Advento – Cristo em breve voltará e, com ele, virá seu Reino de Paz, Alegria e Justiça

Por Lucas Gonçalves

Você já reparou na verdade do título desse texto? É claro que ser cristão vai muito além de simplesmente “esperar”; mas, definitivamente, não está aquém disso. Agora que devo ter a sua atenção, quero desenvolver mais essa ideia. Vamos juntos?

Eu disse que ser cristão vai além de “esperar”. Digo isso baseado na definição de John Stott, que, em Como Ser Cristão, caracteriza prioritariamente um cristão como alguém que se relaciona com o Cristo bíblico. Ou seja, ser cristão abrange tudo o que envolva uma intimidade bíblica e piedosa com Jesus.

Porém, eu também afirmei que ser cristão não está aquém da espera. Veja só, desde Gênesis 1, passando por todos os patriarcas, profetas, sacerdotes, juízes, reis e demais heróis da fé, o testemunho bíblico aponta para um padrão claro e imutável: o nosso relacionamento com Deus é passivo — no sentido de que é ele quem vem até nós, vez após vez, enquanto o que nos cabe é apenas esperar que ele venha.

Esse padrão não é diferente para nós hoje. No passado, o Povo de Deus esperou que o Senhor viesse e cumprisse as suas promessas. Hoje, nós vivemos no privilégio de ter boa parte dessas promessas cumpridas em Cristo; mas, acompanhados dos demais fiéis, espalhados pelo tempo e pelo espaço, nós aguardamos a plenitude desses cumprimentos.

Esperamos pelo dia em que Céus e Terras se tocarão; em que o pecado, o mal e a morte serão plenamente eliminados. Esperamos pelo dia em que não sentiremos mais dor, medo, frustração, indignação; pelo dia em que não nos despediremos mais daqueles que amamos. Esperamos ansiosos pelo dia em que o nosso relacionamento com o Senhor será experimentado em sua totalidade — pelo dia em que seremos, portanto, realmente cristãos.

Evidentemente, essa espera não é passiva, no sentido de ser conformista ou negligente (tampouco, no sentido de ser pacata). Essa é uma espera ativa, como nos diz Marcos Almeida: “esperar é caminhar”. Neste momento, vivemos como quem espera o fermento fazer o pão crescer, o bolo assar, a semente de mostarda germinar e se tornar uma grande árvore.

É uma espera ativa, como as virgens em vigília à espera do noivo (segundo a parábola de Mateus 25.1-13). É uma espera que nos transforma progressivamente nas pessoas que viverão neste futuro Reino de Deus, participando no presente daquilo que o Senhor faz na sua Criação.

Considerando que ser cristão, neste contexto, é “esperar”, o advento possui um lugar de honra em nosso calendário litúrgico.¹ O advento é aquele momento que antecede a encarnação de Cristo, onde o Rei Conquista novamente para si o coração do seu povo e o governo de sua Criação. O advento é a contagem regressiva para que séculos de promessas se tornem o início do seu comprimento, para que os primeiros raios da manhã vençam a noite escura de nossas almas.

Eu não sei como foi 2021 para você – para mim foi caótico em vários níveis –, mas eu sei que Cristo em breve voltará e, com ele, virá seu Reino de Paz, Alegria e Justiça. Até lá, que tal exercitarmos a nossa fé, a nossa perseverança e a nossa paciência? Que tal esperarmos, acompanhados de todos os nossos irmãos do passado, do presente e do futuro, o Dia Que Será Para Sempre? Que tal, enquanto esperamos, ascendermos as luzes para aqueles engolidos pelas trevas do desespero presente?

Notas:

  1. Para se informar mais sobre o calendário litúrgico, ouça esse podcast do BiboTalk.

Leia mais:

» A espera pelo cumprimento das promessas
» Como me preparar para o Natal?

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