescar a noite toda, mas sem resultado. Jesus entrou no barco e o ordenou que jogasse a rede. E ele jogou!

Neste caso, era simplesmente papelão, mas valia muito para quem luta para sobreviver.

Claro, ele sabe que é apenas mais um dia. Que seria bem melhor se tivesse mais oportunidades além de catar papelão. Mas aqui e agora o que vale é o momento. Terminar o dia com o carrinho cheio é muito bom! É benção de Deus.

O dono da casa se surpreende com a reação dele e então repete, meio que pensando na sua própria vida ou até mesmo recebendo uma resposta divina:

“É, só pode ser de Deus mesmo”.

Extrai toda a força das palavras
Para que o grito não seja em vão

Faz do silêncio uma arma da sabedoria
E não um escudo da covardia

Pede para entender o que está nas entrelinhas
Viver é saber ler as entrelinhas

Mergulha nas profundezas do mistério
O que transcende nos faz ir além de nós mesmos

Faz da teoria uma ponte para o caminho
E não um refúgio para o preguiçoso

Faz da prática um gesto de coragem
E não um hábito do insensato

E, por fim, entregue-se totalmente
Não aos ídolos do nosso tempo
Mas ao Deus que é Fonte de Todo Bem.

Não são as certezas, nem as dúvidas,
Nem a felicidade, muito menos o sofrimento.
É a confiança. A mais pura e simples confiança.

 

A vocação não é um fim em si mesma. Não se sustenta pela sua importância própria, mas sim pelo caminho espiritual que a conduz e dá a ela corpo, forma e clareza.

É como se fosse a harmonia de uma canção. Todas as notas musicais ligadas, formando uma composição agradável.

A vocação está debaixo de algo maior e mais importante: a harmonia da nossa caminhada pessoal, profunda e honesta com Deus. Esta é a fonte para todas as escolhas que tomarmos e todas as tarefas que assumirmos. Quando a harmonia estiver comprometida, tudo o mais também estará.

O maior desejo de quem quer levar a sério sua vocação é ter certeza de que ouviu, de fato, a voz de Deus. Não é fácil. Esta experiência não é, no entanto, isolada de todo o resto.

Ouvir a voz de Deus é consequência de submeter-se a ele, de perseverar na fé, de aprofundar-se na verdade bíblica, de ter humildade para ouvir conselhos de outros irmãos, de agarrar-se (espiritual e emocionalmente) a Jesus Cristo.

Vocação tem menos a ver com tarefa, e muito mais a ver com relacionamento: primeiramente com Deus (Aquele que nos chama) e depois com o próximo (a quem servimos).

“Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha” (1 Co 11.26).

 

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