Livro da semana | Práticas Devocionais

As práticas devocionais são exercícios de sobrevivência e de plenitude espiritual, demandam trabalho, esforço e tempo. Assim como as plantas que vivem mais de um ano no deserto do Saara são obrigadas a ter raízes muito compridas para colher a umidade nas profundezas do subsolo, o crente precisa se adaptar até descobrir e explorar os veios cheios de água viva para se manter vivo e vigoroso.

Prática da leitura da Bíblia

A prática da leitura da Palavra de Deus é a arte de procurar o Senhor nas páginas das Sagradas Escrituras até achar, de enxergar toda a riqueza que está por trás da mera letra, de ouvir a voz de Deus, de relacionar texto com texto e de sugar todo o leite contido na Palavra revelada e escrita, tanto nas passagens mais claras como nas passagens aparentemente menos atraentes, mediante uma leitura responsável e o auxílio do Espírito Santo.

A Bíblia é a Palavra de Deus. Isso quer dizer muita coisa. Significa que ela encerra a auto-revelação de Deus e expressa toda a sua vontade em matéria de fé e conduta. Significa ainda que você não está desesperadamente em estado de absoluta desinformação quanto a Deus, quanto à vida e quanto à eternidade. Você tem em sua própria língua um livro que revela todo o programa de Deus, uma espécie de enciclopédia que fornece toda sorte de informação teológica necessária, um manual de avaliação que mostra a diferença entre o certo e o errado.

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Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne (Gênesis 2:24)

No que diz respeito ao casamento no plano original da criação, não há lugar para o adultério, para o divórcio nem para a homossexualidade.

A união sexual é tão perfeita que os cônjuges se tornam uma só carne e ninguém pode ter a ousadia de profaná-la, separando-os.

Considerada ridícula e ultrapassada, essa é a herança deixada por Deus e confirmada por Jesus Cristo (Mt 19.4).

 

Texto originalmente publicado na edição 362 de Ultimato.

Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. (1 João 4:15)

A confissão de fé é mais do que uma obrigação. É uma explosão que não se pode conter e se manifesta repetidas vezes ao longo da caminhada cristã por meio da palavra e das mais espontâneas e variadas atitudes do crente verdadeiramente convicto.

Repetidamente

Existe confissão de pecado e confissão de . São duas coisas distintas.

Ambas fazem parte da carreira cristã. A confissão de pecado é a prática de colocar-se contritamente na presença de Deus para se declara culpado de pecados pessoais e específicos com o propósito sadio de obter perdão e purificação, mediante a obra vicária realizada por Jesus Cristo. A confissão de fé é a prática de colocar-se convictamente diante de Deus e diante dos homens para se declarar proprietário de crenças pessoais a respeito da salvação e do senhorio de Jesus Cristo. Tanto a confissão de pecado como a confissão de fé não se limitam a uma única vez. A primeira confissão de pecado e a primeira confissão de fé serão necessárias ao longo da vida religiosa para manter a higiene da alma e para manter a bagagem doutrinária.

Explosão

A fé começa no íntimo. Mas não para aí. Se for autêntica, ela acaba se exteriorizando. Pela palavra e pelo testemunho de vida. Ela rompe as paredes da privacidade e se mostra aos outros. Daí a explicação de Paulo “Com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm 10.10). Este fenômeno da-se historicamente o nome de confissão de fé. É isto que aconteceu com a mulher samaritana quando deixou o cântaro junto á fonte e correu á cidade para anunciar Jesus aos homens de Sicar. “vinde comigo, e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito” (Jo 4.29). É isso que aconteceu também com o ladrão que se converteu no dia da morte de Jesus (lc 23.39-43). A fé verdadeira é incontrolável. Ela tem que aparecer. Ela não consegue ficar presa. Ela precisa explodir. Continue lendo →

“O Deus todo-poderoso tem colocado sobre mim dois grandes objetivos: a supressão do comércio escravocrata e a reforma dos costumes”. William Wilberforce

Porque o inglês William Wilberforce, talvez o mais célebre abolicionista da história, era de baixa estatura, enxergava pouco e tinha o nariz encurvado para cima, o biógrafo escocês James Boswell dizia que ele era “um perfeito camarão sem importância”. Porém, depois de observar a tenacidade de Wilberforce na luta contra a escravatura, Boswell, dezenove anos mais velho, passou a se referir a ele como “o camarão que cresceu e virou baleia”. Wilberforce morreu em 1833, aos 74 anos, três dias depois de as duas casas do Parlamento inglês terem aprovado por maioria esmagadora o projeto de abolição da escravatura.

 

 

Texto originalmente publicado na edição 358 de Ultimato.

Ao chegar ao Brasil, na segunda metade do século 17, o missionário europeu encontrava muitos desafios pela frente:

Muito chão

A extensão territorial do novo campo missionário era enorme. Embora as fronteiras não estivessem demarcadas, alguns anos depois o Brasil seria pouco menor que a Europa toda, quatorze vezes maior que a Península Ibérica e cem vezes maior que o minúsculo Portugal.

