Cada vez mais múltiplo, o universo dos cursos online agora também abarca missões. Como objetivo de conectar e equipar agências, missionários (ou ainda candidatos à missão) e igrejas que enviam, o Crosswired surge como uma opção para quem compreende a língua inglesa e quer estudar assuntos da área. A plataforma visa fortalecer, orientar e animar os participantes. As disciplinas oferecem leituras, mensagens gravadas, vídeos e interação.

Entre as 27 matérias online há temas como, por exemplo, segurança de crianças, budismo no sudeste asiático e princípios do discipulado. A missionária brasileira Tonica van der Meer, por exemplo, preparou o curso de reflexões bíblicas e atuais sobre o sofrimento no ministério. As matérias são gratuitas, mas o site precisa de doações para sua manutenção.

A plataforma foi criada pelo Khalibre, uma organização de negócios em missões (conhecido em inglês como BAM – “business as mission”) na área de tecnologia da informação (TI). Com a equipe originalmente de Cingapura e do Cambódia, profissionais de todo o mundo também colaboraram com o Crosswired. Assim, os cursos conectam as pessoas mais experientes com os interessados ao redor do globo. Saiba mais em https://www.crosswired.com.

Por Alan Pallister *

No mês de junho do ano passado, a minha esposa e eu tivemos o privilégio de conhecer dois jovens nepaleses que, na altura, estavam a viver bem perto de nós, no centro de Portugal. Assim, descobrimos uma plantação de morangos que não conhecíamos. Ela tinha sido criada perto da aldeia mais próxima de nós. Nela, a maior parte da mão de obra era de nepaleses. Esse trabalho é extremamente duro – sendo os jovens obrigados a apanhar a fruta com as costas dobradas todo o dia. Apesar do desemprego reinante em Portugal, poucos portugueses aceitam trabalho desse tipo.

Chamam-se Ashik e Suman e têm cerca de 24 anos. São crentes evangélicos que saíram do seu país, após os terremotos de abril e maio de 2015. Fazem parte agora de uma nova igreja nepalesa em Lisboa, que reúne aproximadamente 50 crentes nos domingos de manhã. Acontece que o trabalho que a maior parte dos imigrantes nepaleses conseguem é na restauração: e obrigatoriamente têm que trabalhar aos domingos, assim sendo impedidos de participar nos cultos. Alguns responsáveis da sua igreja acolhem os crentes em casa nos seus dias de folga, e assim eles podem receber o apoio e estímulo que precisam da Palavra para crescerem na fé.

Atualmente Nepal, dominado pelo hinduísmo e agora, politicamente, por governos maoistas e marxistas-leninistas, parece ser um dos países com a taxa de crescimento de evangélicos mais rápida em todo o mundo. Catmandu e seus arredores , perto do Monte Evereste, foram assolados pelos terremotos, poucos edifícios ficando em pé. Suman afirma que seu motivo principal por estar aqui (depois de ter passado pela Polônia, onde não foi possível permanecer) é ganhar recursos financeiros para ajudar a família na reconstrução de sua casa. Os passos necessários para a legalização deles aqui são lentos e difíceis, mas eles persistem, apesar de se defrontarem com alguns oportunistas que, pretendendo ajudar com sua documentação, cobram valores exorbitantes pelos seus serviços.

Suman e Ashik (e agora conhecemos também Shanti, namorada do Ashik) são humildes e trabalhadores. Durante um tempo no verão, Suman ajudou em trabalhos práticos no centro que dirigimos (inspirado pelo modelo dos centros L’Abri), enquanto não arranjasse novo emprego na restauração. Eles abordam a fé de uma forma marcadamente pentecostal, afirmando que, no seu país, é por haver milagres frequentes que as pessoas são atraídas para o conhecimento da salvação em Jesus.

