Por Elena Mambrini*

Nos últimos anos, o  sistema carcerário brasileiro vem revelando problemas estruturais bastante complicados de serem enfrentados. Frente a esse contexto, ações comprometidas a minimizar os efeitos de uma estrutura precária e de uma cultura carcerária que oprime homens e mulheres e também voltadas para a diminuição do número de mortes são essenciais.

Buscando diminuir o espaço entre a população em situação de cárcere e a comunidade evangélica, a organização internacional Tearfund, o Conselho de Pastores e o Conselho da Comunidade de Contagem (MG) organizam o I Seminário Igreja e Sistema Carcerário, que acontecerá no dia 5 de setembro, na Igreja Evangélica Vida & Paz, na cidade de Contagem. Pessoas envolvidas com capelania prisional, líderes de igrejas evangélicas e outros comprometidos com o sistema serão bem-vindos. O evento não tem custo e as inscrições podem ser feitas aqui. Para mais informações, entre em contato com a organização pelo e-mail contato@tearfundbrasil.org.

*Elena é estudante de Educomunicação e está voluntária e gentilmente colaborando com o blog Caminhos da Missão. Obrigada, Elena!

Globo na região do Oriente Médio

O autor do texto é uma pessoa anônima que trabalha entre refugiados no Oriente Médio

As histórias dos refugiados são as mais terríveis e tristes. Cicatrizes dolorosas que vão ficar para o resto das suas vidas. Seguem abaixo duas dessas histórias de cortar o coração.

A primeira é de um homem que perdeu toda a sua família na guerra na Síria. Ele que era de classe alta no país e gozava de privilégios de poucos. Preso pelos terroristas viu sua família ser morta por eles, um a um. Primeiro sua esposa, depois seus três filhos. Ele foi torturado até quando os terroristas o deram como morto. Seu corpo foi jogado em um container de lixo. Um lixeiro o encontrou e percebeu que ele ainda estava com vida, apenas inconsciente. Ele foi levado para diversos lugares para tratamento e voltou à consciência depois de três meses.

Um ano já se passou desse o ocorrido e hoje ele vive sozinho com os movimentos do corpo atrapalhados devido às torturas. Suas mãos são totalmente tortas, a mente às vezes fica atrapalhada e sente muitas dores ainda em diversos órgãos internos do corpo. Conheceu a Jesus recentemente e vive hoje para Cristo somente. Ele testemunha em lágrimas tudo o que passou, principalmente vendo toda a sua família sendo morta. Ele disse que perdeu tudo, todos os seus bens, toda a sua família, mas o pior de todas essas dores é a dor da alma. Com alegria nos olhos, ele declara: “Mas Jesus tem curado todas as minhas feridas, principalmente as da alma”. Esse homem é um testemunho vivo e nunca se cala, sempre compartilha sua nova fé.

A outra história é de uma adolescente. Jovem de apenas 14 anos ficou nas mãos dos terroristas com toda a sua família por seis meses. Depois desse período os terroristas resolveram matar toda a família, mas de uma maneira diferente. Os prenderam em estacas e fizeram um fogo próximo deles, para que eles fossem cozinhando e morrendo aos poucos. Os terroristas fizeram fogo e os deixaram. Essa adolescente conseguiu se soltar da estaca, mas perdeu o equilíbrio e caiu no fogo. Em chamas no corpo ela tenta ajudar sua família, quando é vista por um terrorista que corre em sua direção. Ela então deixa sua família e, ainda com o corpo em chamas, corre desesperada. Recebeu ajuda de um senhora no caminho da fuga, que posteriormente a adotou.

Hoje ela vive com o trauma de ter perdido sua família, além das queimaduras em 80% do corpo. A senhora que a adotou é cristã e levou essa jovem a Cristo. Atualmente ela serve no socorro de outros refugiados, apesar das debilidades que tem em seu físico. Ela afirma: “A alegria do Senhor é a minha força diária”. Que Deus continue sustentando essa adolescente, que tem vivido sua fé para Cristo somente.

Leia também – Fluxo migratório de refugiados: ameaça ou oportunidade?

Escola em Burkina FasoO ano letivo de Burkina Faso, país no oeste da África, inicia em outubro. Por isso, os obreiros da ONG CAFI (Centro de Assistência e Formação Integral) precisam inscrever 50 crianças até o dia 15 de setembro para que tenham acesso à educação. Eles convidam a igreja brasileira a contribuir nesse desafio.

Inscrever cada criança na escola pelo período de um ano com todo o material (mochila, uniforme e chinelo) custa apenas R$ 215. Por isso eles estão convidando os brasileiros a contribuírem com a educação dos meninos dos Lares Novo Amanhecer e dos filhos dos obreiros do CAFI Burkina Faso. A conta para doação pode ser requerida através do e-mail cafiburkinafaso@gmail.com.

