A Missão de Deus não é uma tarefa para heróis solitários. É essa a ideia do curso de Gestão de Missões em Igrejas Locais (GMIL), promovido pela Missão ALEM (Associação Linguística Evangélica Missionária), todo mês de janeiro em Brasília (DF). Nele, o foco é a criação, gestão e fortalecimento de conselhos ou grupos de missões dentro das igrejas locais, vistos como essenciais para a sustentação dos missionários nos campos e o engajamento de todo o povo de Deus na Sua obra.

De 14 a 26 de janeiro, os 45 alunos do curso vão expandir sua compreensão bíblica sobre missões e entrar em contato com estratégias para despertar a igreja e conquistar vocacionados, intercessores, contribuintes, mobilizadores e líderes.

O intensivão terá aulas ministradas por Célia Laranjo, Presidente do Conselho Missionário da 8ª Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte (MG); Verônica Farias, psicóloga integrante da equipe do Cuidado integral do Missionário da AMTB (Associação Missionária Transcultural Brasileira); Djalma Abulquerque, pastor de Missões e Pequenos Grupos da Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS); Rodrigo Tinoco, missionário pesquisador enviado pela Igreja Batista Central de Taguatinga (Brasília – DF) e voluntário em diversas instituições missionárias; e Felipe Fulanetto, Pastor e missionário pela Igreja do Nazareno, de Campinas (SP).

O investimento varia de R$ 625,00 a R$ 1.572,00, dependendo da contratação de hospedagem e da realização do curso Perspectivas Brasil, que é pré-requisito para o GMIL. A alimentação já está inclusa em todos os planos. Para saber mais, clique aqui e acesse o site. As inscrições podem ser feitas até 10 de janeiro de 2019.

Texto originalmente publicado por Análise Global de LausanneReproduzido com permissão.

Por Tehmina Arora*

Na região do Sul asiático, a religião é um componente importante da identidade de uma pessoa. À luz da sua história de colonialismo e diversidade de línguas e culturas, as identidades religiosas ali foram naturalmente reforçadas. No entanto, alguns grupos sociais e políticos manipularam-nas para mobilizar apoio. No passado recente, uma sobreposição crescente entre fundamentalismo religioso, nacionalismo e majoritarismo violentos incitou o aumento de violência e hostilidade contra minorias religiosas, especialmente cristãs. Por exemplo:

  • Na Índia de maioria hindu, os cristãos são rotineiramente atacados por multidões alegadamente indignadas com conversões religiosas «forçadas». Os muçulmanos também sofreram ataques violentos, incluindo linchamentos por vigilantes protetores de vacas sob o pretexto de eles que comiam bife ou estavam a levar o gado para abate.
  • No Bangladesh, comunidades budistas e hindus sofreram ataques violentos às mãos de multidões alegando fidelidade ao Islã. Os homicídios recentes de bloggers e ateus também são prova da hostilidade crescente contra não-muçulmanos.
  • No Sri Lanka, monges budistas lideraram a acusação contra cristãos evangélicos e muçulmanos e fizeram pressão a favor de rigorosas leis anti-conversão.[1]
  • No Paquistão, hindus, cristãos e até seitas muçulmanas minoritárias como os ahmadis e os xiitas são alvo de ataques violentos e falsas acusações sob a lei da blasfêmia no país.

O aumento da violência resultou em insegurança e perda de vidas e de bens. Também resultou no aumento de restrições governamentais sobre a vida religiosa. Isto porque os governos aproveitam frequentemente a existência de conflitos sociais para restringir a vida religiosa em geral através de uma maior regulamentação de como as comunidades religiosas se podem encontrar, como recebem fundos, e até como praticam as suas crenças religiosas. Por exemplo, a violência de hindus nacionalistas contra cristãos na Índia resultou repetidamente na promulgação de leis anti-conversão por parte do governo, leis que só vão restringir cada vez mais os direitos dos cristãos.[2]

Fatores alimentando a violência com motivação religiosa

Os principais fatores alimentando a violência com motivos religiosos são uma cultura de impunidade que permite que as multidões violentas escapem sem repreensão, a propaganda contra minorias religiosas, e a incapacidade de forjar identidades comuns entre cidadãos:

1. Fraco Estado de Direito e a Cultura de Impunidade

O «Rule of Law Index 2017» produzido pelo World Justice Project analisou 113 países em 44 indicadores como limitação do poder governamental, ausência de corrupção e defesa de direitos fundamentais, justiça civil, etc. A maior parte do Sul asiático encontra-se entre o 60.º e o 100.º lugares. O Nepal foi o melhor classificado da região, em 58.º lugar. Estes rankings fracos refletem uma deterioração e abrandamento do sistema judicial que alimenta uma cultura de impunidade em relação à violência de multidões e excessos do estado.

