Barulhos: gritos de convencimento, tilintar de moedas, berros de bichos, gargalhadas falsas, palavras religiosas superficiais. O desejo de ver Deus deparava-se, antes, com um pátio cheio de “covis de ladrões”.

Era preciso uma palavra dura, um gesto radical. Não ódio, mas indignação. A voz deveria ser, não de um moralista, mas de um santo, que tinha autoridade moral explícita, clara, apaixonada.

Agora é o barulho das mesas caindo que afeta os ouvidos dos presentes. A força física não é direcionada às pessoas, nem mesmo aos animais. É à impiedade. É à opressão contra os que buscam a Deus.

Também pudera, o templo já não era mais espaço de salvação, de purificação. Era refúgio de quem ignora a redenção, de quem confia apenas na pretensa segurança do lucro. Era um arremedo de fé, cheio de incoerência, cheio de fragmentações.

Após os barulhos, um silêncio. Todos observam o que acaba de acontecer. Por um momento, o templo ficou puro, sem penduricalhos, sem aproveitadores. Era a antecipação do que ele, no futuro, faria definitivamente. Ninguém imaginava, no entanto, que a grande transformação não aconteceria no templo visível, mas sim no invisível.

O templo que Jesus purificou naquele dia, desestruturando os cambistas, não existe mais. Ele deu lugar a outro templo; muito mais santo e profundo. Neste novo templo, o desejo por Deus deixou de ser só um desejo, e se tornou vida vivida. Neste novo templo, os ladrões não entram. Neste novo templo, quem habita é o próprio Deus. O templo somos nós, sacrifícios vivos, sem paredes, sem vendas, sem enganações.

Grande privilégio, grande responsabilidade. Tire as sandálias, este lugar é sagrado!

 

— Texto baseado no relato de Marcos 11.15-17, brilhantemente lembrado no sermão do amigo Pr. Jony Almeida.

 

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