A mente, inquieta, abre portas, mas não consegue desenhar os cômodos da casa. Não faltam ideias, mas sim escrita. Neste jejum de textos, escrevo uma metalinguagem. Vale corrigir: não é jejum, porque não é voluntário. Fastio, talvez.

Quem sabe apenas a evidência de que a vida está muito boa para que eu me dê ao trabalho de gastar tempo registrando-a. Ou seria preguiça? Tanto faz. Ou nada faz. A verdade é que nesta ditadura dos blogs, a satisfação da escrita pode se tornar uma fria obrigação. E pior do que não escrever, é escrever sem vontade. Desrespeito ao nobre ofício. Deus me livre desse mal!

Na crise, é possível reinventar-se. E agora reinvento minha própria carência e incompetência de redação. Pois eis aqui um texto sobre a falta de texto. Que sua leitura não seja sem gosto, pois que é sincero o drama. Ou não seria dramático ter um infinito mar adiante e não poder navegá-lo? Ter a sede das palavras e não poder saciá-la?

 

  1. Tenho a tendência de achar que os mais belos textos se escrevem no limite do dizível, na rendição completa. Ouvimos neles o eco sincero de uma escrita que não saiu sem alguma angústia, sem alguma dor. Se a escrita, por ser ato criador, torna-nos divinos, a ausência do que dizer, mas que ainda diz, revela-nos plenamente humanos. Parabéns pelo texto!

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