World Justice Project The Rule of Law Index 2017

World Justice Project The Rule of Law Index 2017

Por exemplo, na Índia, de acordo com relatórios coligidos pelo United Christian Forum, ocorreram mais de 250 incidentes de violência contra cristãos em 2017; contudo, apenas em 23 dos casos se apresentou um 1.º Relatório de Informação (FIR) ou uma queixa criminal. De acordo com uma declaração do Governo ao Parlamento em fevereiro de 2017,[3] nos últimos três anos, mais de 278 pessoas foram mortas e mais de 6500 feridas por causa de violência comunitária. Houve mais de 2000 ‘incidentes comunitários’ por todo o país, mas poucas acusações e ainda menos condenações.

Num julgamento de 2016 [4] no WP (Civil) 76/2009 com referência à violência comunitária horrível e generalizada contra cristãos em 2008, que resultou em cerca de 100 mortes e na deslocação de mais de 50 000 pessoas no estado indiano oriental de Orissa, o Supremo Tribunal da Índia observou:

O depoimento escrito apresentado em nome do Estado a 01.03.2013 revela que, dos 827 casos registados, 512 casos resultaram em apresentação de queixa, enquanto que 315 casos resultaram na apresentação de relatórios finais. Por outras palavras, em 315 casos, ou não se achou ter havido crime, ou os criminosos não foram encontrados. Uma proporção tão grande é bastante perturbadora. O Estado faria bem em olhar para estes 315 casos e garantir que os criminosos são investigados. Da mesma forma, dos 362 processos completos, apenas 78 resultaram em condenação, o que, novamente, é preocupante.

Quando combinados com um baixo nível de habilitações, corrupção e pobreza, sistemas judiciais fracos mostram-se instrumentais na criação de uma cultura onde o nacionalismo religioso violento consegue operar com impunidade. As multidões sabem que podem escapar impunes com violência.

2. Majoritarismo e Propaganda contra Minorias Religiosas

O nacionalismo religioso é extremamente problemático quando a religião maioritária o usa para criar uma distinção clara entre a maioria e a minoria:

  • Aprendemos que ‘eles’ são diferentes de ‘nós’. Aprendemos que as aspirações ‘deles’ prejudicam as ‘nossas’. Os muros são rapidamente erigidos e tornam-se difíceis de derrubar.
  • Rapidamente, os estereótipos cristalizam e nós tornamo-nos preconceituosos. «Os muçulmanos são assim», «os cristãos são assim», «os grupos pentecostais fazem sempre isto», «os católicos nunca fazem isso», «a cultura deles é diferente», e assim por diante.

Na Índia, o material de literatura e propaganda, muitas vezes no vernáculo e difundido pelas redes sociais, cria mitos tanto acerca de cristãos como de muçulmanos, as duas comunidades minoritárias a ser atacadas no país. Os mitos, repetidos com frequência, ganharam agora uma aparência de verdade e são ecoados até pelos membros das próprias minorias.

A alegação mais comum contra cristãos na Índia é que eles praticam conversão anti-ética e forçada. De acordo com rumores, os cristãos dão largas somas de dinheiro e outros incentivos para converter pessoas. Como resposta, várias províncias na Índia promulgaram legislação para assegurar que a conversão forçada ou conversão por incentivos é uma ofensa punível.[5] ontudo, apesar da promulgação destas leis desde o final da década de 1960, elas produziram apenas uma condenação. Além disto, a Índia tem agora leis muito restritas que regulamentam como fundos estrangeiros podem entrar no país e como podem ser usados.

Contudo, a propaganda contra cristãos continua forte, e alimenta um sentido de desconfiança de cristãos na Índia. Esta é, infelizmente, a experiência de cristãos em muitas partes do mundo,[6] especialmente na região do Sul asiático. A propaganda estabelece os alicerces da violência e hostilidade ao criar um ‘outro’ diferente de nós.

