Por sua beleza, por sua imensidão, por sua variedade e por sua ordem, a criação “anuncia a glória de Deus e nos mostra aquilo que as suas mãos fizeram, [e] cada dia fala dessa glória ao dia seguinte, e cada noite repete isso à outra noite” (Sl 19.1-2). É um anúncio contínuo, dia após dia, sem o menor intervalo. E a criatura, chamada a coroa da criação, também anuncia a glória de Deus? Tanto a criação como a criatura têm essa oportunidade e obrigação.

É de igual valor apresentar a formidável glória de Deus tanto na criação como na redenção. Uma não é maior que a outra. Evangeliza-se quando atraímos a criatura para o Criador, o pecador para o Salvador. A Grande Comissão não é só para o “depois de Cristo”. É também para o “antes de Cristo”. No Novo Testamento há um forte apelo para se fazer propaganda da redenção e do Redentor, e no Antigo Testamento, um forte apelo para se fazer propaganda da criação e do Criador. Salmos é o livro da Bíblia que mais insiste na propaganda da glória e das grandezas de Deus como Criador e Sustentador das coisas visíveis e invisíveis, e como o Senhor absoluto da história, como se pode ver a seguir.

96.3 – Falem de sua glória às nações; contem a todos os povos as coisas maravilhosas que ele tem feito.

105.1-3 – Agradeçam a Deus, o Senhor, anunciem a sua grandeza e contem às nações as coisas que ele fez. Cantem a Deus, cantem louvores a ele, falem dos seus atos maravilhosos. Tenham orgulho daquilo que o Santo Deus tem feito.

138.4-5 – Ó Senhor Deus, todos os reis da terra te louvarão quando ouvirem falar das tuas promessas. Eles cantarão a respeito das coisas que tu, ó Senhor, tens feito, pois grande é a tua glória.

145.1 – Meu Deus e meu Rei, eu anunciarei a tua grandeza e sempre serei grato a ti.

145.4-5 – Ó Deus, cada geração anunciará à seguinte geração as coisas que tens feito, e todos louvarão os teus atos poderosos. Elas falarão da tua glória e da tua majestade, e eu meditarei nas coisas maravilhosas que fazes.

145.11-12 – Todos falarão da glória do teu Reino e contarão a respeito do teu poder, para que todos os povos conheçam os teus atos poderosos e a grandeza da glória do teu Reino.

Texto originalmente publicado na edição 338 de Ultimato.

O povo de Deus é alegre por definição. O cristão é alguém que foi encontrado por aquele que é feliz e recuperou a sua posição como filho. Para os cristãos, a alegria não é só uma opção de vida. É uma ordem de Deus ao seu povo; é um bom testemunho; é pré-evangelização; é coerência.

O mandamento da alegria está espalhado nas Escrituras Sagradas: nos livros da lei (Dt 16.11), nos Salmos (Sl 32.11), nos profetas (Zc 9.9), nos Evangelhos (Lc 10.20), nas Epístolas (Fp 4.4) e no Apocalipse (Ap 19.7). A alegria é também fruto do Espírito (Gl 5.22), é consequência do perdão e da salvação (Lc 10.20), é promessa a ser totalmente contemplada no futuro (Hb 11.39-40), é combustível e celebração da missão (Sl 126.6; Lc 15.7).

Certamente, algumas vezes terá de ser uma alegria disciplinada, baseada em promessas e em exercícios de fé. A despeito de ser – por natureza – feliz, cabe ao cristão desenvolver esta alegria. Isto pode ser feito por meio do exercício de um espírito grato (aqueles que julgam que a vida lhes deve alguma coisa são incapazes de ser felizes), pela lembrança constante das promessas do Senhor, pelo encontro amoroso com os irmãos e irmãs, pela contemplação da Criação, pela memória de Cristo e de sua beleza, pela comunhão diária com Deus por meio da oração e da leitura bíblica, pela vivência do discipulado cristão, pelo “enchimento” do Espírito.

Por causa do pecado, da depravação humana, da ordem política e social injusta, da incredulidade, da atuação satânica, do orgulho humano, da fome e da miséria, das vicissitudes naturais da vida, da enfermidade e da morte, da rejeição do evangelho – nem todo tempo é tempo de alegria. A Bíblia ressalta esta verdade: “[Há] tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar de alegria” (Ec 3.4).

