O aqui e o agora revestem-se de grande importância. Há coisas que você não pode nem deve adiar para outro lugar e outro tempo. Pois estão dentro do espaço físico e do espaço de tempo onde você se encontra. É necessário enxergar essas coisas, agarrar-se a elas e consumi-las dentro das limitações de lugar e tempo.

Tudo tem o seu lugar e o seu tempo determinado (Ec 3.1). Você não vai plantar uma horta no jardim público, nem construir um campo de pouso no quintal de sua casa. Você não vai colher antes de plantar, nem morrer antes de nascer. A escolha do lugar e da hora não é simples produto de convenções humanas.

Há certas coisas que não vão acontecer nem aqui nem agora. Não adianta correr atrás delas. Não adianta achar ruim. É preciso esperar outro lugar e outro tempo. Sem irritação. Sem ansiedade. Sem agitação. Sem raiva ou revolta. Sem lamúria. Sem desespero. Sem desânimo. Antes, com paciência, com entusiasmo, com fé e coragem. Em plena certeza.

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Ó Deus, além do meu chamado para o ministério, do meu preparo e da minha ordenação, quero e preciso orar pelas ovelhas que me deste.

Eleva o nível espiritual delas. Faze-as ler a Bíblia com prazer e proveito, faze-as orar, amar como tu as amas, perdoar como tu as perdoas;

provoca um despertamento na igreja onde sou pastor, santifica o teu povo, entusiasma-o, ajunta-o;

dá aos meus congregados a capacidade de chorar com os que choram e de se alegrar com os que se alegram. Livra-os da insensibilidade, do isolamento, do egocentrismo;

concede ao teu povo maturidade, conhecimento bíblico, vitória sobre a provação e a tentação e capacidade de renunciar a qualquer coisa que se interponha entre ti e ele;

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[Observem tudo] para que vocês falem à próxima geração que este Deus é o nosso Deus para todo o sempre. (Salmos 48.13,14.)


Há muito que falar a respeito de Deus à próxima geração. Basta abrir os olhos e percorrer com eles tudo o que está acima de nós, diante de nós e abaixo de nós. É uma imensidão enorme, uma beleza enorme e uma riqueza enorme. Tudo é do Senhor, tudo foi feito por ele, tudo é sustentado por ele.

Há muito o que falar a respeito de Deus à próxima geração. Basta abrir a memória e contar a história do povo eleito no Antigo Testamento e no Novo Testamento e a nossa própria história. Tudo veio de Deus e tudo volta para ele. Ele é o centro de tudo e de todos.

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Perder Jesus de vista não significa olvidar o seu nome ou a sua presença na história. Perder Jesus de vista é não acreditar no Jesus das Escrituras Sagradas, em sua divindade, em seu nascimento virginal, em sua morte, exclusivamente vicária, e em sua ascensão. Não existe cristianismo sem Cristo e sem o Cristo certo. O cristão perde Jesus de vista também quando não nega a si mesmo e vive à sua maneira, segundo as inclinações da carne, segundo o curso deste mundo e segundo o príncipe da potestade do ar (Lc 9.23; Ef 2.1-3).

Por que já não há igrejas cristãs na Turquia (antiga Ásia Menor), onde Paulo esteve com Barnabé em sua primeira e bem-sucedida viagem missionária? O que é feito das igrejas por ele fundadas em Antioquia, Icônio, Listra, Derbe e Perge? O que aconteceu com as sete igrejas do Apocalipse (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia), às quais o próprio Jesus enviou cartas pastorais? Por que no final do terceiro século 50% da população da Ásia Menor era cristã1 e hoje essa porcentagem não chega a 0,5%?

Por que o norte da África é hoje uma das regiões do mundo mais fechadas para o evangelho, sendo que havia ali uma igreja cristã extremamente forte nos três primeiros séculos? O que é feito da famosa Escola de Catequese de Alexandria, fundada por Panteno e que exerceu uma influência notável no mundo inteiro? Só nessa região havia 500 dioceses — um quarto de todas as dioceses do cristianismo de então. Essa igreja nos deu os mais notáveis apologistas cristãos do segundo e terceiro séculos: Tertuliano, Clemente e Orígenes, além de Cipriano e Agostinho.2 Por que todos os países do norte da África, exceto o Egito, têm hoje de 99 a 100% de muçulmanos (no Egito são 85%)?

Se Jesus Cristo é de fato incomparavelmente superior a Buda, que nasceu cinco séculos e meio antes de Cristo (cerca de 563 a.C.), e a Maomé, que nasceu cinco séculos e meio depois de Cristo (cerca de 570), por que o crescimento do islamismo é da ordem de 16% ao ano, do hinduísmo é de 13%, do budismo é de 10% e do cristianismo é de 9%?3

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Todos os que criam estavam juntos e unidos e repartiam uns com os outros o que tinham. (Atos 2.44)

Antes do dia de Pentecostes, os três mil convertidos não se conheciam, não se amavam e não se encontravam. Agora, eles se reuniam constantemente e “tinham tudo em comum” (2.44, NBV). Havia muita diversidade entre eles: alguns eram galileus, outros eram judeus, alguns nasceram e foram criados em diferentes regiões, próximas ou distantes, outros nasceram e foram criados em Jerusalém; alguns se comunicavam em hebraico ou aramaico, outros em grego; alguns eram jovens, outros, idosos; alguns tinham casa própria, outros, pagavam aluguel; alguns eram ainda solteiros, outros eram casados ou viúvos. Era uma mistura enorme. O que aconteceu em Jerusalém naqueles dias? O que provocou essa extraordinária mudança?