3. A Incapacidade de Forjar Identidades Comuns

Muitas vezes, grupos nacionalistas religiosos focam-se apenas num aspecto da identidade de uma pessoa ou grupo. Isto cria uma divisão entre comunidades, sendo realçadas as diferenças em vez das semelhanças. Até a língua e a cultura, que deviam ajudar a unir pessoas e ajudar ideias a fluir, se tornam um ponto de discórdia.

Identity and Violence: The Illusion of Destiny

Na verdade, ninguém tem apenas uma identidade. Somos seres complexos com uma variedade de interesses. O vencedor do Prêmio Nobel e famoso autor Amartya Sen escreve no seu livro,, Identity and Violence: The Illusion of Destiny:[7]

No nosso dia-a-dia, vemo-nos como membros de uma variedade de grupos — pertencemos a todos deles. A nossa cidadania, residência, origem geográfica, gênero, classe, política, profissão, emprego, hábitos alimentares, interesses de esporte, gostos musicais, compromissos sociais, etc., fazem de nós membros de uma variedade de grupos. Cada uma destas coletividades, a todas as quais a pessoa pertence simultaneamente, dão-lhe uma identidade particular. Nenhuma destas pode ser confundida com toda a identidade ou única categoria de pertença grupal da pessoa.

Os grupos nacionalistas religiosos tendem a reduzir as nossas identidades a apenas identidades religiosas, isolando assim minorias e atacando-as com sucesso.

Como devemos responder?

Como devem os cristãos agir perante esta violência e hostilidade crescentes? Com base na experiência aqui na Índia, eu gostaria de oferecer algumas sugestões para enfrentar estes 3 fatores que as alimentam:

1. Trabalhar para fortalecer o Estado de direito

a. Literacia jurídica: A igreja e outros grupos de sociedade civil devem comprometer-se a fortalecer o Estado de direito ajudando comunidades a compreender melhor os processos legais e os sistemas básicos de direitos humanos. As comunidades podem tornar-se mais resilientes perante o extremismo religioso violento ao perceberem como conseguir justiça para corrigir violações aos seus direitos humanos fundamentais tanto por intervenientes estatais como não-estatais.

b. Apoio Contencioso: Os sistemas jurídicos são lentos e complexos; e as vítimas muitas vezes precisam de ajuda para os navegar. É frequente casos não serem acompanhados e levados ao seu fim lógico no tribunal, porque as vítimas e testemunhas estão assustadas, vulneráveis e sozinhas. Os cristãos deveriam estar ao lado destas vítimas, permitindo-lhes levar os seus casos até ao fim providenciando apoio judiciário.

c. Apoio e defesa de mudanças políticas: Os cristãos devem continuar a criar oportunidades para minorias religiosas e outras comunidades vulneráveis participarem no apoio e defesa de mudanças políticas. Melhor proteção de direitos fundamentais, maior separação de poderes entre as diversas instituições do Estado, e maior transparência em todas elas são passos fundamentais no fortalecimento do Estado de Direito.

2. Responder à Propaganda

a. É imperativo que os cristãos e a sociedade civil confrontem as mentiras com a verdade dita de forma cativante. Uma forma de fazer isto é criar oportunidades para que as pessoas partilhem as suas próprias jornadas de fé.

b. Devem ser criadas oportunidades em escolas e universidades para ajudar crianças e jovens a compreender a cultura complexa de uma região. Nenhuma comunidade religiosa pode reivindicar a cultura de uma nação; isto é especialmente verdade no Sul asiático.

c. Os cristãos também devem, se necessário, iniciar ação judicial contra agências ou indivíduos que incitem violência contra minorias religiosas, preenchendo queixas na polícia.

3. Forjar Identidades Comuns

Para construir identidades comuns, as igrejas devem criar oportunidades para o corpo de Cristo trabalhar em eventos conjuntos com o público em geral sobre questões relacionadas com o bem comum. Demasiadas vezes, a política divisiva empurra grupos vulneráveis para o isolamento. Como minorias, os cristãos no Sul asiático devem resistir à tentação e em vez disso abraçar as suas identidades partilhadas mais amplas para criar novos relacionamentos. O Pacto de Lausanne lembra cada um de nós que «A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas».

Conclusão

Em resposta à sobreposição crescente entre identidades religiosas e nacionalistas, e à violência resultante contra minorias religiosas, a diversidade dentro de um corpo, e o amor e respeito pelos seus diferentes membros que a igreja global representa é um modelo único e importante num mundo em sofrimento. É imperativo que os cristãos continuem a viver isto. Os cristãos devem trabalhar para fortalecer o sistema judicial e ajudar a construir relações profundas e significativas na nossa vizinhança e sociedade em geral e com aqueles que são mais vulneráveis.

