“Remetente” e “destinatário”. Os mais antigos vão se lembrar dessas duas palavras. Aprendíamos ainda na escola seus respectivos significados. Era uma lição muito útil, já que enviar cartas fazia parte do cotidiano das pessoas. Décadas depois, as crianças de hoje não estão mais preocupadas em saber qual o lado certo do envelope em que precisam escrever seus nomes.

De março para cá, eu tenho frequentado bem mais os Correios. Felizmente, vez ou outra um amigo/a de longe compra um exemplar de meu livro e então eu preciso fazer o envio para ele/a. Tem sido uma tarefa um tanto quanto nostálgica. Hoje, tive que enviar alguns para endereços diferentes, o que me fez repetir aquela tarefa nos dois lados dos envelopes. Para isso então, claro, eu precisava saber quem era o “remetente” e quem era o “destinatário”. (Das duas, eu sempre gostei mais da segunda palavra. Me remetia a outra: “destino”). Como uma palavra tão poética pode estar em um mero envelope de Correios? A pergunta é meramente retórica. Eu acredito, de verdade, que a poesia deveria estar exatamente nos espaços mais comuns.

Ao escrever as informações no campo do “destinatário”, imaginei os tantos destinos em que um livro pode chegar. Também pensei sobre o meu próprio rumo.

“Destino” rima (semanticamente) com “sonho”, “expectativa”, “fé”. Mais do que um ponto estático no futuro, é um sentido ainda não completo, é uma caminhada não concluída, mas que se faz cada vez mais real quanto mais eu assim caminho.

Quanto ao magnífico verbo “enviar”, ele leva consigo o combustível dos sonhos. É a energia concreta do movimento de ir, de seguir, de olhar para frente. Construímos nosso destino enquanto sonhamos e, assim, somos impulsionados por Deus a seguir em frente até o fim.

A vida é esse impulso.

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