Escrever é um forma de reafirmar a esperança. Quando escrevo, expresso o que vejo, mas também o que ainda não vejo, o que eu gostaria que existe. Pessoas, estruturas sociais, valores… nada está completo. Estamos em construção (para a melhor ou para a pior, em alguns casos).

É impossível viver sem algum tipo ou alguma dose de esperança. O ser humano precisa de esperança – mais do que dinheiro, sexo ou poder. Esperar por algo melhor, pela “terra sem males”, pela plenitude dos tempos, pela justiça que correrá como um rio perene, pela paz que permitirá diálogos, encontros e perdão.

Esperamos por uma sociedade onde haja desenvolvimento de todos os potenciais humanos, econômicos, sociais e espirituais, mas que, ao mesmo tempo, seja um movimento que diminua o fosso injusto entre as pessoas e suas oportunidades para tal desenvolvimento.

Ao escrever, eu imagino. Imagino sentido e significado para mim e para os outros. Imagino um caminho luminoso, mesmo que ele ainda não possa ser visto. Mas a escrita treina meus sentidos para isso, e, assim, dá forma à esperança que há dentro de meu coração.

Escrever é dialogar consigo mesmo, antes mesmo de com o leitor. Meus textos são “conversas com minha alma”, bem ao estilo dos salmistas. Desde criança, eu escrevo, e, sem dúvida, foi o caminho mais efetivo e contínuo para o autoconhecimento e o conhecimento do Alto. O pouco que sei sobre mim assim foi revelado no ato da escrita. Isso porque escrevo o que eu penso, sobre os valores que acredito, mas também sobre as carências do que não sou. Escrever é iluminar identidades e significados.

O desafio da escrita – em particular, das crônicas – é treinar o olhar. Isso é extremamente importante, em especial, na era das distrações e dos estímulos contínuos que a tecnologia nos induz a experimentar. Quem quer aprender a ter foco deveria criar o hábito da escrita. Faria um bem imenso a ela.

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Esta foi uma semana especial, onde eu pude compartilhar publicamente minhas ideias e minhas experiências sobre a escrita de crônicas. Primeiro, na Semana de Responsabilidade Social da UNICESUMAR (na quinta-feira). E também hoje, na entrevista que concedi ao âncora Gilson Aguiar, da rádio CBN de Maringá. Este texto é um pouco da amostra das ideias que nasceram ao longo desses bate-papos.

 

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