Notas finais

  1. Nota do editor: Ver artigo de Kamal Weekakoon, intitulado ‘Christianity in Sri Lanka: How we can learn from and support the church there,’ na edição de março de 2014 da Análise Global de Lausanne https://www.lausanne.org/content/lga/2014-03/christianity-in-sri-lanka-how-we-can-learn-from-and-support-the-church-there
  2. https://economictimes.indiatimes.com/news/politics-and-nation/bjp-chief-amit-shah-pitches-for-anti-conversion-law/articleshow/45584917.cms 
  3. http://164.100.47.190/loksabhaquestions/annex/11/AU849.pdf
  4. https://www.lausanne.org/wp-content/uploads/2018/04/Initiative-of-Justice-Judgment.pdf
  5. Nota do editor: Ver artigo de Tehmina Arora intitulado ‘The Spread of Anti-Conversion Laws from India: A threat to the religious freedom of minorities,’ na edição de maio de 2016 da Análise Global de Lausanne https://www.lausanne.org/content/lga/2016-05/anti-conversion-laws-india
  6. Nota do editor: Ver artigo de Thomas Harvey, intitulado ‘The State of Religious Persecution: The global rise of secular and religious restriction and their impact on missions,’ na edição de março de 2016 da Análise Global de Lausanne https://www.lausanne.org/content/lga/2016-03/state-and-religious-persecution 
  7. Amartya Sen, Identity and Violence: The Illusion of Destiny (UK: Penguin Random House, 2006).

*Tehmina Arora é uma advogada de direitos humanos a exercer em Deli. Ela trabalha como Consultor Sênior no Sul asiático para a ADF International e como Membro Sênior na Equipe de Ação do Sul e Sudeste asiático do Religious Freedom Institute.

Por Wesley Cunha, diretor nacional da Cru Campus

A experiência da igreja nos tem mostrado que um crescimento numérico de evangélicos em uma sociedade nem sempre se faz sentir em termos de transformação social na mesma proporção. Por que isso acontece?

Em setembro deste ano tive a oportunidade participar da excelente conferência Agora 2018, promovida pela Cru (Cruzada Estudantil), que reuniu pastores, líderes, missionários, universitários e profissionais de 32 países da América Latina e Caribe para pensar e compartilhar do tema “Multiplicação e transformação para as cidades”.

O congresso reuniu autoridades em cosmovisão cristã e missões, como Ronaldo Rodrigues (Chile), Ronaldo Lidório (Brasil), Bekele Shanko (Etiópia), entre outros. Nas oficinas, nos debruçamos sobre o tema, relacionando-o às áreas de influência onde Deus tem colocado cada um de nós. Foram mais de 60 oficinas, com nomes como Antônio Carlos Costa, Analzira Nascimento, Vishal Mangalwadi, entre muito outros.

Em pequenos grupos, chamados comunidades missionais, compartilhamos sonhos e desafios pessoais. Formam 150 comunidades, que se reuniram três vezes ao longo do congresso. Também tivemos um dia de missão urbana em cinco localidades da cidade, onde nos envolvemos nas mais diferentes ações, como a restauração de uma praça, evangelismo com esportes e atos públicos. Sempre em parceria com igrejas e organizações locais.

Eu fui com minha família para Copacabana, com outros cerca de 900 participantes, onde fizemos, juntamente com a Jocum Carioca, uma apresentação artística e uma exposição. Neste dia, houve muito evangelismo pessoal! Minhas filhas pequenas adoraram! Alias, por falar em crianças, os pequenos também tiveram seu próprio espaço no congresso e trabalharam os temas abordados na linguagem deles.

Pessoalmente, o evento foi uma oportunidade de ser inspirado por Deus e ver meus sonhos sendo renovados. Olhando para o lado, percebi que eu não fui o único. Tenho esperança de coisas novas vindo: soluções e novas realidades que foram semeadas pelo próprio Deus nos corações de todos que estiveram ali. Creio que este será o maior legado do Agora.

Que venham os frutos. Que venha o Reino.

