Lá estão eles, rostos fechados, só mexendo as bocas com chicletes, dedos nos smartphones e, em alguns casos, fones nos ouvidos. São os usuários do metrô de São Paulo. Gente de todo tipo, mas com comportamentos bem parecidos.

Mas eis que uma turma entra no metrô, falando alto, rindo. Juntam-se no mesmo lugar. De repente, outro amigo também entra no metrô. Aumenta o volume das falas e dos risos. Seguimos umas sete estações assim, até a estação São Judas.

O que somos? Intrusos, passageiros ou caipiras? A verdade é que somos quase todos do interior: Minas, Paraná, Goiás…

A Grande São Paulo nos suporta. Ela é generosa, suporta muita gente. Talvez não devamos esperar que os outros passageiros esbocem sorrisos. Tudo bem. Só nos permitirem permanecer no metrô já está de bom tamanho.

Na volta, uma voz informa no microfone: “usuários na pista. Teremos que parar por enquanto”. E assim esperamos, com o olho no relógio e com medo de perdermos o último ônibus para Viçosa. Uma moça ao meu lado comenta algo sobre a situação. A polícia se movimenta na estação em que o metrô está parado. Demora um pouco para sairmos, mas, enfim, chegamos ao Tietê. Agora é entrar no ônibus e viajar por 12 horas de São Paulo à Minas.

Um dia depois, agora me lembro dos rostos dos usuários do metrô. Eu, que neste momento, digito em meu computador, perto de mato e vacas.

O Brasil é realmente fascinante. De tantas diferenças, não dá para criar discursos iguais e previsíveis. Parece que nossa grande tarefa é descobrir os princípios que regem nosso coração. Num país cheio de “slogans” e “frases feitas”, cabe a nós não perdermos o bonde da história. Ou seria o metrô?

 

  1. O juízo de valor sobre os muitos Brasis seria o metrô? Cinco cidades do Brasil têm metrô: Rio, Recife, Belo Horizonte, Brasilia e a maior delas, São Paulo. Buenos Aires, com 3 vezes menos habitantes, tem mais estações de metrô. A Cidade do México tem quase 3 vezes mais quilômetros.

    Alguém aí teria pensado em classificar o povo Argentino ou Mexicano pela vida dos usuários do metrô?

    Evidentemente que não. Sociologia não se mede por usuário, caso contrário MacDonalds, Subway e Burger King seriam critérios usados pelo IBGE para calcular a qualidade de comida consumida em fast-food pelo Brasileiro, e o Americano seria o país deste tipo de comida, o que está muito longe da realidade.

    De que trata o artigo? Afirma o autor, ao final: “O Brasil é realmente fascinante [?]. De tantas diferenças [‘caipiras’ com o ‘cosmopolitano’ nordestino no metrô?], não dá para criar discursos iguais e previsíveis. Parece que nossa grande tarefa é descobrir os princípios que regem nosso coração [?]. Num país cheio de “slogans” [?] e “frases feitas” [?], cabe a nós não perdermos o bonde da história. Ou seria o metrô?”.

    O metrô, claro. Quem escreve com um computador cercado de matas e vacas, é um privilegiado bucólico, simples, singelo, inocente, ingênuo, puro, algo pastoril.

    A riqueza não é gerada nem produzida aí, ainda que possa estar cercada de vaquinhas e cheiro de terra molhada, a visão é apenas idílica.

    Quem vai para São Paulo, vai construir uma vida, ou perdida no passado (4 milhões de nordestinos), ou vai para construir a pujança que a torna detentora do maior PIB brasileiro.

    Paulista reclama a mais não poder, mas de lá não sai. É um dos poucos lugares geradores de riqueza, de futuro.

    Para o Paulistano, vaquinha é apenas a foto estampada na caixinha do leite pasteurizado. Um dia o metrô vai melhorar, mas a vaquinha vai continuar bucolicamente pastando.

    O autor está certo, a previsibilidade na afirmação magistral de Nelson Rodrigues, é pura burrice. Ou como escrevera Millôr Fernandes, Millôr, “Humor é oposição, o resto é secos e molhados”. Mato e vaquinhas com secos e molhados.

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