Numa época em que a problemática dos refugiados e imigrantes está constantemente nas notícias em todo o mundo, poucos falam acerca de nepaleses. Também há poucos que comentam o extraordinário crescimento do evangelho entre eles, dentro e fora de Nepal. Alegramo-nos com a maneira como o nosso Deus soberano faz brotar a sua vida, mesmo em terras aparentemente tão hostis. De facto, mesmo dos escombros de dois terremotos em Catmandu, Deus hoje está a manifestar o seu poder, e inclusive em Portugal vemos as repercussões disso.

*Alan Pallister é um inglês que há muitos anos está servindo com sua esposa portuguesa em Portugal. É possível ler mais textos dele em http://christianivox.wixsite.com/christianivox/alan-home .

Na semana passada diversos relatos de sequestros ligados com iniciativas de desenvolvimento social ou com religião foram divulgados. Conheça dois casos abaixo e não deixe de interceder.

Uma profissional de uma ONG no Oriente Médio

No sábado, 20 de maio, homens armados invadiram uma residência em Cabul, no Afeganistão, mataram uma alemã e um afegão e sequestraram uma finlandesa, de acordo com o porta-voz do Ministério do Interior, Najib Danish, em reportagem do G1. Ambas mulheres trabalhavam na ONG Operation Mercy, a finlandesa iria apenas começar seu trabalho. Há mais informações no site da ONG, que trabalha com iniciativas de desenvolvimento na Ásia Central, Oriente Médio e Norte da África. Em Cabul, buscavam reduzir a mortalidade infantil e levar educação às mulheres.

Um padre no Sul Asiático

Na terça-feira, 23 de maio, nas Filipinas, um grupo ligado ao Estado Islâmico ocupou a cidade de Marawi, decapitou o chefe da polícia local e sequestrou um padre católico, Teresito “Chito” Suganob, e também alguns fiéis e trabalhadores da catedral. A Filipinas é um dos países com mais cristãos da Ásia, grande parte católica.

O ataque fez com que o país decretasse estado de emergência, de acordo com o presidente Rodrigo Duterte, que declarou lei marcial por 60 dias na região. As notícias são da revista Time, do jornal The Guardian. De acordo com a CNN local, a Conferência de Bispos Católicos do país confirmou o sequestro.

Em abril deste ano, durante o Vocare 2017, foi lançada a Bluefields Development, uma aceleradora de negócios brasileira com um propósito diferente. A empresa já conta com duas start-ups residentes: Bab Sharki e Reflex. Com o objetivo de impulsionar start-ups que queiram “empreender para transformar vidas”, de acordo com o lema da empresa, a Bluefields lançou também um edital para seu programa de aceleração “The Big BaM!”. As inscrições acabam de ser prorrogadas até o dia 23 de junho! De acordo com a empresa, serão quatro meses, de agosto a dezembro, de trabalho e desenvolvimento do negócio. Quem tem interesse, pode acessar o site e inscrever lá o projeto.

Além do edital, a aceleradora anunciou recentemente um acordo com Goizueta Business School, a escola de negócios da universidade Emory, dos Estados Unidos. Os empreendedores dos projetos inscritos no programa de aceleração concorrerão, junto com os demais profissionais de outras aceleradoras parceiras, a quatro bolsas no valor de US$ 4 mil cada. Com este acordo, conta a Bluefields, eles agora têm “acesso às melhores práticas de aceleradoras ao redor do mundo e à base de dados para poder cooperar cada vez melhor com os seus empreendedores”.

Entre os dias 20 e 24 de julho, a cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM) receberá o Congresso Regional do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas), cujo objetivo é promover o Reino de Deus entre os povos indígenas. Os organizadores esperam 1500 participantes no Acampamento Vale de Bênçãos, porém a igreja que está preparando a recepção possui apenas 80 pessoas.

Conplei de 2016

Por isso, os missionários André e Marcelle Aureliano, que estão envolvidos na preparação do congresso, escreveram em seu informativo: “Temos feito nosso melhor e confiamos que Deus fará aquilo que não temos condições de realizar sozinhos”. Em sua carta, eles pedem oração pelo trabalho.

