O Mineiro com Cara de Matuto passou o Carnaval de 2005 em Campina Grande, uma cidade de 355 mil habitantes surgida no final do século 17 em torno de uma aldeia indígena. Localiza-se na serra da Borborema, a 550 metros acima do nível do mar, entre a baixada litorânea e o sertão propriamente dito.

Areópago em Atenas, por Leo von Klenze (1846)

Depois de dar umas voltas pela cidade, o Mineiro se sentiu como Paulo em Atenas, na Grécia, lá pelo ano 50 da era cristã. Ao contrário do Rio de Janeiro e do resto do Brasil, lá não havia samba, não havia desfiles carnavalescos, não havia mulheres nuas nem seminuas, não havia carros alegóricos, não havia distribuição ostensiva e preventiva de camisinhas. Ao invés de entregar a chave da cidade ao rei Momo, o prefeito de nome e cabelos compridos, Veneziano Vital do Rego Segundo Neto, abriu Campina Grande para todos os deuses, até mesmo para o “Deus Desconhecido” (At 17.23), bem como para aqueles cuja religião os obriga a se autodenominarem ateus e agnósticos. Tudo isso a despeito de seu nome, Veneziano, lembrar o famoso Carnaval de Veneza. No hotel onde se hospedou, o Mineiro deu o folheto A Cruz Vazada para duas mulheres que tinham quase um palmo da cintura descoberta, mas não eram carnavalescas, e sim hare krishna e vestiam-se como as indianas.

O areópago da Borborema

Campina Grande é um gigantesco areópago montado não na colina de Ares, em Atenas, mas na serra da Borborema, na Paraíba. Para ali afluem, por ocasião do Carnaval, milhares de “tagarelas” (nome depreciativo que os atenienses deram a Paulo), uma espécie de camelô de ideias variadas (At 17.18).

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Mesmo sendo mau por natureza, egocêntrico, causador de injustiça social, responsável por todo ódio e guerras que há no mundo desde o início da história — o ser humano é admirável!

Ele pensa e fala. É capaz de falar muitas línguas, de famílias e ortografias diferentes. Mesmo cego é capaz de ler (com os dedos). Mesmo surdo, é capaz de ouvir (com os olhos). Mesmo deficiente físico, é capaz de participar de várias competições (com ou sem próteses).

Ele é capaz de abrir o corpo de alguém que acabou de morrer e retirar de lá o coração, o pulmão, o fígado, o estômago, o rim e colocá-los no corpo de outra pessoa, que de outro modo morreria quase em seguida. É capaz de fazer outros transplantes, de córnea, de pele, de ossos e até de cabelos.

Ele é capaz de curar o corpo e a mente por ter criado ciências como a medicina, a psiquiatria, a psicologia, a fisioterapia, a nutrição e a farmacologia. Ele é capaz de fabricar uma variedade quase incontável de remédios para aliviar a dor, para prolongar a vida ou para curar quase qualquer doença (nem em todos os casos).

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Quase a cada página, a Bíblia fala dessa realidade que comumente chamamos de pecado residente. Já se disse que “a história da salvação não é senão a história das tentativas incansavelmente repetidas por Deus para arrancar o homem do seu pecado”.

A inauguração do pecado na história dos seres humanos aconteceu em algum tempo após a criação dos céus e da terra. O pecado cometido por nossos primeiros pais ocasionou o rompimento da comunhão criatura-Criador e arrastou o casal e a humanidade inteira para o abismo e a desgraça do pecado residente (Gn 3.1-19).

Algum tempo depois dessa ruptura, chamada acertadamente de Queda, Caim é possuído de uma inveja incontrolável de seu irmão Abel, a qual o leva a cometer a primeira violência da história do ser humano (Gn 4.1-8).

Nos dias de Noé, o pecado se agrava de tal modo que a Terra se corrompe e se enche de violência (Gn 6.11). A inclinação é “sempre e somente para o mal” (Gn 6.5), a ponto de o dilúvio se tornar uma necessidade.

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O lançamento da série ULTIMATO 50 ANOS celebra meio século de publicação ininterrupta da revista Ultimato, bem como a vida e o legado do seu fundador, o pastor Elben César, autor das obras selecionadas, um ano após a sua morte. Trata-se da reedição de doze livros originais, com nova apresentação e identidade visual, que alimentaram mais de uma geração de cristãos.

