O poeta suja as mãos

Com letras, rimas e estrofes

Cada uma delas, tem um cheiro próprio

Tem uma textura original

 

O poeta não suja as mãos

Com amor, compaixão, ira

Cada uma delas tem uma virtude própria

Tem um gosto original

 

O poeta é um sublime simplório

Descansa, descalço, à sombra da árvore

Vê o tempo passar

As pessoas circulando com seus afazeres,

Pintando a vida com o trabalho duro

O poeta, não. Ele não trabalha, desfruta.

 

O poeta é um santo,

Não pela perfeição moral – que não tem,

Mas pelo caminho separado que o conduz a lugares únicos

O poeta sonha pelo caminho perfeito na imperfeição da vida

 

O poeta é imperfeito,

Não pelas falhas espirituais – que as têm,

Mas pela confusão de sua própria existência que o (des)conduz a lugares sombrios

O poeta sofre pelo caminho imperfeito na perfeição da vida

 

O poeta é tudo, e é nada.

A poesia é nada, e é tudo.

 

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