Um dos focos será ações de evangelização entre os povos não alcançados. A região em que estão, o Alto Rio Negro, é uma das áreas com maior concentração de povos com línguas e culturas diferentes: são 23 ao todo, 16 dos quais ainda permanecem não alcançados. Os desafios, portanto, vão muito além da organização do evento. Vamos interceder por eles?

Eles pedem oração:
– Pela presença dos povos não alcançados no congresso;
– Por proteção nos trabalhos de preparação do acampamento;
– Por proteção nas viagens dos participantes;
– Por recursos financeiros para alimentação e infraestrutura;
– Pelos preletores;
– Pela liderança.

Como pregar o evangelho de forma criativa em uma nação fechada? Para o ministério Elam uma das respostas a essa pergunta foi surpreendente: um programa televisivo infantil que, além de atingir um público pouco alcançado, as crianças do Irã, acaba de ser redesenhado. Chamado “Jardim da Amizade” (Baghe Dusti), o show é divertido e fala de Jesus e da Bíblia em linguagem lúdica.

Mas a iniciativa também tem impactado adultos. Em informativo, o ministério contou da professora de uma escola infantil, Golnoush (nome fictício por segurança), que usa o programa para ensinar à sua classe sobre Jesus e escreveu pedindo Bíblias. Ao ver o endereço para onde foram enviadas, uma das atrizes se alegrou e contou: há alguns anos, ela passava por aquela rua e orava para que surgisse alguém para testemunhar a Cristo naquela comunidade.

Ficou curioso? Veja mais sobre o programa no vídeo abaixo:

Conheça mais
Elam é um ministério fundado em 1990 para fortalecer a igreja no Irã através do treinamento dos líderes, o fornecimento de recursos para evangelismo e discipulado, e a divulgação do evangelho via evangelistas, plantadores de igrejas e mídia. Isso mesmo – eles usam a televisão e a internet para para alcançar as casas do país. No último informativo, relatam que mais de 80 líderes foram treinados em janeiro, cerca de 50 mulheres participaram de um conferência e mais de 200 cristãos iranianos e afegãos de famílias tradicionais foram batizados num país da região.

A Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) está organizando o Congresso Brasileiro de Missões de 2017, que acontecerá entre os dias 23 e 27 de outubro. Na oitava edição, o evento acontece a cada três anos e reúne entre 1500 e 2000 participantes de acordo com a organização.

http://www.amtb.org.br/cbm-2017/O tema desta vez será “Realidades que não podemos ignorar” e o evento acontecerá no Hotel Monte Real Resort, em Águas de Lindóia. A edição deste ano ainda celebrará os 35 anos de fundação da AMTB. As inscrições custam a partir de R$ 200, sem hospedagem, mas há opções que incluem a reserva no hotel.

Dentre os preletores, estão os estrangeiros Michael Goheen, que fala de igreja missional, Patrick Lai, especialista em Business as Mission, e Ron Boyd-Macmillan, que trabalha a temática da igreja perseguida e refugiados. Já entre os brasileiros o congresso contará com Ronaldo Lidório, Hernandes dias Lopes, Dagnaldo Pinheiro Vale, Cassiano Luz, Aurivan Marinho e Flávio Ramos.

Confira mais informações, como a programação, no site, onde também é possível fazer sua inscrição.

A cidade de Pyongyang. Crédito: Jen Morgan/CC BY-ND 2.0 ( https://www.flickr.com/photos/momocita/6822805138/ )

Desde o início do ano, a tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos tem crescido com a recusa do país asiático em parar com seus testes de lançamentos de míssil (leia aqui o que se sabe das bombas deles) e o aumento da pressão por parte do governo americano. A Coreia do Norte inclusive publicou um vídeo em que se vangloria de sua força militar e ameaça explodir a Casa Branca e o Capitólio (veja mais aqui), no fim de abril prendeu um americano que tinha ido dar aulas de contabilidade, em maio prendeu outro professor e neste domingo lançou mais um míssil (saiba mais aquiaqui e aqui). Recentemente, a Câmara dos Estados Unidos respondeu aprovando sanções financeiras contra o país. Já o diplomata brasileiro que viveu lá Roberto Colin acha que a sanção não prejudicará o governo e que a escalada de tensão é estratégica (leia a entrevista da DW com ele aqui). Enquanto isso, a tensão segue crescendo…

