Por Maísa H.

Uma vez, eu e minha mãe fomos a um evento pelo Dia da Mulher no fórum da nossa cidade. Lembro-me bem de que passávamos por um período sombrio de nossas vidas: ela estava em profunda depressão já há alguns anos.

A palestrante daquele dia parabenizou com devido fervor todas as mulheres que conseguiam conciliar seus casamentos e trabalhos. Com pouca sabedoria, porém, enfatizou seu repúdio àquelas que eram solteiras, pois julgava que assim eram por falta de esforço.

Naquele momento, eu, garota, ainda tão nova, senti o injusto julgamento que era feito sobre minha mãe e segurei sua mão, sabendo que segurava a mão do maior exemplo de mulher que tive.

Ela foi, e é até hoje, alguém que suportou seus dois empregos a quilômetros de distância de sua moradia; assumiu a responsabilidade de criar uma filha, sendo mãe solteira, com nenhuma participação ativa do pai da criança; dedicou-se a seu ministério de serviço na igreja local; e, ainda que com tantas dificuldades, sempre conseguiu manter o sorriso no rosto e a alegria contagiante.

Sem nenhuma dúvida, passei por vários momentos nos quais senti a ausência paterna durante minha infância. Cheguei a ter o complexo de “Ohana Incompleta”, ainda não reconhecido pela ciência moderna. Esse complexo foi vivido primeiramente por Lilo, personagem do filme “Lilo e Stitch”, da Disney. Assim como a personagem havaiana, eu reconhecia a incompletude da minha família, tão pequena e com espaços vagos.

Foi nessa família, entretanto, que conheci não só a paternidade de Deus, como principalmente sua maternidade. Foi vendo minha mãe que entendi o amor, a compaixão, a misericórdia, a preocupação e o cuidado de um Deus que é como mãe.

Foi com uma mulher que também assumiu papel de pai que encontrei o esforço, o apoio, a ordem, as leis, a alegria, a empatia e o descanso. Foi na minha pequena família que aprendi a respeitar a dor e a tristeza; a lidar com as lutas, as dificuldades e a ausência.

Deus, em sua perfeição, tornou algo imperfeito em feitura de Suas mãos. E, com a oportunidade de ter tantas mulheres fortes e abençoadoras na minha vida, enxerguei, então, que Deus é Aquele que gera toda vida, batalha por seus filhos e os tem criado para a Dignidade.

E, como Deus me ensinou por intermédio da mulher que é minha mãe, “mesmo que a mãe viesse esquecer do filho que trouxe a nascer, Eu, todavia, não, jamais me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos, Eu te guardei, ó, filho meu. Continuamente está tua vida diante de mim”.

À minha mãe: “ton combat, tu m’entends, c’est mon combat”, maman.

Às mulheres do mundo: lutemos o bom combate!

A Deus: obrigada por também ser como mãe!

  • Maísa H., 24 anos. Professora de português, espanhol e inglês, é aspirante a poliglota, fã de histórias de ficção, animes e comida libanesa. Mestranda em Linguística e futura missionária em um país da Ásia.
  1. Quezia Alcantara Guimarães Leite

    Maísa, que lindo texto..tão profundo e retrata sua experiência rica e real com sua mãe e com Deus.Que o Senhor abençoe você e sua mãe!

  2. Ana Cristina Wagner Cordeiro de Azeredo

    ” Deus é Aquele que gera toda vida, batalha por seus filhos e os tem criado para a Dignidade” – que sejam essas as palavras da nossa boca e o meditar diário do nosso coração. Obrigada por seu texto, Maísa. que Deus continue a abençoar a sua missão.

  3. angela maria de assis rocha

    muito linda a reflexão ,pois não precisamos tanto da figura masculina ,quando entendemos á paternidade de DEUS como pai….também vivi em um lar onde as mulheres assumiram este papel de provedor ;pois os homens falharam na sua devida tarefa….. hoje com 28 anos de casada e mãe de 2 missionarios ,sempre lembro á eles que nosso Pai ! é suficiente

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