Subi as escadas do metrô e dei de cara com rostos orientais circulando nas calçadas. Era o bairro paulistano da Liberdade. O hotel ficava logo em frente. Na recepção, um senhor (nipônico) bem idoso. Ao seu lado, um funcionário moreno, este com a cara mais familiar.

Estávamos em São Paulo para participar de uma feira de literatura. Eu e meu colega éramos quase mochileiros de tanta vontade que tínhamos de economizar.

Café da manhã? Na lanchonete em frente ao metrô. Por que não? Quem nos atendeu foi uma senhora de meia-idade, também com traços orientais. O pedido? Tapioca com café.

Em uma das noites, eu estava sozinho e com fome. Por volta das 23 horas, sai pelas ruas do bairro à procura de um restaurante bom e (claro) barato. Desci o quarteirão e na rua à direita encontrei um. Nome japonês, decoração também. Poucos clientes (na verdade, só me lembro de um: eu). Ao fundo, uma conversa animada de um grupo de funcionários nipônicos. Olhei o menu e escolhi o prato. Ao fazer isso, direcionei os olhos para além do balcão e vi a pequena cozinha conjugada. Quem era o cozinheiro? Um rapaz com cara de nordestino. Com simpatia e educação, me serviu no tempo certo um Yakissoba delicioso.

Voltei para o hotel com a satisfação física, mas também com um prazer de quem é surpreendido pela mistura curiosa da “capital do Brasil”. Quem vai acreditar que, de manhã, comi tapioca preparada por uma “japonesa” e, à noite, degustei Yakissoba feito por um nordestino?

 

  1. Em São Paulo, creio que é uma das únicas cidades do Brasil onde vc mistura as culturas e as culinárias entre todos os povos. A Liberdade é um local tipicamente oriental, já subindo a São João, encontramos um recanto tipicamente italiano onde temos gastronomias servidos por gaúchos e mineiros. Além das maravilhosas pizzarias que são tradicionais. É maravilhoso viver em São Paulo.

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