A ONG criada por brasileiros na Burkina Faso para a assistência a crianças e jovens em situação de risco social, especialmente os garibous, que são meninos confiados por seus pais islâmicos, que não têm como mantê-los financeiramente, a escolas corânicas e que são obrigados a mendigar para sobreviver. Informe-se em seu site.

Leia o relato do Congresso Regional do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas) que ocorreu em julho no Amazonas. Os autores trabalham com a pequena igreja indígena que recepcionou o evento.

Por André e Marcelle Aureliano

E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Atos 2:8

Em poucos lugares do planeta é possível ouvir tantas línguas diferentes ao mesmo tempo.  Indígenas e não indígenas de 20 povos falavam 15 línguas diferentes e se entendiam. Eram aproximadamente mil pessoas que dançavam, cantavam, comiam, riam, conversavam e, acima de tudo, buscavam conhecer a vontade de Deus para suas vidas. Assim foi o Congresso Regional do CONPLEI em julho de 2017 em São Gabriel da Cachoeira (AM). Durante quatro dias, tivemos uma amostra do que será o céu, onde pessoas de muitas línguas e nações reunidas adoram o Cordeiro Santo.

Lembro de chegar ao Acampamento Vale de Bênçãos na manhã do primeiro dia do evento e me perguntar quem havia preparado tudo aquilo. Apesar de muito simples estava tudo bem organizado e em todos lugares víamos pessoas alegres por estarem participando daquele momento. Meus olhos pareciam não acreditar e mais uma vez eu me perguntava como uma igreja tão pequena, com tão poucas pessoas (35 adultos) e tão pouco recurso foi capaz de organizar tudo aquilo. Nenhum mobilizador ou coordenador seria capaz de realizar aquilo tudo, a não ser por um milagre, uma intervenção de Deus. Essa era a única e suficiente resposta.

Deus havia derramado abundante e misericordiosa graça sobre nossas vidas. Durante os dois anos que transcorreram de preparação desde 2015 vimos muitos milagres. O milagre de transformar um local de cheio de buracos e mato em um habitável e agradável acampamento. O milagre de construir alojamentos suficientes para mil pessoas. O milagre de conseguir prover alimentação para os participantes durante os dias do evento. Muitos milagres e muitas manifestações tangíveis do agir de Deus. Não poucas vezes recebemos apoio de irmãos e comunidades próximas que voluntária e alegremente vinham para doar seu trabalho, força, energia e alegria para servir a Jesus.

No tempo de preparação vimos muitos livramentos. Acidentes sendo evitados, pessoas ficando adoentadas mas recuperando rapidamente a saúde e o vigor apesar da idade e da fadiga do trabalho. Testemunhamos e nos alegramos em ver indígenas e não indígenas, nacionais e estrangeiros, chorando, sorrindo e lançando as preciosas sementes. Recebemos inúmeras mensagens de apoio, orações, ofertas, encorajamentos e manifestações de carinho e comprometimento com a obra do Senhor Jesus e com o Senhor da obra. Alegria grande tem sido poder servir e gastar nossa existência em um projeto que vale a pena; estando no centro da vontade de Deus, ainda que esta vontade nos leve ao coração da maior floresta do planeta.

Lá testemunhamos e registramos aquilo que nossos sentidos puderam captar mas maior ainda é o nosso espanto e deslumbre ao pensar naquilo que por Deus foi realizado nos corações de cada um dos participantes. Ficamos sem palavras em pensar nas sementes que seguiram na alma de cada indígena e não indígena que ali esteve e que retornará para suas aldeias, comunidades e cidades com uma mensagem capaz de revolucionar e mudar para sempre a própria vida e a vida dos que os cercam. Será o tempo do avivamento na vida dos povos da região? Será o início de uma nova era na evangelização desses povos?

Os últimos dois dias foram marcadas pelo batismo de 14 pessoas e na última noite nos emocionamos ao partir o pão e tomar o vinho contextualizados com beiju e açaí, revelando a singeleza do evangelho que faz sentido em todas as culturas e expondo com graça e verdade que a missão de Deus veio para resgatar perdidos de todos os povos e restaurar sua comunhão, cultura e coração. Foi uma festa linda, o Senhor da festa nos abençoou com sua Palavra e nos desafiou a acertar o rumo e seguir proclamando essa mensagem a todos que nunca a ouviram. Encerrou-se então a sagrada liturgia com festa, danças, cânticos e expressões de louvor, adoração e comunhão de gente que saiu daquele lugar sendo mais gente, mais crente, mais servo e mais feliz.

