Se não rejeitamos os valores do eu e do autoengano por força, desejo ou ponderação, por que o fazemos?

Por Timóteo Fassoni

No mundo em que vivemos, somos constantemente assediados por sugestões enganosas que nos tiram do foco da fé no Messias; furtivamente, elas tentam brotar em nosso coração. Algumas vezes, afetam o que pensamos do nosso Senhor; outras, o que pensamos dos outros e de nós. Corremos sério risco de nos tornarmos pecadores acomodados. Facilmente caímos na tentação do autoengano: encontramos bons motivos para fazer o que não deveríamos. Convencemos a nós mesmos que não estamos pecando – ou, no melhor dos casos, de que não é um pecado tão grave – e nos permitimos viver assim.

Para alguns, o autoengano acontece na relação com as pessoas, ao permitirem-se faltar com o decoro e a educação argumentando: é necessário que fulano escute isto. Para outros, com a própria identidade, dando espaço à superioridade ou à inferioridade. Pode ser, também, viver uma vida sem intenso amor à oração e à Bíblia, como se fossem coisas secundárias, menos importantes que a rotina e o trabalho. Ou pode, ainda, ser a relação com a Igreja, deixando de ir aos cultos porque é difícil, porque só tem o domingo para descansar, porque há desacordo com as ideias da comunidade ou porque lá só tem hipócritas e inconvenientes – ao que um pastor e amigo meu responderia: sempre há lugar para mais um.

Se, de um lado, sobram motivos para nos acomodar, por outro, há somente um para sacudir o torpor. Não rejeitamos os valores do eu e do autoengano por força, desejo ou ponderação, mas pela revelação de que há uma proposta de Deus muito superior para nossa vida. Como coloca o autor de Hebreus de maneira inspirada: “é de perseverança que tendes necessidade” (Hb 10.36a).1 Diante das tão tentadoras sugestões, respondemos a nós mesmos: é de perseverança que precisamos.

É tema tão sério que o autor de Hebreus nos alerta que se vivemos assim, só nos resta a expectativa de julgamento e fogo consumidor (Hb 10.19-31). Examinemos nossos corações: temos nos enganado? Temos agido de modo indigno de Cristo? Cada um tem conhecimento de si e sabe contra o que deve lutar.

É necessário recusar as propostas transitórias deste mundo em nome da Aliança superior. No lugar de nos acomodarmos e ouvir a nós mesmos, façamos o exercício contrário: o de olhar firmemente para o autor e consumador de nossa fé. Vejamos a grande nuvem de testemunhas que nos cerca: pessoas comuns do presente e do passado, da história e de nossa comunidade, do Antigo e do Novo Testamento, que, perseverando, se opõem à indiferença, à insensatez, ao isolamento e à apostasia.

Façamos como Paulo: avancemos para aquilo que nos é proposto por Deus. É de perseverança que temos necessidade.

 

Nota:
  1. Paulus, 2020

 

  • Timóteo C. Fassoni, 24 anos, membro da Igreja Presbiteriana de Viçosa e pós-graduando em Física pela UFV.

 

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