Macrat (pixabay.com)

Já é quase comum. Nem pensamos muito. Tudo virou mídia. Tudo é manchete. Tudo, mas principalmente eu mesmo. O que me faz pensar que o aspecto ordinário da minha vida é interessante? Por trás do que mostramos está uma necessidade gigantesca de sermos vistos.

“Obsessão pela própria aparência”. Esta é a definição para narcisismo dada por Vanessa Hill, psicóloga australiana e especialista em mídias sociais. Diz a história que Narciso era prisioneiro de si mesmo. Quem diria! Somos o “ídolo” que o Segundo Mandamento nos ordena a evitar:

 

Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra.
Êxodo 20:4

 

Somos uma geração marcada pelas grandes ilusões. Após as tragédias das Duas Guerras, já não confiamos em grandes coisas nem em deuses universais. Não mais cremos fielmente em verdades absolutas nem em esperanças eternas. Não estamos preocupados em deixar nenhum legado real para gerações futuras. Mas, ao mesmo tempo, queremos ser “adorados” como nunca. Realmente somos o tal Homo incurvatus in si – o homem curvado para si mesmo. Decidimos preencher o vazio de Deus com nossa própria imagem – maquiada, sorridente, bela.

As redes sociais são ferramentas ideais para o ritual idólatra. A idolatria de hoje não apresenta contornos tradicionais nem ícones religiosos. Ela se faz na adoração da humanidade, no hedonismo pelo mundo fabricado por nós mesmos. E é neste universo fake que nos contentamos com a mentira e nos afastamos da verdade.

Quando Deus nos alertou que não fizéssemos ídolos, ele o disse em um contexto cultural no qual as pessoas viam os deuses como sujeitos poderosos e, fundamentalmente, úteis. Úteis para dar a eles o que precisavam, como colheitas abundantes. No final das contas, o que o coração idólatra revelava é que o culto não era uma entrega ao Deus bondoso, mas uma troca de favores que obrigatoriamente deveria beneficiar a vida de quem prestava culto.

A idolatria do passado se relaciona com a de hoje em um aspecto fundamental: o “eu” é o centro. Mas não subestime o egocentrismo. Ele é criativo, cria maneiras de parecer o que não é, e de não parecer o que é. A mania do selfie é só uma expressão de quem somos e do que move os desejos do nosso coração. Obviamente que não é errado fazer selfies, assim como não é errado contar nossas próprias histórias em um livro ou assinar um “testemunho de conversão”. Mas a sabedoria cresce no solo da prudência. Os alertas de Deus não devem ser ignorados. O risco é real. Quanto mais nos colocamos no centro, mais nos afastamos de Deus.

Uma oração ideal para esta época da mentira e do autoengano é:

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Salmos 139:23
Taí um bom exercício: antes de mostrar-se aos outros, mostre-se a Deus. E se você ainda não tem coragem de fazer isso, ore. Peça que ele esquadrinhe seu interior ao ponto de livrá-lo dos desejos idólatras. Este é o caminho para a liberdade.
  1. Evangélico é o grupo religioso mais imaginoso que eu conheço.
    Imaginem a construção feita neste artigo onde se extrai de Exodo 20 um cabedal de ideias que não guarda vinculação alguma com o sentido esposado no VT para brindar o leitor com ideias sobre arte no presente.
    E ainda tem gente que vai de “uau!”. É realmente digno de um “uau”.

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