“Seu pedido de autorização de residência (“visto”) foi negado. Vocês são aconselhados a deixar o país em 7 dias sob risco de multa, deportação e/ou banimento.”

Por Alípio e Judite*

Servir em outro país é privilégio, nem sempre um direito

Apenas a palavra “visto” pode colocar nó em nossos estômagos. Trabalhadores transculturais enfiam uma vida em uma mala e fazem da cultura anfitriã o seu lar.

Por meses, antes de aplicarmos o visto, nos preparamos – “Pelo menos isso é o que diremos quando nos perguntarem”. No entanto, muitas vezes nossas expectativas estão a um planeta de distância da nossa realidade. Quem está preparado para deixar tudo o que aprendeu a amar nos últimos meses e anos? Como se despedir quando não quer ir? E quanto tempo que leva para lamentar suas perdas?

Há cinco anos, quando saímos para a vida em missão transcultural, nunca teríamos imaginado que as questões de visto seriam um espinho constante na carne. Pensamos que as finanças seriam a nossa batalha número um. Contudo, estávamos enganados. Graças a Deus e à provisão dos irmãos, esse é apenas um detalhe.

Precisar de um visto para morar no país que você chama de lar pode ser uma grande aflição! Questões relacionadas a vistos causam um tremendo estresse físico, emocional e espiritual. Gostaria de poder dizer àqueles que se preparam para tal empreitada que a questão do visto não fará parte da sua vida como obreiro, mas eu estaria mentindo. Quase todo mundo a enfrenta em algum momento – uns mais que outros. O pior cenário, com certeza, é ter sua entrada subitamente negada na fronteira, mesmo quando você tem um visto válido. Vimos isso acontecer com irmãos da nossa companhia.

 

 

Certifique-se de dizer adeus

Chegar a um acordo com suas perdas à medida que você se ajusta aos desafios de uma nova cultura leva tempo. São tantos reencontros felizes seguidos, por igual ou maior número de despedidas dolorosas.

Fora isso, a longo prazo, geralmente há inúmeras mudanças para diferentes campos, para diferentes lugares no mesmo campo, para diferentes estados na atribuição de casa, além de estresse cultural, desafios ministeriais, aprendizado de um novo idioma, choque cultural… A lista de transições parece interminável.

A vida nômade de Abraão veio a ter um novo significado para nós. Contemplamos onde realmente está nossa casa. Não é no país anfitrião nem em nosso país de origem, é onde Deus está e para onde Ele está nos levando.

“Pela fé, Abraão peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11.9-10).

Neste momento de nossas vidas, existem muitas sugestões a serem avaliadas e muitas perguntas a serem respondidas, seguimos como uma criança que luta e depois adormece nos braços de sua mãe. Apesar das pelejas, Deus nos ampara em um lugar de paz e confiança que nunca avistamos antes. Não importa o que aconteça o chamado dele é para andar pela fé. Deus está totalmente comprometido com isso.

Viver no exterior pode ser custoso. Mas também não há dúvidas que pode ser uma das experiências mais singulares que um indivíduo pode abraçar. Como tudo na vida, nossas histórias são mais bem compreendidas quando temos pessoas com quem compartilhá-las. Louvamos a Deus pelo apoio de nossos irmãos e comunidades.

 

Em Cristo, aos Povos,

Alípio e Judite*

*Nomes fictícios por questão de segurança dos autores.

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