Esquina escura, silêncio.

Apenas os sons próprios de quem sobrevive na noite. Apenas o meu suspiro, como quem corre apressado, mas perdido.

Tateando, encosto o rosto nas paredes irregulares. Sinto o frio da madrugada.

Os olhos abertos de nada valem sem uma gota de luz.

E ela vem. Milagrosamente, vem como quem traz boas notícias. Como o sorriso para a alma triste. Como a esperança da criança para o velho solitário. Como o amor para o coração angustiado. Como o rei para a terra sem honra.

Luz que ilumina a esquina, a parede, a minha própria vida.

E das lembranças da escuridão sobra a confiança naquele que conheceu o caminho mesmo quando meu olhar de nada valia.

Só quem me acompanhou na escuridão é digno de minha confiança na luz.

 

“O meu Deus transforma em luz as minhas trevas” (Salmo 18.28b)

 

 

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