luzes1

Há três focos de luz em minha frente. À direta, a janela. À frente, a TV. Abaixo, o laptop. Universos inteiros em minha frente. Universos fabricados ou não, o grande desafio é o que fazer com o que vejo por meio deles.

Se pela janela vejo o pássaro pousando na antena parabólica, na TV assisto a histórias do interior produzidas por cineastas. A tela do computador é como aquela nova galáxia descoberta. Quanto mais descobrimos, mais infinita é.

O que me amedronta não é novo. É o que podemos nos tornar.

As luzes são cada vez mais frequentes. Meus olhos doem. Me lembro daquela luz do sol ao meio-dia da infância queimando o asfalto e me dando a sensação de letargia.

Nos sonhos, vemos luzes acompanhadas sempre por músicas no compasso do movimento. Na vida real, nem sempre é assim. O silêncio não foge. Sempre que surge, ele tem a grande capacidade de permanecer. A despeito dos desesperos que nos aprisionam.

Vejo as fotos de amigos na tela do computador. Me lembro de tanta coisa! Me lembro dos sorrisos expostos, descompromissados.

Leio depoimentos, confissões. Nem sempre tão sinceras. Mas cada letra esconde dentro de si uma intenção. Cabe a nós decifrá-las.

O tempo vai passando, e já não me empolgo com discursos. Eles quase sempre são atestados de descompromisso com a realidade que não cabe neles. Por vezes, melhor é ficar calado mesmo.

Entre as três luzes, fico parado. Talvez eu espere que se apaguem sozinhas. Talvez eu não queira que se apaguem.

No fundo, quero crer que há alguém acima de tudo isso, para quem luz e escuridão não fazem diferença alguma. E não fazem mesmo.

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