O ser humano tem um labirinto dentro de si: a própria mente. Achar a saída exige de cada um honestidade e vontade. Não basta a razão. É preciso discernimento que brota da devoção ao “Pai das luzes” (Tg 1.17).

A fé cristã é esta experiência com o Pai que afeta profundamente nossa mente. Não é que nos tornamos mais inteligentes quando nos tornamos cristãos, mas aprendemos – ou pelo menos deveríamos – a buscar a verdade nos lugares certos. Tudo o que defendemos ou atacamos, certezas ou dúvidas, nascem não de uma inteligência autônoma, meio que endeusada; são resultados da nossa devoção (não necessariamente religiosa, mas devoção como entrega apaixonada ao que amamos).

Todos somos devotos de alguma coisa ou alguém. E é exatamente nesse recôndito, onde mora a devoção, que encontramos o nascedouro para a capacidade de sermos quem somos e de pensarmos o que pensamos.

Obviamente que há muitos outros fatores que influenciam nossos pensamentos, mas para ser simples e claro, não levaremos nenhuma ideia até o fim se não nos apaixonarmos (ou sermos enfeitiçados) por ela.

Sendo um labirinto, a mente também é uma tentação. Escolhas erradas podem nos impedir de chegar ao destino. Ela, inclusive, pode se tornar refém ao longo do caminho e cativa de atalhos falsos como aquelas antigas arapucas que aprisionavam pássaros.

Por outro lado, a mente é uma dádiva. Tem um potencial incrível de nos levar a lugares fantásticos. Nossa mente nos faz superar limitações impostas pelo simples fato de que temos a capacidade de (re)pensar qualquer pressuposto. Não subestime o que é possível fazer quando você decide colocar seus pensamentos para funcionar, quando você é exigido além do que está acostumado. Verá que Deus o criou para viver acima da mediocridade que o mundo propõe.

Em tempos de hipercomunicação e estímulos informativos constantes, nossa mente é um tesouro que deve ser preservado e, ao mesmo tempo, expandido. Risco e oportunidade estão lado a lado.

Quando unimos harmoniosamente mente, devoção e esforço descobrimos que nada é tão óbvio que não precise de uma boa dose de reflexão. Por outro lado, nenhuma inteligência é autossuficiente ao ponto de ignorar uma fé humilde e esperançosa.

 

 

 

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