Por Andréa Espírito Santo

Proteger as crianças de quê? A expressão “Proteção à Criança” pode ser usada para descrever o trabalho que as organizações realizam para proteger crianças e adolescentes do risco de todo tipo de abuso e a responsabilidade que uma organização tem de proteger as crianças com as quais seus membros têm contato. Parte desse trabalho e responsabilidade está em capacitar os adultos da organização para que mantenham uma conduta que diminua os riscos. Outra parte é habilitar as crianças a se protegerem, ensinando–as por meio de uma linguagem simples e lúdica.

O Brasil tem um número alto de abuso contra crianças e adolescentes. O abuso pode acontecer em casa ou fora dela, na grande maioria das vezes por alguém muito conhecido da criança. E, diante dos números oficiais de notificação, há abusos e violência em ONGs, escolas, igrejas e outros que as crianças frequentam. Onde há crianças, é possível que alguém mal-intencionado tenha se aproximado para maltratá-las.  Onde há crianças, os responsáveis por esses locais precisam assegurar que estão protegidas. Aí entra o ministério de proteção à criança, facilitando o aprendizado de adultos e crianças e compartilhando conhecimento para que todos saibam como protegê-las!

Andrea dá treinamento

Esse ano tivemos a alegria de realizar capacitação inicial de proteção para diversas igrejas, para agências missionárias internacionais (que tem sua política de proteção à criança por escrito) e em projetos sociais em missões que atuam diretamente com crianças em alto risco de vulnerabilidade social. Como um dos nossos objetivos é compartilhar informação sobre o assunto, realizamos lives, aulas ao vivo através de uma rede social, indicando material ou tratando de algum tema específico, como a indicação do livro Sempre Alerta: prevenindo e respondendo ao abuso infantil na igreja.

Quando uma organização se propõe a ser mais segura para crianças, segue normas que chamamos de Boas Práticas. Por exemplo a “regra dos dois adultos” e o “acompanhamento de visitantes”, que são citadas no capítulo 9 do livro A Criança, a Igreja e a Missão: nunca um grupo de crianças ou adolescentes está somente com um adulto, são no mínimo dois, e quando há visitantes para qualquer atividade, logo os responsáveis apresentam as Boas Práticas com ênfase positiva, que todos devem cumprir. Ensinamos às crianças identidade, partes do corpo e higiene do corpo, toques saudáveis e toques insalubres (carinho bom e carinho ruim), respeito, carinho em público, valorização dos sentimentos e pessoas de confiança para contar sobre esses sentimentos, especialmente os difíceis (como tristeza, dúvida, raiva, vergonha, medo etc.). Sempre utilizando jogos, brincadeiras, vídeos, histórias, bonecos etc.

Além de um projeto de proteção para igrejas chamado Espaço de Proteção, sou também missionária da Mocidade Para Cristo no Brasil, coordenando o departamento de proteção, inaugurado em janeiro de 2018. Estamos disponíveis para compartilhar e facilitar o aprendizado de outras organizações. Para mais informações, entre em contato com andreaespiritosanto@gmail.com ou acesse www.facebook.com/Espacodeprotecao .

Com sua cultura particular e as dificuldades socioeconômicas, as comunidades de pescadores são um campo missionário transcultural que precisa de oração no Brasil. Convidamos Reinaldo Figueiredo Leareno, diretor de área da MEAP (Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores) no Maranhão, a compartilhar como nossas comunidades de fé podem interceder pelo trabalho. Ele se coloca à disposição de igrejas e conferências missionárias e compartilhou com o Caminhos da Missão como orar pelo ministério nas ilhas do Maranhão.

“A igreja ou sua equipe de missões pode organizar momentos de intercessão específicos ou inserir naqueles já comuns à comunidade nossos pedidos e louvores. É só enviar uma mensagem para meapma@meap.org.br e compartilhar o interesse na parceria de oração. Regularmente comunicaremos os motivos de louvor, gratidão e intercessão.

Ainda neste ano de 2018, precisamos de oração pela adaptação dos missionários Jurandir e Zilma, que vieram de São Paulo, e Raí e Cláudia, que vieram do Pará com as filhas Ester e Raquel. Adaptação a esse contexto transcultural, a vida na ilha Santa Bárbara e todos os contextos que envolvem esse ministério. Também para que o Senhor levante novos parceiros para o sustento dos missionários.

É necessário orar pela saúde dos missionários e pela plantação da igreja na ilha, que é o trabalho atual deles. Além disso, orar por uma solução para perfuração de poços semiartesianos, maneira pela qual que tentamos minimizar o sofrimento pela falta de água potável. E principalmente neste tempo da estiagem, que vai de setembro até janeiro, quando tem pouca água e com baixa qualidade.