A todos que fizeram parte disso, direta ou indiretamente, muito obrigado. Ao Senhor da obra e da missão seja a honra e a glória em todos os tempos e nações.

Artes para o Reino

Cartaz do curso Artes para o Reino

O Reino de Deus não tem um só tipo de arte! Para aprender a expressar essa diversidade, uma sugestão é o curso “Artes Para o Reino”, que ocorrerá entre os dias 3 e 8 de setembro na base da missão ALEM (Associação Linguística Evangélica Missionária), em Brasília (DF). O objetivo é fornecer ferramentas para missionários, plantadores de igrejas e obreiros transculturais conhecerem as artes da comunidade na qual trabalham para que, através delas, a comunidade venha se tornar mais parecida com o Reino de Deus.

O curso foi elaborado por missionários etnomusicólogos e envolvidos com etnodoxologia em seus ministérios ao redor do mundo. O livro Creating Local Arts Together: A Manual to Help Communities Reach Their Kingdom Goals  serve de base e será oferecido para cada participante. No evento, será apresentado o método “Criação Conjunta de Artes Locais” como um manual de pesquisa de etnoartes que qualquer pessoa pode colocar em prática (para mais informações veja aqui). Também será possível conhecer possibilidades de estudos futuros e oportunidades de contato com outros obreiros da mesma área.

Os professores serão Héber Negrão (ALEM/MEIB), Saulo Silva (Igreja Batista) e Meiry Bakairi (Centro AMI/CONPLEI). O custo será R$ 350,00 com hospedagem. Mais informações na página do curso ou via heber_negrao@wycliffe.org.br.

Leia mais sobre etnodoxologia neste texto publicado na Análise Global de Lausanne.

Entre os dias 18 e 21 de outubro a missão ALEF, que busca capacitar igrejas para atuarem como agentes de transformação, estará promovendo seu congresso na cidade de Natal (RN). O evento está em sua quinta edição e tem por objetivo promover capacitação, conectar e equipar pastores e líderes de igrejas. De acordo com o site, o congresso quer formar líderes “que anseiam trabalhar para o desenvolvimento de uma igreja saudável e relevante na sua comunidade”.

O tema do evento será “Redescobrindo o Evangelho”, numa referência aos 500 anos da reforma protestante e ao contexto atual de violência, apatia e injustiça. O congresso buscará abordar este duplo movimento de buscar a centralidade do evangelho com o olhar sensível aos desafios atuais no desenvolvimento da missão da igreja contemporânea.

Dentre os preletores há nomes como Michael W. Goheen, Sergio Queiroz, Analzira Nascimento, Ricardo Agreste e Leandro Silva, presidente da missão. O local será a Assembleia de Deus Bom Refúgio e a inscrição custa R$ 70. Confira mais informações no site do evento.

O mundo muçulmano pode ser uma grande incógnita para muitos cristãos. Buscando combater a desinformação e servir de ferramenta formativa, a agência missionária Sepal (Servindo aos Pastores e Líderes) possui em sua plataforma de ensino à distância o curso online “De Maomé ao Estado Islâmico”.

Com duração de 50 horas e garantia de certificado, o programa foi preparado por Marcos Amado, diretor do Martureo, centro de reflexão missiológica focado na formação dos missionários brasileiros. Amado também teve anos de experiência entre povos muçulmanos.

O curso possui vídeos, provas e textos e busca, a partir do conhecimento, transformar nossa realidade ministerial. Seu custo é de R$ 50. Mais informações podem ser adquiridas no site da plataforma. Além deste, entre os outros cursos oferecidos pelo site da Sepal há temas como vocacionados, discipulado e liderança. Não deixe de conferir também os artigos e cursos do Martureo, que abordam estudos orientais e budismo, entre outros assuntos.

Conheça a iniciativa de acolhimento de missionários da Igreja Batista do Bacacheri

 

Pelo Pr. Walter Azevedo

 

Eu, minha esposa (missionária Nair), e nossa filha (Naiara Azevedo) somos naturais do Rio de Janeiro e missionários no Rio Grande do Sul, na cidade de Sapiranga, desde de julho de 2008, plantando uma igreja multiplicadora.

Em nove anos de muito trabalho, foram milhares de quilômetros percorridos, não só em nossa cidade, como também em outras. Centenas de pessoas foram evangelizadas, destas, algumas dezenas foram batizadas e muitos líderes e discípulos formados, inúmeras ações evangelísticas e contatos com os moradores a fim de estabelecer relacionamentos discipuladores. Não foram poucos os momentos que as lágrimas escorreram em nossos rostos e passamos por muitas frustações, mas estamos cada vez mais motivados e convictos do chamado do nosso Senhor Jesus Cristo. Chego a dizer que estamos mais motivados do que quando chegamos há nove anos.