Mas o que você sabe sobre a Coreia do Norte? Hoje um estado totalitário, no qual seus cidadãos não possuem acesso à internet e não podem fazer ligações internacionais, além de serem ensinados a adorarem apenas o líder Kim Jong-um. Mas a capital Pyongyang já foi a “Jerusalém do Leste”!

Territórios das missões protestantes na Coreia. Crédito: Antoinette McCune Bement.

Territórios das missões protestantes na Coreia. Crédito: Antoinette McCune Bement.

O portal Atlas Obscura, que busca contar histórias de lugares pouco conhecidos, conta que, antes da 2ª Guerra Mundial, diversos missionários cristãos viveram lá. “Os cristãos receberam permissão oficial do rei da Coreia para espalharem a religião em 1884 e, no fim do século, presbiterianos estadunidenses, canadenses e australianos e metodistas dos Estados Unidos tinham aberto missões de Pusan, no sul, até o rio Yalu, no norte”, conta o artigo.

Pyongyang tornou-se o centro da igreja presbiteriana na Ásia e sua região tinha a maior densidade de cristãos de toda a Coreia. Nas primeiras décadas do século XX, os americanos na capital somavam mais de 200 entre pastores, professores e médicos. “Eles viveram e trabalharam no mesmo terreno onde hoje estão os principais marcos do regime norte-coreano. O local mais familiar de Pyongyang, a praça Kim Il Sung, conhecida (…) como o local das paradas militares (…) costumava ser o local das casas dos missionários americanos e ser usado para eventos das igrejas.” Leia o artigo (em inglês) para saber mais essas histórias.

Os missionários deixaram o país lentamente até o conflito entre os Estados Unidos e o Japão estourar na 2ª Guerra Mundial. Na década de 1950, a Coreia do Norte entrou em guerra com a do Sul, e até hoje não há um tratado de paz. Na época, a União Soviética apoiou a porção do norte, que hoje se diz comunista, e os Estados Unidos apoiaram a Coreia do Sul. Desde então, os países vivem em tensão.

Hoje em dia, no entanto, alguns americanos voltaram à Coreia do Norte para estabelecer a Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang (PUST, em inglês), financiada em grande parte por recursos do ocidente. De acordo com a BBC, o fundador, Dr. James Chin-Kyung Kim, um cristão coreano-americano, foi convidado pelo regime a partir de um modelo similar que ele havia implantado na China. Era lá onde Tony Kim e Kim Hak Song, os americanos presos recentemente, estavam lecionando. Os filhos de alguns dos líderes da nação, escolhidos a dedo, frequentam a universidade para receberem uma educação ocidental e modernizarem o país. Confira mais na reportagem em inglês.

Recentemente, a universidade anunciou que está com vagas abertas para profissionais estrangeiros, como professores das áreas de agricultura e ciências da vida, intrutores de chinês e inglês, além de assistentes administrativos. Confira no site da instituição.

A cidade de Pyongyang. Crédito: Jen Morgan/CC BY-ND 2.0 ( https://www.flickr.com/photos/momocita/6822805138/ )

A cidade de Pyongyang. Crédito: Jen Morgan/CC BY-ND 2.0 ( https://www.flickr.com/photos/momocita/6822805138/ )

Ir para o outro lado do mundo servir as pessoas já é um chamado desafiador. Imagina só ir para servir pessoas que não são de lá, verdadeiras missões transculturais em todos os sentidos. Karis Andrea fez isto. Ela deixou o Brasil e foi trabalhar no Sudeste da Ásia com refugiados e deslocados, especialmente as crianças, gente que deixou sua nação por diversos motivos e busca abrigo em outro lugar.