Para conhecer os primeiros quatro volumes – Deixem Que Elas Mesmas Falem, Por Que (Sempre) Faço o Que Não QueroHistória da Evangelização do Brasil Súplicas de Um Necessitado – que apresentam a reedição das obras originais, com nova identidade visual, e misturam sabedoria bíblica e orientação prática para a vida cristã, visite o hotsite da série aqui.

 

Se você ainda não comprou o devocionário Cuide das Raízes, Espere pelos Frutos, e está pensando que não vale mais a pena porque, afinal de contas, já entramos em fevereiro, não desanime. Ainda dá tempo de aproveitar o conteúdo de fevereiro a dezembro. Há uma seleção preciosa de meditações diárias que você pode desfrutar.

Para você ficar animado, aqui está a meditação do dia 1º de janeiro:

Raízes na profundidade, frutos no topo

Uma das promessas de Deus ao rei Ezequias garantia que o remanescente da casa de Judá tornaria a lançar raízes na profundidade e produziria frutos no seu topo. (2Rs 19.30)

Raízes para baixo e fruto para cima. Essa é uma associação inquestionável. A raiz não depende do fruto, mas o fruto depende da raiz. A raiz permanece oculta, debaixo da terra, e o fruto eleva-se para o alto, à vista de todos.

A preocupação do cristão deve ser com as raízes e com os frutos. Ele precisa e pode dar muito fruto. Todavia se ele não se preocupar com as raízes, a árvore vai secar e será lançada ao fogo (Mt 7.19). É por meio das raízes que a planta se forma, alimenta-se, cresce e dá frutos. Elas se arrastam sob a superfície do solo até os veios d’água e deles se abastecem (Jr 17.8).

Não se pode dar mais importância ao fruto do que à raiz. O fruto verdadeiro é uma consequência natural da raiz. O segredo está na raiz. Na parábola do semeador, Jesus deixou bem claro que a semente lançada em solo rochoso perde-se por completo porque, ao sair a plantinha, o sol a queima. Por não ter raiz, a planta é de “pouca duração” (Mt 13.1-23). É a raiz que dá sustentação à planta.

Deixando de lado a alegoria, raízes na profundidade e frutos no topo significam seriedade no relacionamento com Deus. Significam piedade pessoal autêntica. Significam vida devocional rica. Significam compromisso permanente com o Senhor. Significam renúncia de tudo aquilo que atrapalha a comunhão com Deus. Significam ausência total de hipocrisia. Significam apego a Jesus Cristo. Significam confiança absoluta em Deus.

A tentação de se preocupar mais com os frutos do que com as raízes é enorme por causa da satisfação pública. Os frutos estão no topo e não na profundidade da terra. E a tendência humana é zelar mais pela aparência do que pela profundidade. Não obstante, o fruto, a quantidade de fruto e a qualidade do fruto dependem da raiz: “Se alguém permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto” (Jo 15.5).

Texto originalmente publicado no livro Cuide das Raízes, Espere pelos Frutos. Ultimato, 2017.

É óbvio que a marcha triunfal de Jesus começou imediatamente após a queda, quando Deus deu aos primeiros transgressores a boa e distante notícia de que o descendente da mulher feriria a cabeça da serpente, a causadora de todo o mal (Gn 3.15).

Continuou com a misericordiosa e soberana chamada de Abraão em Ur dos caldeus, alguns anos depois do dilúvio (Gn 12.1-3), a cujos descendentes foram confiados os oráculos de Deus (Rm 3.2).

Quando, na agenda da redenção, chegou a plenitude do tempo, Deus então enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido da descendência de Abraão, a fim de redimir os que estavam sob a lei, sob a dura lex, sob a condenação da queda, do pecado coletivo e do pecado pessoal, para que recebessem a redenção aqueles que o reconhecem como Senhor e Salvador (Gl 4.4).

Embora, segundo os critérios deste mundo, a marcha de Jesus rumo a Jerusalém, rumo ao Getsêmani, rumo ao Gólgota e rumo ao cemitério particular de José de Arimateia pareça uma melancólica e fatídica marcha fúnebre, ela foi, sem exagero algum, a mais difícil e a mais encantadora marcha triunfal de todos os tempos. Para chegar até a cruz, Jesus experimentou uma tristeza mortal (Mt 26.38), suou sangue (Lc 22.44), dispensou a interferência das doze legiões de anjos à sua disposição (Mt 26.53), negou-se a si mesmo (Mt 26.39), não abriu a boca e deixou-se levar para o matadouro (Is 53.7; Jo 10.18).

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