Vista da costa da Cidade do Cabo

Cidade do Cabo, África do Sul. Foram quase duas semanas em seu chão, sentindo o seu cheiro, conhecendo a sua história. De tão bela e limpa, uma pulga atrás da orelha nos perguntava: “esta cidade é de verdade?”

A verdade é que Cidade do Cabo é legítima em sua vocação turística, mas é artificial ao tentar esconder os pobres e sua cultura. Basta caminhar pelas suas ruas na noite avançada para encontrar-se inevitavelmente por muitos pedintes insistentes. No fundo, eles não querem apenas dinheiro ou comida; precisam de uma cidade que os acolha. Basta gastar mais tempo na conversa com os vendedores das feiras e perguntar algo além dos preços dos produtos para saber que eles não moram no centro, vivem na periferia e precisam sustentar seus muitos filhos. Basta olhar de forma mais crítica para perceber que a cultura à vista de Cidade do Cabo é mais européia que africana. A exceção são os produtos exóticos vendidos nas feiras locais. Um amigo, João Marcos, conseguiu fazer o que não fizemos. Visitou bairros mais pobres da cidade. Disse que é uma outra Cidade do Cabo.
A atual aparência da cidade é resultado, não de uma imediata maquiagem “para inglês ver”; porém, de forma mais triste, é fruto de uma história longa de invasões estrangeiras, não obstante a fúria do cabo marítimo.

As plantas e aves que vivem à beira da costa, segundo informações do guia turístico, ajudam-se mutuamente e prestam o serviço de manter a beleza da natureza. Talvez seja uma metáfora divina para mostrar a nós, seres humanos, que história verdadeira se faz com mãos dadas e não com mãos em punho; com acolhimento e não com exclusão.

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