Sobre as eleições, aos cristãos evangélicos
Diretrizes e conselhos práticos para todo cristão
Com o mais profundo respeito pela democracia e as leis do nosso país e reafirmando nossa responsabilidade para com os valores do Evangelho de Jesus Cristo, quero ressaltar alguns aspectos fundamentais e conselhos aos meus irmãos evangélicos a respeito das eleições 2026:
- A democracia é um bem comum
Não deixamos de celebrar a democracia como um instrumento de Deus para o bem comum. Nós, protestantes, sabemos bem o que é ser perseguido por governos tiranos e corruptos. A democracia é um sistema de governo com pesos e contrapesos, e isso torna mais saudável a convivência e mais justa a circulação de ideias e causas. Firmamos na Palavra de Deus, nos sentimos à vontade para ensiná-la e defendê-la em um país livre e democrático.
- As eleições podem mudar o rumo do país
O momento eleitoral é algo de extrema importância. Não devemos subestimar seu peso social e político. Todo cristão deve ser ético diante de tão grande responsabilidade: escolher os governantes que irão representar anseios e causas em um país diverso e cheio de mazelas e cicatrizes. O Evangelho nos ensina a viver um estilo de vida justo e compassivo e construir uma sociedade marcada pelos valores do Reino de Deus. Que esse desejo seja expresso na hora de escolher nossos representantes políticos.
- O voto é uma escolha pessoal e responsável
O voto eleitoral é uma decisão cidadã, garantida em Lei. Ninguém – nem pessoas ou instituições religiosas – pode decidir por nós mesmos. Diante de Deus e coberto por oração, assuma sua responsabilidade cívica. Permita que o Senhor o oriente sobre que princípios regem a decisão sobre em quem votar e, após as eleições, acompanhe os eleitos com o mesmo zelo de quem orou antes de votar.
- O templo é sagrado
Nossas igrejas são vivas e alegres, expressando a multiforme sabedoria de Deus. Assim como todas as coisas criadas por Deus, o templo é um lugar sagrado. Mas quando o assunto é política, precisamos ter um zelo ainda maior com este espaço dedicado ao louvor, adoração, ensino e comunhão cristã. Nenhuma igreja deve transformar suas estruturas físicas ou virtuais em lugar de propaganda política. Além de ser algo contrário à Lei Eleitoral, tal atitude é antiética e não leva em consideração a livre consciência de nossos fiéis. Cremos num único Senhor e Salvador, sem espaço para messianismos, manipulações e ilusões políticas.
- Nenhuma denominação deveria apoiar oficialmente algum candidato ou partido
Quando um cristão consciente resolve se candidatar a um cargo público, não há nada de errado com isso. A política também é uma expressão da vocação que Deus deu a nós, sendo “sal” e “luz” no mundo corrompido pela sede do poder. Ter uma presença fiel e santa em ambientes assim pode ser um caminho de esperança e redenção para a política brasileira.
Ao mesmo tempo, nenhuma denominação deveria apoiar publicamente nenhum candidato, mesmo que ele seja a sua melhor escolha eleitoral. Seu papel é criar um ambiente favorável para a intercessão pelos candidatos e realizar ações de justiça que construam estruturas para o desenvolvimento de uma boa política. Mas (salvo circunstâncias excepcionais) uma igreja institucional não deveria apoiar oficialmente um candidato, pois não temos o direito de transformar a fé em instrumento político e abuso religioso.
Conselhos práticos
Diante dessas convicções, quero dar alguns conselhos práticos:
a) Antes de fazer sua escolha política, dedique-se em oração por alguns dias. Ore ao Senhor por sabedoria, sensatez e discernimento diante de um momento complexo e cheio de armadilhas.
b) Se sua liderança fizer alguma propaganda eleitoral nos canais oficiais da igreja, tenha uma conversa individual com ela e, em amor, aconselhe que não continue. Mostre a necessidade de preservarmos a identidade cristã evangélica que ama e respeita o próximo para a glória de Deus.
c) Você tem todo o direito de se posicionar publicamente a favor ou contrário a um candidato específico. Se desejar, faça isso, mas não utilize sua voz para cultivar ódio, mentiras e discórdia. Mantenha a civilidade e o testemunho cristão diante de diálogos e debates políticos. Não é errado discordar, mas sempre preserve a comunhão pelo vínculo da paz.
d) Ajude a tornar sua igreja local um espaço saudável para todos. Apoie a construção de uma comunidade simples, amorosa e firme a respeito de sua identidade e seu propósito. Nossa responsabilidade cívica não se reduz ao período eleitoral, mas deve ser constante em todo o tempo.
e) Antes de debater, estude a Palavra de Deus. Organize um grupo de estudos bíblicos sobre fé pública e política. Busque na Palavra de Deus os princípios norteadores de qualquer envolvimento público. Com espírito de discípulo, aprenda com o Senhor, antes de seguir algum líder humano.
“Quando clamei, tu me respondeste; deste-me força e coragem. Todos os reis da terra te darão graças, Senhor, ao ouvirem as palavras da tua boca. Cantarão os caminhos do Senhor, pois grande é a glória do Senhor!”
Salmos 138.3-5 | NVI