Muitas migrações

As gentes para evangelizar provinham de três grandes migrações: da Ásia (os indígenas), da Europa (os portugueses e mais alguns europeus) e da África (os negros que começaram a chegar em 1538).

Muitas etnias

Havia uma diversidade enorme de etnias indígenas (mais de mil) e africanas (mais de 250), com características e culturas distintas, em alguns casos, bem diferentes. Havia indígenas pacíficos e indígenas guerreiros, indígenas que comiam carne humana em rituais de guerra e indígenas não antropófagos, indígenas que viviam praticamente nus e indígenas que cobriam-se de peles. Havia negros da costa atlântica e da costa índica, de toda a África subsaariana.

Muita distância

Os indígenas se encontravam totalmente dispersos, ocupando o litoral de norte a sul e o interior do país, de leste a oeste. Eram tão numerosos quanto a população de Portugal.

Muitas línguas

A comunicação era um problema quase intransponível por causa da diversidade de línguas. Até hoje há equipes de missionários linguistas gastando em média 25 anos para traduzir o Novo Testamento para línguas indígenas. E ainda falta bem mais da metade de traduções a fazer. Quanto aos negros, o problema era menor porque, como escravos, eram obrigados a aprender a língua dos portugueses.

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Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar (Isaías 48:17b)

Ninguém fica parado. Ou você anda para a frente ou você anda para trás. É mais e mais para cima ou mais e mais para baixo. Não dá para parar. O entusiasmo é grande demais para parar no meio do caminho em direção à luz. A loucura é grande demais para parar no meio do caminho em direção às trevas. Ou é de vitória em vitória ou é de derrota em derrota. Ou você continua na prática da justiça ou você continua na prática da injustiça. Ou você insiste na santidade ou você insiste na imundícia (Ap 22.11). É de glória em glória ou de fracasso em fracasso. Se existe a linha do meio, que separa uma coisa da outra, dura apenas um segundo, o tempo suficiente para você engatar a primeira ou engatar a marcha à ré.

Dá-se o nome de evolução quando a caminhada é para a frente. Dá-se o nome de involução quando a caminhada é para trás. “A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). A vereda do ímpio é como a luz do poente que vai brilhando menos e menos até ser noite fechada.

Se você está caminhando mais e mais para trás, dê um grito em direção a Deus e, com o auxílio dele, vire subitamente para a frente e continue a andar. Desta vez na direção contrária, rumo à glória. E não pare mais!

Texto originalmente publicado na edição 254 de Ultimato.

Amem uns aos outros e sejam educados e humildes uns com os outros. (1Pedro 3:8b)

Relações respeitosas e amistosas entre pessoas do mesmo grupo não são tão comuns e naturais como deveriam ser, sobretudo no ambiente cristão. O pior exemplo de que temos notícia é o péssimo relacionamento entre os membros da igreja de Corinto. Lá havia mais do que brigas entre os irmãos; havia partidos entre eles – “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”, “Eu sou de Pedro”, “Eu sou de Cristo” (1Co 1.10-12). Até mesmo entre Paulo e Barnabé houve um desentendimento tão grande que os dois se separaram depois de terem servido juntos ao Senhor por vários anos (At 15.39). Certa vez, dez dos doze apóstolos ficaram tão zangados com Tiago e João que Jesus foi obrigado a intervir (Mt 20.24).

Idealmente, a igreja seria o segundo lar, o lar maior das famílias cristãs. Na família da fé há muita diversidade de gênero (homens e mulheres), de idade (crianças, adolescentes, jovens, adultos e pessoas de idade avançada), de raças (brancos, negros, amarelos, pardos etc.), de instrução (há pessoas com pouca instrução e com muita instrução), de nível econômico (há ricos e pobres). Essas diferenças mais edificam e enriquecem do que dificultam. O fato de todos serem pecadores perdoados pelo mesmo sangue, de todos serem seres humanos fragilizados e necessitados, de todos serem peregrinos e forasteiros, de terem o mesmo Pastor e a mesma esperança – tudo isso aproxima uns dos outros e torna a convivência extremamente agradável e edificante. Os laços que os unem são às vezes mais fortes que os laços de parentesco.

Todavia, alguma providência precisa ser tomada para evitar atritos e divisões no corpo da Igreja. E é isso o que Pedro ensina na sua carta. Ele receita cinco procedimentos que preveniriam qualquer dificuldade de relacionamento: os crentes devem ser agradáveis, simpáticos, amáveis, compreensivos e humildes uns com os outros (o rico com o pobre, o pobre com o rico etc.). Além dessas virtudes, os crentes da Ásia Menor deveriam jogar no lixo o hábito mundano da vingança pessoal.

⊗ Tratar os irmãos na fé com educação é algo simples, mas de grande valor!
Texto originalmente publicado no livro Refeições Diárias com os Discípulos. Editora Ultimato.