A distância entre uma brasileira e refugiados na Ásia pode parecer grande, mas a identidade de “deslocados” e, especialmente, o chamado fazem a ponte entre ambos para que o amor de Deus acolha essas pessoas. Karis Andrea compartilhou sobre seu trabalho com o blog Caminhos da Missão, confira a entrevista:

Qual é o trabalho que você tem desenvolvido?
Trabalho com pessoas sem localidade, pessoas deslocadas, especialmente pedindo refúgio para ONU por terem fugido de perseguição religiosa em seus países de origem. Faço acompanhamento pastoral para as famílias e facilitação de programas informais de educação para crianças sem acesso à escola.

Por que ir para a Ásia para trabalhar com refugiados?
Vim para Ásia trabalhar com povos não alcançados servindo através de Proteção à Criança numa região do mundo com um dos maiores números de crianças vítimas de tráfico humano. Depois de morar um ano aqui, conheci a situação das crianças refugiadas. Foi quando eu estava orando a Deus se deveria permanecer mais um ano ou voltar ao Brasil, e percebi natural e claramente Deus me guiando para ficar. Sou apaixonada por povos não alcançados. Pelo desafio de compartilhar o Amor com quem ainda não ouviu. E, paralelo a isso, tenho a paixão de servir à igreja perseguida e crianças que sofrem. Esses chamados primeiro foram respondidos através da oração. Passei anos orando e nem pensava que viria até aqui. Mas graciosamente houve um tempo que o Pai me convidou a não apenas orar, como vir!

Quando você decidiu trabalhar com missões transculturais, você pensava no país ou já pensava no grupo (refugiados)?
Quando decidi, eu sabia que era Ásia e com pouco tempo de oração e pesquisa entendi que era o Sudeste da Ásia. Lugar que amo! E sempre soube que era com as crianças. Mas também com os vulneráveis, os que sofrem, as mulheres e meninas. Sei que Deus guia a minha vida para esses grupos.

Quais as dificuldades mais constantes de trabalhar com este grupo?
Particularmente é um grande desafio trabalhar com refugiados. É uma agenda de Deus para esse tempo da história. Porém, há muita vulnerabilidade, eles estão totalmente desprovidos, falando uma nova língua, em um novo país. Muito carentes de afeto e de quem se importe com eles, quem os acolha e atue com “advocacy” defendendo a causa deles.

Você vivenciou ou presenciou alguma história que te fez encher de esperança?
Sim!! É um trabalho difícil, mas há muita esperança, que o próprio Deus planta. Eles são cheios de fé e esperança no meio de tanto desespero! Uma adolescente congolesa de 17 anos de idade chegou aqui só falando francês e fez um curso de inglês com a ONU. Logo depois, foi estudar numa escola do governo onde apenas falavam thai. Durante três meses ela não sabia nada, nem sequer como perguntar onde era o banheiro. Durante seis meses ela não entendia nada do que os professores ou colegas falavam, e durante um ano ela não podia escrever ou ler thai. Mas no segundo ano, ela já era apta e hoje é fluente em tailandês, uma das línguas mais difíceis do mundo, assim como fluente em inglês. Ela e a família tem uma resiliência e fé que poucas vezes vi. Neste momento, essa mocinha está dando aula de inglês por Skype para amigos meus (no Brasil – uma maneira de contribuir financeiramente com ela) e me ensina tailandês informalmente também. Já vivenciei milagres de Deus abrir portas para uma outra família congolesa ir embora quando a mãe estava prestes a morrer, muito doente. Foi um milagre de Deus. Tenho histórias bonitas no meu coração que nos enchem de esperança, de resiliência para essas pessoas, essas crianças! O nome do nosso projeto é “Graça na Vulnerabilidade”. Há muita graça na vulnerabilidade!!