Também pedimos oração pela presença de voluntários de curto período nos campos, atuando com a sua vocação, sua profissão, suas habilidades pessoais, aquilo que ele sabe fazer e pode ensinar na comunidade. É uma oportunidade de testemunhar de Jesus e falar do evangelho de uma forma diferente, seja na área de esporte, educação, saúde, de inúmeras formas simples, cooperando com o trabalho dos missionários na ilha.”

Frente ao grande movimento migratório da atualidade, o COMIBAM (Cooperação Missionária Iberoamericana) está organizando uma consulta sobre diáspora com líderes de todo o mundo. COMIBAM é uma aliança que reúne grupos missionários nacionais de 25 países da Iberoamérica.

O evento, denominado Dispersos: diáspora e missão, ocorrerá entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro de 2018 na Cidade de San José, na Costa Rica, no Parque Sendas. A consulta buscará responder à seguinte pergunta: qual é a responsabilidade da igreja e de seu movimento missionário e quais são as oportunidades perante a realidade da diáspora e da imigração no nosso meio e em todo o mundo?

A inscrição para a consulta com alimentação custa 100 dólares, mas há preços maiores com hospedagem inclusa. Antes deste evento, entre os dias 26 e 28 de novembro, ocorrerá a VII Assembleia Geral do COMIBAM. Para mais informações, acesse o site do evento.

A Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) está organizando o primeiro Treinamento Avançado sobre Pesquisa Missionária do país. Ademir Menezes, conhecido como Cowboy e missionário da WEC Internacional no Amazonas, além de Coordenador do Departamento de Pesquisas da AMTB, afirma que no Brasil a pesquisa missionária tem crescido. “Deus tem levantado pesquisadores que tem se empenhado nesse ministério”, disse ao Caminhos da Missão.

“Temos várias pesquisas em andamento nas áreas de pesquisa de campo e pesquisa conceitual. Este curso vem para somar e trazer ferramentas capacitando pesquisadores, assim como futuros pesquisadores para continuarem atuando neste vasto campo missionário.”

O evento será em Manaus (AM), na base da AMTB, entre os dias 22 e 26 de outubro. O custo, que inclui participação e material, é de R$ 150. A capacitação será guiada pelo Dr. Levi de Carvalho, coordenador de pesquisa do COMIBAM. De acordo com Ademir, “Dr. Levi possui uma longa experiência nesta área de pesquisa e vem atuando há anos cooperando com o movimento missionário nacional e internacional. Foi coordenador da última pesquisa do movinento missionário latinoamericano realizada pelo COMIBAM. Será um tempo precioso, de muito aprendizado e crescimento nesta área”.

As inscrições são limitadas, Ademir sugere fazê-la rápido. Para mais informações, escreva para contato@amtb.org.br

Sob o tema “Venha o teu Reino: uma igreja para hoje”, o Congresso ALEF para Pastores e Líderes de 2018 ocorrerá junto com o 11º Encontro Nacional RENAS em Natal (RN), na Igreja do Nazareno. O evento, que será entre os dias 18 e 20 de outubro de 2018, fornecerá capacitação para os líderes e profissionais cristãos atuantes em igrejas locais ou organizações evangélicas.

Dentre os palestrantes, estarão o Dr. Howard Snyder, professor no seminário de Tyndale e autor de A Comunidade do Rei, Valdir Steuernagel, Carlos Queiroz e outros. O valor da inscrição é de R$ 100, no qual está incluso apenas o material e a participação. Todas informações e inscrições podem ser feitas no site do evento.

A Missão ALEF é uma organização missionária que busca apoiar pastores e lideres a promoverem transformação em suas comunidades locais. RENAS, por sua vez, é a Rede Evangélica Nacional de Ação Social.

Por Antonia van der Meer

Pela primeira vez foi uma viagem em grupo, no passado isso era impossível devido à falta de residências e a superpopulação dos apartamentos. Foi o casal Saimon e Renata, ex-alunos do Centro Evangélico de Missões (CEM), que viveram por dois anos em Angola servindo ao projeto FENADOR (Felicidade na Dor, Associação de Pessoas com Deficiência Física) e fortalecendo muito o ministério “Um Novo Reconstruir”, voltado às crianças pobres da comunidade. Eles levaram Mira, e os três ficaram 15 dias servindo esse ministério.