Além disto, somos ainda seres incompletos, ambíguos, divididos. Um dos efeitos da queda é que nossas emoções nem sempre acompanham nossas certezas. A variação de humor que não dominamos continuará a ser nossa companheira até o final da vida. A plenitude da alegria não é para agora. A garantia de bem-estar permanente não é uma promessa cristã.

Texto originalmente publicado na edição 332 de Ultimato.

O 13º capítulo do primeiro livro de Reis nos fala de dois profetas, o profeta de Judá e o profeta de Betel. Não se tem o nome deles. O primeiro é chamado várias vezes de “o homem de Deus”. O segundo é chamado três vezes de “o profeta velho”. Eles não se conheciam.

O homem de Deus veio a Betel para repreender a idolatria de Jeroboão. Recebeu ordens expressas de Deus para não comer pão nem beber água naquele lugar. Quando o rei Jeroboão insistiu com ele para ir à sua casa para comer e beber, o homem de Deus respondeu: “Ainda que me desses a metade de tua casa, não iria contigo, nem comeria pão nem beberia água neste lugar” (1.8). Ele rejeitou também o convite do profeta velho para comer e beber em sua casa (13.15-17).

Acontece, porém, que o profeta velho lançou mão de uma mentira e conseguiu levar o homem de Deus à desobediência: “Eu também sou profeta como você, e o Deus Eterno mandou que um anjo me dissesse que levasse você até a minha casa e lhe oferecesse a minha hospitalidade” (13.18, BLH). Assim posto, o homem de Deus voltou e comeu pão e bebeu água naquele lugar, tornando-se desobediente ao Senhor. Estando os dois homens à mesa, a palavra do Senhor veio ao profeta velho e ele disse ao homem de Deus: “O Deus Eterno diz que você desobedeceu e não fez o que Ele mandou… Por causa disso, você será morto, e o seu corpo não será enterrado na sepultura de sua família” (13.22, BLH). Ao voltar para Judá, o homem de Deus foi morto por um leão e enterrado no sepulcro do profeta velho.

A triste história nos dá conta que o homem de Deus foi vítima de uma mentira. Assim como Eva, que preferiu acreditar no “É certo que não morrereis” da serpente (Gn 3.3) e não no “É certo que morrereis” de Deus (Gn 2.17). Por essa razão, a mulher comeu da árvore do bem e do mal e o pecado entrou no mundo (Rm 5.12).

De vez em quando você topa com algum profeta velho ou com uma “profetiza velha” por aí, que podem lhe dizer ter recebido por meios sobrenaturais uma mensagem de Deus para você. É preciso tomar muito cuidado. Se o recado de Deus para você por meio desse profeta contrariar a orientação original do Senhor, não caia nessa cilada.

Deus o abençoe!

Texto originalmente publicado na edição 257 de Ultimato.

A matéria de capa da edição de janeiro/fevereiro de 2000 de Ultimato falou sobre “a vitória da graça”. Entre outros textos, o que reproduzimos a seguir fala de acontecimentos reais, envolvendo Lutero, que a respeito da graça disse: “Chamo de graça aquela grande abóbada debaixo da qual coloco toda a imundícia que os escribas e fariseus hipócritas escondiam dentro dos sepulcros caiados ou que deixavam dentro do copo. Chamo de graça aquela enorme calota para debaixo da qual transfiro todos os meus pecados, toda a minha miséria moral, todo o meu sentimento de culpa, todas as minhas imundas “justiças”, todo o meu desespero, todo o meu pavor do inferno e eu por inteiro. Ali me protejo do justo juízo de Deus, totalmente calado, sem apresentar uma justificativa sequer (porque não a tenho), sem alegar alguma possível boa obra (por ser inútil) e sem dividir com qualquer outro pecador minha culpa pessoal. Faço isso pela fé na pessoa e no sofrimento vicário de Jesus Cristo, atraído que sou pelo amor de Deus” (Conversas com Lutero, p. 138).

O sequestro de 1521 

O sequestro mais curioso da história aconteceu no dia 3 de maio de 1521, precisamente há 496 anos. A seguir, um relato completo deste emocionante episódio do século XVI por meio de uma série de noticiários. Faça de conta que você mora na velha Europa e está acompanhando a notícia pela televisão.