Quais as maiores necessidades desse grupo?
Eles não podem trabalhar aqui no país, são ilegais. Não tem dinheiro para pagar aluguel, vivem de total doação, incluindo alimentos. Algumas crianças conseguem ir para a escola ou ter acesso à educação, mas a maioria não. Temos pessoas presas no Centro de Detenção dos Imigrantes. Eles são inclusive cristãos e líderes das igrejas cristãs nos países de origem. Uma situação muito pesada, muito triste. Eles não estão numa fase de readaptação da vida, estão numa fase de transição, porém sem saber quanto tempo e se a outra fase chegará.

Ser estrangeira aí te ajuda a conectar com os refugiados de alguma forma?
Sim, ser estrangeira, ter vivido alguns sentimentos comuns a quem está fora de sua pátria, onde facilmente tudo é estranho, diferente, inclusive ter que falar outra língua que não é a minha, assim como eles, contribui para a conexão, empatia, para que eu saiba um pouquinho o que sentem e para que eles tenham confiança em mim. Não é o principal, acredito que uma pessoa nacional (nativa), assim como os estrangeiros que não passam em grande escala o desafio da vida fora, possam se conectar bem com eles também, pois o chamado de Deus é que deve ser o primeiro propulsor para essa conexão. Mas minha história de “displaced person” (“pessoa deslocada”, em inglês) ajuda, sim, na conexão com essas outras “displaced persons”.

Como você se conecta com eles?
Visito suas casas, como com eles suas comidas (preparadas por eles quando vou visitá-los), visito o presídio toda semana, oferecemos estudo bíblico, oração, aconselhamento. Abraço, sorrio, ouço com atenção. Frequentamos a igreja juntos, apresento meus amigos e às vezes levo amigos em suas casas (com autorização) para que possam ter novos amigos, falar de outras histórias, ver que tem gente que se importa com eles. Eles usam internet e comunicamos por aplicativos e redes sociais para falar também durante os outros dias da semana. A igreja oferece alguns passeios e doações, tivemos uma oficina de música para as crianças. No Natal, oferecemos um almoço com comida boa, fruto de ofertas do Brasil!

Quais as maiores necessidades de oração que você e o grupo com o qual você trabalha têm?
Oração por graça, sabedoria, resiliência. Que eles se sintam amados e percebam o valor que têm. Por suprimentos através de doações e oportunidades para que eles estudem e produzam algo do seu próprio trabalho (informal, como por exemplo cozinhar comida de seus países para vender) para que se sintam úteis, produtivos, e que Deus abra as portas para que consigam o que precisam especialmente para pagar o aluguel. Para que cada pessoa possa sentir paz, amor e cuidado de Deus apesar da situação inóspita que passa neste momento. E para que Deus use nossa vida como mensageiros.

A liberdade religiosa pode estar em declínio de acordo com índice publicado em abril pelo centro de pesquisa Pew, dos Estados Unidos, conforme divulgado no portal da revista The Economist. Em sua publicação, o “think-tank” (organização que produz e difunde conhecimentos estratégicos) não avaliou somente as leis, mas também os relatórios de governos e grupos de direitos humanos. Com isso, não são apenas as restrições oficiais como também a hostilidade do público geral que são levados em conta.

E o resultado, que compila dados de 2015, não é bom. Os níveis “alto” e “muito alto” são observados em um quarto das 198 nações avaliadas – a nível governamental em 25% e a nível social 27%, totalizando 40% dentre todos os países. E mais: a situação está agravando. Tanto governos quanto indicadores sociais mostram que a liberdade religiosa deteriorou pela primeira vez em três anos.

No Oriente Médio e Norte da África, 95% dos governos envolvem-se na perseguição e no uso de força contra os grupos religiosos. Já nos países europeus, inclusive nas democracias mais tradicionais, registrou-se mais de 200 casos de restrições governamentais.

Das hostilidades do público geral pode-se perceber o crescimento de conflito físico em países como Índia e, inclusive, 17 nações europeias, onde foram registrados casos de violência praticada por grupos (“mob violence”, em inglês).

Para mais informações, acesso o relatório no site da instituição.