As crianças angolanas são lindas e alegres, mesmo em contexto de pobreza

Eu fui com outra amiga, Teresa, que é filha de um médico angolano de origem portuguesa. Na independência do país tiveram de fugir e a família veio ao Brasil. Ela tinha quase 9 anos. Esta foi a primeira vez que retornou, disposta a assumir qualquer tarefa. Foi uma boa companheira de ministério.

Começamos cinco dias com o FENADOR. Teresa, que já foi administradora de hotel, ajudou a melhorar a prestação de contas, balancetes etc. Minha parte foi ouvir, sentar com os líderes e participantes, pensar nos problemas existentes e como encontrar soluções. E no domingo todos participamos de um culto muito alegre em que levei a mensagem.

Estou com dois líderes da cooperativa de pessoas com deficiência física, que produz e vende artesanato, ambos são meus filhos na fé das minhas visitas ao hospital

Nos cinco dias seguintes, fomos para Lubango, onde participamos do Congresso Missionário organizado pelo ISTEL (Instituto Superior de Teologia Evangélica de Lubango), com 31 denominações. Algo novo e recebido com muito entusiasmo. O programa tinha palestras excelentes e bons grupos de discussão buscando aplicar os ensinos. Visitei algumas famílias amigas, além de encontrar muitos ex-alunos no Congresso. No domingo fomos ao culto da manhã, no qual nos deleitamos ouvindo dois corais no estilo africano e uma boa mensagem do Pr.Timóteo Carriker.

Essa foto é de pessoas líderes do GBECA (ABU angolana), esq. Para direita, Serafim, o presidente, Dinho, o novo Secretário Geral, eu, Paulo Mandavela, que foi Secretário Geral e Pr. Manzaila

Na volta a Luanda, fomos à casa do Pr. Manzaíla, que com sua esposa Rosana desenvolveram um projeto excelente, Missão DIA, num grande musseque (favela). Ela dá cursos para as mulheres da comunidade. Eles também recebem as crianças no período em que não estão na escola para reforço escolar. Além disso, dão cursos para líderes das igrejas das periferias mais pobres. O curso mais novo é teológico-missiológico para líderes e pastores. Dei a matéria: Ética Bíblica no Contexto Africano, com participação entusiasta dos alunos.

O melhor de tudo foi ver pessoas em quem investi há muito tempo, servindo a Deus e ao próximo com alegria. Um privilégio!

O que mudou em Angola?

O governo convidou os chineses que construiram boas estradas e enormes novos bairros de prédios, com toda infraestrutura necessária. Ficou bom, a pena é que não empregaram nenhum angolano, foi só chineses. Aí surge um tipo de classe média, mas a grande maioria do povo ainda vive na miséria nos enormes musseques, sem acesso à água, a luz geralmente é através de “gatos”. Não tem coleta de lixo, e assim surgem os enormes montões de lixo que multiplicam doenças. Não tem ruas, são ruelas cheias de buracos, só quem usa regularmente pode encontrar o caminho. Na área educacional houve muito progresso, há novas escolas secundárias, várias profissionalizantes e muitas novas universidades, e o povo está fazendo o possível para estudar.

E a igreja cresceu e se multiplicou, tanto no sentido positivo quanto negativo. Há boas igrejas, mesmo que muitos pastores tenham pouca formação, mas a Universal, o Poder de Deus e todo tipo de igreja brasileira estão a todo vapor, além de igrejas com características sincretistas, misturando o ensino bíblico com aspectos de religiões tradicionais africanas.

No dia 1° de setembro ocorrerá o II Fórum CIM Brasil, que trata do cuidado integral do missionário. O evento está sendo organizado pelo departamento da AMTB de mesmo nome e acontecerá na Igreja Batista do Povo (rua Domingos de Morais, 1100), em São Paulo (SP). Das 9h às 17h acontecerão palestras, debates e atividades práticas voltadas para missionários, pastores, líderes de missões na igreja local ou em organizações e profissionais interessados.

Dentre os assuntos abordados, estarão os transtornos emocionais e suas implicações no cuidado do missionário, com Abner Morilha (JMM), e a importância da avaliação psicológica como preparo do missionário, com Aline Tiossi Silingardi (Frontiers). Para mais informações, escreva para contato@amtb.org.br ou inscreva-se neste site. O evento custará R$ 40 ou R$ 65 para quem almoçar no local. Ambos valores incluem café da manhã e da tarde.