— O que é isso, papai?
— Chave.
— E isso, papai?
— Porta.
— E isso?
— Fechadura.
Assim Miguel dialoga comigo. Perguntas e mais perguntas – não sobre os mistérios da vida, mas sobre o que ele vê. Miguel presta atenção em minhas respostas. Ele as repete em outros momentos – se bem que também repete as perguntas. Parece gostar da investigação. Ou seria uma brincadeira?

Se Deus deu a Adão a tarefa cultural de dar nomes aos animais e às coisas, Miguel me deu a tarefa histórica de relembrar os nomes do que já existe.

Gosto da brincadeira. Vejo seu rostinho de satisfação. Não sei se o sorriso dele é porque recebeu as respostas ou porque ri de pai bobo que terá que responder todas as outras infindáveis perguntas que ainda lhe fará pelo resto da vida.

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