Chegamos na casa, e vamos direto para a cozinha. Nossos amigos nos recebem com sorrisos. Enquanto uma lava a louça, os outros três estão sentados. Saudamo-nos com beijos e abraços, eles brincam comigo, e iniciamos a conversa despretensiosa. É somente o início da noite. Ainda chegariam outros amigos e amigas para o nosso encontro de leitura da obra de C. S. Lewis. Vieram comigo minha esposa, minha irmã e seu esposo.

A casa é de um casal cristão de longa data. Eles se alegram em acolher jovens cristãos. Agora que os 3 filhos não moram mais com eles, a casa ficou ainda mais aberta para receber visitas. Uma pessoa do grupo é filha do casal.

Já devidamente abastecidos de comida espalhada pela mesa, nos sentamos ao redor dela, na sala, e começamos a conversar sobre o livro “Cristianismo Puro e Simples”, nossa obra de cabeceira do momento. Decidimos discutir especificamente os dois capítulos sobre fé. Ao todo, somos 13 jovens (bem, eu não tão jovem assim), sendo 4 casais casados e 1 quase, além de 3 solteiros.

Conversa apaixonada sobre a nossa fé cristã. Sorrisos e compreensões. Amizade e disposição para olhar criticamente para nós e para a igreja evangélica brasileira. Talvez tenha durado mais de duas horas, mas ninguém viu o tempo passar. Nossas almas foram alimentadas por uma comunhão deliciosa, sem necessariamente uma vestimenta religiosa. Falamos de coisas difíceis de explicar. Lidamos com conceitos rebeldes, que, por natureza, não se moldam ao nosso poder humano. Pretensiosos estes jovens? Talvez. Dispostos a descobrir além da superfície? Sim, sem dúvida.

A fé que C. S. Lewis nos ensina parece muito distante da fé vivida pela igreja evangélica brasileira. Não afirmamos isso com orgulho nos lábios. Nos entristecemos. Queremos ver a igreja viva que entende a fé verdadeiramente. Não a fé que se opõe à razão, não a fé que gera orgulho, não a fé como um “salto no escuro”. Mas sim a fé que seja fruto do reconhecimento do nosso fracasso e da grandeza infinita do Deus que nos ama. Uma fé que não seja moeda de troca com um Deus imaginário que sabe vender seus produtos. Queremos uma fé simples, mas profunda, que subverte nós mesmos e que nos leva aos braços do Pai.

A reunião termina. Sorrimos uns para os outros. Marcamos o próximo encontro. Despedimos-nos com apertos de mão e abraços. Nos encontraremos em fevereiro de 2011, se assim Deus permitir. Nos ombros, carregamos a sensação de que estamos diante de um mundo novo.

  1. Muito bom o texto, Lissânder. Eu, como a “filha do casal de longa data”, revivi alguns sentimentos gostosos de ontem à noite. Principalmente esse de me sentir diante de um mundo novo. Parece que olhar pra Deus refaz o nosso olhar sobre todas as coisas.
    Abração!

  2. Gostei do texto. Acho que traduziu bem a simplicidade e a profundidade das nossas conversas. Que a nossa visão no espelho seja cada vez mais próxima do real, e que o nosso arrependimento seja existencial e não circunstancial. Beijos!

  3. Aconchegante, como a nossa reunião.

    Não é só a fé de Lewis que nos ensina, mas a própria reunião, o compartilhar, o refletir, o cumprimentar sinceramente com um beijo ou um abraço, a refeição (mesmo que de guloseimas rs). Sinto-me honrado em poder experimentar essas lições em boníssima companhia.

    Abraço, irmão (pastorzin rs)!

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