Por Ioná Nunes

Esses dias estava lembrando de um filme que passou inúmeras vezes na televisão, “De Repente 30”. A fala de Jenna, a personagem principal, ressoou em alto e bom som na minha mente: “30 é a idade do sucesso”. Um pó mágico permite que ela vire a adulta que tanto desejava, uma mulher independente, bem sucedida em seu emprego e que tem um namorado. A concepção secular de mulher forte.

Mulheres são bombardeadas por todos os lados por narrativas que insistem em dizer que nossa força vem de nós mesmas, que nossa individualidade é prioridade, que precisamos ser sexy, pois isso nos faz donas de nós mesmas… Que precisamos viver para trabalhar, que não podemos contar com ninguém além de nós. Colocam a gente no precipício chamado “empoderamento”, disfarçado de egoísmo, e nos empurram de lá…

Eu, meus dois irmãos e minha irmã fomos criados apenas pela minha mãe. Ela se casou aos 22 anos e aos 30 se viu solteira, tendo que educar, alimentar e disciplinar quatro crianças. Minha avó e minhas tias a ajudaram nesse desafio, mas a responsabilidade maior era de Dona Teresa.

Você pode imaginar o impacto que crescer cercada por outras mulheres, em uma casa onde a mãe tinha que ser o modelo de mulher e homem a ser seguido, teve na vida de uma adolescente. Fui incentivada desde cedo a contar só comigo. Precisava estudar para sobreviver. Colocar minhas necessidades em primeiro lugar não era egoísmo, e sim uma forma de “vencer na vida”. Trabalhar para ser independente financeiramente era ser uma mulher forte.

Não me entenda mal, ter um emprego para pagar as próprias contas é uma benção! Mas a motivação por trás de cada um desses ensinamentos estava errada, portanto, eles também.

Minha mãe recebeu a Cristo e entendeu que essas coisas deveriam ser feitas para a glória de Deus e que sem Ele não era possível fazer nada. Mas essas ideias permaneceram comigo por muito tempo. Eu PRECISAVA ser uma mulher forte que só depende de si para alcançar seus objetivos.

Mesmo após me tornar cristã, a luta interna continuou, não conseguia entender porque todas as vezes que tentava fazer algo sozinha não obtinha sucesso. Aos poucos, o Espírito me convenceu de que a Bíblia era também um manual pra vida e a leitura diária começou a transformar minha mente radicalmente.

As incontáveis ideias e críticas nesse mundo nos chamam diariamente para a um duelo, mas ainda bem que nossa arma é mais cortante que espada de dois gumes e não é humana, é poderosa em Deus para destruir toda mentira. É por meio dessa espada afiadíssima que sabemos quem nós somos no Senhor e o que a expressão mulher forte significa.

Ser mulher é desafiador. Para quem não conhece o Criador, tendo em vista como somos retratadas na Escritura, ser uma mulher cristã é um retrocesso. É atirar no próprio pé.

Sara, Débora, Noemi, Rute, Ana, Maria, a mulher samaritana, a mulher do fluxo de sangue e tantas outras que fizeram história eram fortes. Não porque eram confiavam em si mesmas, mas sim porque sua força vinha de Deus.

Esse é o verdadeiro empoderamento, reconhecer a sua fraqueza e saber que na força do Senhor você pode todas as coisas. Ser uma mulher forte é olhar para si e identificar sua natureza caída, admitir sua insegurança e estar ciente de que o Criador é sua fonte de coragem, ânimo, vigor físico.

Independência é saber que você foi liberta pra ser livre em Deus, que você é propriedade comprada com sangue e que isso cancela a dívida feita pelo pecado.

Ser uma mulher forte tem haver com ser dependente do Senhor em todas as áreas da sua vida. Ser uma mulher forte é saber que o Deus Todo-Poderoso nos sustenta em cada passo que damos, ar que respiramos e que Ele é tanto o caminho como o guia.

Mulher é substantivo feminino criado pelo verbo encarnado para viver por ele, por meio dele e para refleti-lo. E se isso é ser fraca aos olhos dos demais, que seja.

  • Ioná Nunes, 24 anos. É jornalista e congrega na Segunda Igreja Batista em Teresina.
  1. Glória a Deus, por essa palavra singela, verdadeira que me toca o coração e o espírito.
    Quanto demorei pra entender isso.. E é a primeira vez que leio algo assim

    Obrigada!

  2. Ana Cristina Wagner Cordeiro de Azeredo

    O que me chamou a atenção no texto, além de sua coerência, maturidade e firmeza na Palavra de Deus, foi a idade da autora. Uma jovem de 24 anos, que o Senhor já usa para edificar tantas vidas. Sou mãe de jovens, sou psicóloga e atendo jovens, e tenho visto tantos deles perdidos, imaturos, confusos com o bombardeio de um mundo individualista, que prega uma busca da felicidade totalmente distorcida em relação aos padrões bíblicos. Que Deus continue a fortalecer você, Ioná, e a usar a força que ele plantou em você, para o louvor da glória dEle.

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