O poeta suja as mãos

Com letras, rimas e estrofes

Cada uma delas, tem um cheiro próprio

Tem uma textura original

 

O poeta não suja as mãos

Com amor, compaixão, ira

Cada uma delas tem uma virtude própria

Tem um gosto original

 

O poeta é um sublime simplório

Descansa, descalço, à sombra da árvore

Vê o tempo passar

As pessoas circulando com seus afazeres,

Pintando a vida com o trabalho duro

O poeta, não. Ele não trabalha, desfruta.

 

O poeta é um santo,

Não pela perfeição moral – que não tem,

Mas pelo caminho separado que o conduz a lugares únicos

O poeta sonha pelo caminho perfeito na imperfeição da vida

 

O poeta é imperfeito,

Não pelas falhas espirituais – que as têm,

Mas pela confusão de sua própria existência que o (des)conduz a lugares sombrios

O poeta sofre pelo caminho imperfeito na perfeição da vida

 

O poeta é tudo, e é nada.

A poesia é nada, e é tudo.

 

  1. Jogo de palavras usando ‘poeta’ ora para oferecer penduricalhos banais, ora para dizer o que ele, que não é nenhum santo, é capaz de fazer. Poesia é algo que se escreve engajado, não há espaço neutro nem termos com características de opacidade.

    As duas últimas linhas sua não passam de tautologia.

    Sirva-se de um poeta, Lima Barreto, para melhorar seu deslizar na maionese, meu caro Lissânder. Este é engajado e permanece importante até hoje. Ou talvez Rubem Alves, que ainda fala e pontua para tirar do sono delirante raciocínios insossos como esse seu.

    “Todo jardim começa com um sonho de amor.
    Antes que qualquer árvore seja plantada
    ou qualquer lago seja construído,
    é preciso que as árvores e os lagos
    tenham nascido dentro da alma.

    Quem não tem jardins por dentro,
    não planta jardins por fora
    e nem passeia por eles…”

    Infelizmente Elben, antes de falecer, resolveu passar um pito tardio no grande Alves. E, diga-se de passagem, sem conhece-lo. Está aí, nas páginas de ULTIMATO, leia. E levou outro pito.

    Aprenda!

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.