O traço de união era a mesma fé religiosa, o mesmo Pai, o mesmo Salvador e Senhor, o mesmo Espírito, o mesmo batismo de água. Todos eles descobriram o Ressuscitado, abraçaram a fé e receberam o batismo do Espírito no mesmo dia e no mesmo horário (nove horas da manhã). Naquele dia todos falaram em outras línguas. Eram todos membros do mesmo corpo, o corpo de Cristo, e membros da mesma família. Eles se sentiram amados por Deus e começaram a amar a Deus e aos irmãos. Tudo era novo, surpreendente, emocionante. Não era, pois, de estranhar, que os mais ricos vendessem “suas propriedades e outras coisas, e dividissem o dinheiro com todos, de acordo com a necessidade” (2.45).

 

Texto originalmente publicado no livro Refeições Diárias – No Partir do Pão e na Oração.

A corrupção hereditária é repetidamente admitida e confessada através da história, não importando o sexo, a idade, a época, o grau de cultura, a crença nem o nível social

O que interessa mais: um texto sobre a nascente da corrupção ou um texto sobre a história da corrupção? Como o primeiro é o prefácio do segundo torna-se claro que aquele é mais importante que este. Antes de percorrer o rio Amazonas até a sua foz ao norte da ilha de Marajó, é de bom alvitre conhecer como e onde ele nasce nos Andes peruanos a mais de 5 mil metros acima do nível do mar. Para conhecer a história da corrupção e todas as suas implicações, é preciso conhecer a nascente da corrupção nos primórdios da história.

Para descobrir a idade da corrupção basta descobrir a idade do ser humano. Isto quer dizer que a corrupção é tão antiga quanto a criatura humana. Para ser mais exato, a corrupção é um pouco mais nova. Entre a criação do ser humano e a queda há um espaço de tempo ignorado.

Há um acontecimento de grande importância que envolve toda a humanidade que, em linguagem teológica, tem o solene nome de “a queda do homem”. A experiência da queda, que Agostinho chamava de “pecado original”, destrói a naturalidade, divide a personalidade, altera dramaticamente o comportamento e desaponta o ser humano. Embora essa queda tenha ocorrido em tempos remotíssimos e historicamente diga respeito ao primeiro ser humano, tal experiência é universal e coletiva – não poupa ninguém. Todo homem é solidário a Adão e vem ao mundo com esta natureza decaída.

Ao discorrer sobre o assunto, Lutero é veemente: “O pecado original é uma privação total de toda a retidão e de toda a potência de todas as forças tanto do corpo quanto da alma do homem por inteiro, interior e exterior”.

É certo, como diz Paul Tillich, que “as forças biológicas, psicológicas e sociológicas exercem uma influência real sobre toda decisão individual”. Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que, à luz das Escrituras Sagradas (Gn 3), “a atual miséria humana da humanidade originou-se do pecado, presente na humanidade desde o início”, muito embora essa imagem não corresponda à intenção criadora de Deus.

Essa corrupção hereditária, isto é, a presença do mal dentro do ser humano, não importando seu sexo, sua idade, sua época, seu grau de cultura, sua crença e seu nível social, é repetidamente admitida e confessada através da história. No primeiro século da era cristã, Sêneca declarou: “Somos todos perversos. O que um reprova no outro, ele acha em seu próprio peito. Vivemos entre perversos, sendo nós mesmos perversos”. Na mesma época, Paulo confessava abertamente: “No íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, […] tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros” (Rm 7.22-23). No século 17, Blaise Pascal afirmou que “o coração humano é oco e cheio de baixeza”. No século 18, Johann Goethe foi muito honesto ao dizer: “Não vejo falta cometida [por outra pessoa] que eu não pudesse ter cometido”. No século 19, Fiódor Dostoiévski não hesitou em afirmar que “em todo humano, naturalmente, há um demônio escondido”. No século 20, Francis Schaeffer, um ex-agnóstico convertido à fé cristã, explicou: “O homem em primeiro lugar está separado de Deus; em segundo, está separado de si mesmo (daí os problemas psicológicos da vida); em terceiro, está separado dos outros homens (daí os problemas sociológicos da vida); e em quarto, está separado da natureza (daí os problemas ecológicos)”. E agora, ainda no início do século 21, o psicanalista Contardo Calligaris reflete: “Há, às vezes (mais vezes que parece), escondidas em nosso âmago, ambições envergonhadas ou vergonhosas, que não confessamos nem a nós mesmos”.

O que mais surpreende é que a maior parte desses testemunhos de corrupção hereditária é redigida não por religiosos e teólogos, mas por jornalistas, escritores e profissionais liberais, como pode ser visto no livro Por que (Sempre) Faço o que não Quero? (Ultimato, 2011), em que há mais de cem pronunciamentos nessa linha, retirados em seu maior número de revistas e de jornais seculares.

Texto originalmente publicado na edição 343 de Ultimato.