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O relógio do enorme e luxuoso salão de baile marcava menos de duas horas da madrugada da noite de 14 para 15 de abril de 1912. Todo mundo estava acordado. Os escaleres apinhados de mulheres e crianças da primeira classe já haviam descido. Vários passageiros já haviam pulado para a água gelada do mar. Alguns já haviam morrido por causa do impacto da queda e seus corpos boiavam ao redor do navio. A noite estava serena e o mar também. Foi quando um dos violinistas, já no convés do Titanic, entre gritos de desespero, começou a tocar um dos mais ternos hinos religiosos, no que foi imediatamente acompanhado por outros violinos, viola e violoncelo. Talvez ninguém, naquela altura, tenha cantado ou cantarolado a conhecida letra da conhecida música. Mas, tanto uma como a outra, deve ter soado gostoso aos ouvidos de todos os que ainda estavam a bordo, antes de o navio se partir em dois e afundar de vez. Era pelo menos um pequeno conforto para quem não conseguiu lugar num dos botes salva-vidas e estava a apenas um passo da morte certa e pavorosa. Era também — quem sabe — uma confissão de última hora, para compensar a desatenção coletiva dada a Deus até então e a soberba daquele passageiro incontido que achava e declarou em público que nem Deus afundar o Titanic. Pois todos que ouviram a melodia certamente se lembraram no mínimo do título do hino: “Nearer, my God, to Thee” (Mais perto, meu Deus, de ti).

Não era a primeira vez que o hino “Mais perto, meu Deus, de ti” entrava para a história. Dois anos antes, em 1910, por ocasião da Convenção Mundial de Escolas Dominicais, realizada em Washington, ele foi cantado em 23 idiomas. E, em 1872, 40 anos antes, 50.000 pessoas o entoaram na celebração do Jubileu da Paz, na cidade de Boston.

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Se Deus não perdoou seu Filho porque ele se tornou fiador do homem, que esperança pode ter quem não tem fiador? Se a lei divina é tão severa e a justiça tão rigorosa, que só o sacrifício de Cristo consegue apagar a sentença pronunciada contra todo o que tem quebrado essa lei, qual seria a infeliz sorte do pobre pecador que se apresentar perante o tribunal de Deus fiado em seus próprios merecimentos ou nos de qualquer outra criatura?

Há exatos 158 anos chegava ao Brasil, Ashbel Green Simonton, fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil, a mais antiga denominação reformada do país.

Em agosto de 1867, ele escreveu: Em poucos dias se completará o sexto ano em que explico a Palavra de Deus nesta Corte.

Por ter descoberto, aos 22 anos, no primeiro semestre de 1855, que era um grande pecador, exposto com justiça à ira de Deus, e que não tinha outro nome nem outro caminho senão Jesus Cristo para ser perdoado e salvo, Ashbel Green Simonton, o primeiro missionário presbiteriano a vir para o Brasil, pregava insistentemente sobre o sacrifício expiatório de Jesus.

Dizia que “o fim principal de pregador deve ser conduzir seu auditório aos pés de Jesus”. Para ele, “o teólogo que se propuser a explicar o caminho da salvação sem ter convicção íntima dessa verdade central [o Salvador é só Jesus] perderá seu trabalho e será um marinheiro que não sabe usar a bússola”. Embora não estivesse falando num encontro de pastores, em seu sermão sobre os meios da graça, Simonton esbravejou: “Ministros de Cristo, lembrem-se disso [a centralidade de Jesus na pregação] cada vez que vocês subirem ao sagrado púlpito!”.

Numa época sem recursos de gravação e conservação, as mensagens orais perdiam-se. Todavia, vários sermões de Simonton foram escritos e publicados na “Imprensa Evangélica” e, depois de sua morte, no livro “Sermões Escolhidos de Ashbel Green Simonton”, publicado por seu cunhado Alexandre Blackford, em Nova York, em 1869.

Algumas frases dos sermões de Simonton na corte podem ser lidas a seguir.

“Foi da vontade de Deus salvar a nossa raça e por isso ele suspendeu a execução de suas leis e publicou um decreto de anistia ou de perdão, sob certas condições.”

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