Obviamente, o corpo sente toda esta “pressão” e expectativa do campo. A solidão é uma companhia garantida, mesmo tendo a família próxima, para aqueles que atendem ao chamado missionário. Pela graça de Deus, todos os anos, temos a oportunidade de sermos abençoados pelo CRESCER Missionário, oferecido pela Igreja Batista do Bacacheri. São dias aguardados com muitas expectativas, temos dias de descanso, de refrigério e somos cuidados, ao invés de cuidar. Revemos os amigos missionários, conhecemos novos missionários, somos bem recebidos e acolhidos pelas famílias da igreja, somos alimentados espiritualmente e recarregamos as baterias para retornarmos ao campo missionário.

No primeiro dia, todos nós missionários fomos para um sítio. Fizemos caminhada ecológica, com ótima alimentação, banho de piscina com água aquecida, sauna e momento de descanso. Eu e minha esposa fomos muito bem recebidos e recepcionados pelo casal de hospedeiros: irmãos Jaques e Tatiana. A cada dia tínhamos uma surpresa por conta do casal. Ganhamos uma toalha de banho e rosto personalizadas com os nossos nomes. Ganhamos uma linda cesta de café da manhã. Sempre que saíamos para os eventos na igreja, a irmã Tatiana preparava um lanche para minha esposa. Fomos cercados de muito cuidado e carinho. Nossa gratidão ao Pr. Silvado, Pr. Natal, líderes e membros por esta visão em abençoar os missionários e suas famílias.

Com gratidão,

Pr. Walter Azevedo –

Coord. Plantação de Igrejas Multiplicadoras – JMN/CBB

Aprender sobre missões também pode ser divertido. O blog “Veredas Missionárias”, elaborado por Sammis Reachers há 10 anos, criou um jogo para celebrar o aniversário de uma década da publicação.

Chamado de Trilha Missionária, a iniciativa propõe acompanhar a carreira de um missionário do chamado, passando pelo campo transcultural, até a aposentadoria. O objetivo é ensinar e conscientizar jovens e adultos, mas com paciência nas explicações também pode ser usado com crianças.

A ferramenta é mais uma empreitada do blog que, de acordo com Reachers, objetiva “criar e disponibilizar, na medida do possível e sempre gratuitamente, recursos diversos de incentivo à conscientização, promoção e capacitação missionária”. O jogo pode ser baixado no site.

Por Antonia Leonora van der Meer

Dia a dia temos sido confrontados com notícias trágicas da fuga de inúmeros refugiados de guerra, procurando uma oportunidade para sobreviver na Europa, América do Norte ou mesmo no Brasil.

Tem havido reações muito negativas, temendo que no meio dessas vítimas haja um número significativo de elementos radicais que vão trazer problemas e ameaças. Infelizmente, aqui no Brasil, tem crescido entre os evangélicos manifestações muito preconceituosas em relação aos refugiados, aos árabes em geral e a todos os muçulmanos, vistos como povos extremamente violentos e ameaçadores.

Fico muito preocupada com essas reações. Imagino como Jesus avalia essa atitude. Ele ama pessoas de todos os povos, línguas, tribos e nações e nos enviou para levar-lhes a boa nova do seu amor. Não o fizemos no passado e não podemos fazê-lo com o coração cheio de preconceito.

Tenho recebido notícias incríveis de alguns países europeus onde igrejas estão crescendo e se reavivando com o grande fluxo de refugiados muito abertos e receptivos para o evangelho. Há batismo de centenas de uma vez em lugares públicos.

Em seis igrejas na Alemanha, no último ano, 1500 muçulmanos refugiados converteram e batizaram-se. Um pastor comentou: “Os íranianos são os mais abertos. Eles tomam a iniciativa de procurar as igrejas”.

Um pastor na Suécia comentou: “Em cada igreja que conheço na Suécia, em todo o lugar, há sírios, afegãos, iranianos e curdos vindo às igrejas e buscando conhecer a Jesus”.

Já um pastor dinamarquês disse: “Quando chegam à Dinamarca querem se conectar com uma igreja. Eles literalmente vêm, batem à porta e dizem: ‘Posso conhecer mais do Cristianismo? Posso conhecer mais de Jesus?’”

Como vamos encarar a vinda de refugiados muçulmanos ao Brasil? Como uma ameaça? Ou como uma oportunidade para a igreja lhes acolher, mostrar o amor de Jesus e deixar que Ele mesmo lhes mostre a verdade?