Por Céfora Carvalho

Ainda me lembro de como fiquei surpresa quando recebi a mensagem de uma colega da faculdade — totalmente diferente de mim, principalmente no sentido religioso —, dizendo que me admirava e que eu tinha alguma coisa especial, uma “energia diferente”, como ela descreveu. Também desejou que todos os meus sonhos se realizassem, pois admirava muito minha postura. Naquele dia eu soube que tinha cumprido a famosa frase franciscana: “pregue e, se necessário, use as palavras”.

Essa experiência me veio à mente quando me deparei com uma discussão nas redes sociais sobre o lugar do jovem cristão nos ambientes escolares e acadêmicos. O debate surgiu graças a um meme onde uma menina ironiza seu professor de ciências dizendo que crê na Bíblia e por isso não precisava prestar atenção nas aulas dele. Como alguém que nasceu e foi criada em berço evangélico, conheço bem esse discurso dualista, pois já visitei muitas igrejas que ensinam isso aos jovens.

“O mundo nos odeia”, “a ciência quer destruir nossa fé” e “as universidades são antros de perdição, locais criados para destruir a família e os princípios cristãos”. Esse é o cenário apresentado por lideranças que, ainda marcadas pelo espírito anti-evangélico dos anos 60 e 70 — quando crentes eram chamados de “os bíblias” e sofriam até mesmo agressões físicas só por terem sua fé —, fazem com que muitos jovens entrem nesses ambientes com uma postura extremamente combativa.

Fugir da aparência do mal e evitar tentações não é errado, ao contrário, isso se chama prudência e revela maturidade espiritual de alguém que conhece suas fraquezas, entretanto, muitos confundem o cuidado com arrogância. A atitude “bélica” com que alguns jovens chegam às salas de aula, crendo que devem rebater seus professores e criticar seus colegas constantemente revela uma profunda falta de capacidade de dialogar que mais atrapalha do que ajuda o Reino de Deus.

Sem querer tomar minha experiência como padrão para todas as outras, creio que a universidade e a escola são locais como qualquer outro, e apresentam desafios, mas também muitas oportunidades. Sempre tive isso em mente quando entrava em uma sala de aula, pois sei que vivemos em um tempo onde já esperam o pior de nós, então ao invés de agir com indiferença, eu preferi seguir os ensinamentos dos meus pais de que o verdadeiro cristão não se identifica por seu discurso religioso, mas por suas obras.

Eu sabia que ouviria piadas sobre evangélicos, mas preferi mostrar com o meu testemunho que elas eram equivocadas. Alguns podem dizer que essa postura é covarde, afinal somos ensinados a combater, mas quando leio as mensagens que me mandam ou vejo colegas que nem possuem religião curtindo minhas postagens relacionadas ao pentecostalismo, me alegro, pois sei que ali foi plantada uma semente do Evangelho. Sei que agora sou aquela importante exceção ao que eles entendiam por “crente”.

Creio que essa deve a postura de jovens sedentos por levar a Palavra de Deus a todos os lugares e que reconhecem que evangelizar é antes de tudo um ato de amor de um pecador para outro. A frase “Jesus te ama” não é um simples slogan, e deve ser representada de forma verdadeira por nós, os seguidores de Cristo. Por isso, evite os combates, viva o Evangelho e peça direcionamento ao Espírito Santo, pois logo todos vão conseguir enxergá-lo através de você.

  • Céfora Carvalho, jornalista, bacharel em teologia pela FTSA e pentecostal

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