talking-guys-1382970-mDeve ser a idade, mas já não me empolgo tanto com os discursos que ouço — sejam eles religiosos, políticos, sociais. O que vejo são tão somente boas palavras de menininhos patinando desajeitadamente na pista de gelo. Não temos a mínima ideia do que falamos. Ou porque não experimentamos, de verdade, o que afirmamos. Ou porque não pensamos o suficiente – com honestidade e humildade – sobre o que defendemos. Ou porque somos atraídos pela necessidade imatura e orgulhosa de sermos ouvidos na velocidade de nossas respostas instantâneas.

Somos superficiais. E aqui os intelectuais não são exceção. A superficialidade reside em nossa esperteza. Explico: não sabemos as causas das coisas, mas nos esforçamos em elaborar conceitos em torno dos sintomas, com palavras moderninhas, para que tudo soe como uma confirmação ao ouvinte de que o que ele achava certo, assim o é realmente. No fundo, somos tão ignorantes quanto nossos ouvintes, mas não temos coragem de admitir isso. No final das contas, se ninguém se entender, basta soltar a máxima de que “tudo é relativo”.

Nossos discursos não são submetidos ao necessário tempo de “maturação”, de espera — como acontece com o preparo de muitos alimentos. A culpa não é apenas da correria dos nossos dias. Mesmo se tivéssemos mais tempo, não é nosso interesse gastar esforço com isso. Já nos contentamos com algumas dezenas de “curtidas”. Discursos são tão importantes quanto a manchete de um jornal. Valem o dia de hoje; nada mais.

Sim, este é mais um discurso de quem não sabe ir fundo. Admito. Sou tão superficial quanto os que critico neste texto. Talvez esta não seja uma crítica, mas somente uma confissão. Se pela confissão admitirmos nossa mediocridade e buscarmos um discurso mais honesto e profundo, para que a vida seja melhor compreendida e vivida, acho que já é um bom início para mudar as coisas.

 

 

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