Gabriel Louback

Os 400 anos do “silêncio” de Deus foram quebrados com um casal especial: Zacarias e Isabel. Ambos seguiam os caminhos do Eterno e se dedicavam a Ele. Porém, como boa parte dos casais especiais da Bíblia, eles não podiam ter filhos, pois Isabel era estéril. Um dia, porém, um anjo do Eterno apareceu a Zacarias, dizendo que sua oração havia sido ouvida e que Deus daria a ele e Isabel um filho, que seria chamado João — o Batista (Lucas 1:5–17).

João acabaria sido conhecido por aquele que preparou o caminho para a chegada do Libertador prometido. Nessa época, Israel vivia sob o domínio do Império Romano. Nos séculos anteriores, vivenciou diversos momentos de exílio, quando boa parte da população era levada em cativeiro por outras nações. Isso foi despedaçando a nação aos poucos, sem Tabernáculo ou Templo, com locais de adoração espalhados entre as sinagogas de seu território.

Zacarias surge nesse cenário, anunciando que Deus estava prestes a cumprir a promessa dada a Abraão (Luc 1:67–79). Devido a esse contexto, o povo esperava a chegada de um Libertador que os livrasse das correntes de Roma, de um rei que governasse no trono de Jerusalém, que fosse de uma linhagem de nobre, talvez um grande mestre formado nas grandes escolas rabínicas.

Ninguém podia esperar, porém, que as correntes que ele quebraria seriam muito mais profundas; correntes que nos aprisionavam há milhares de anos, que nos mantinha escravos do pecado, de nossos caminhos perversos, e que agora estaríamos livres para encontrar o Eterno face a face e sermos chamados de filhos.

Ninguém podia esperar um rei que seria o maior exemplo de servo, que tinha prazer em entregar sua vida para que aqueles que não tinham nada agora possuíssem tudo o que nunca nem imaginaram.

Ninguém podia esperar o Deus Conosco nascendo de uma linhagem marcada por nomes tão desconhecidos e, dos conhecidos, nomes que escolheríamos esconder de nossa genealogia; um Deus que se identifica com nossas fraquezas e fragilidades.

Ninguém podia esperar um mestre como aquele, que interpretava a Lei como nenhum rabino havia feito antes, que incomodava os homens que mais conheciam e buscavam seguir a Lei, indo além da letra da Lei, mas apresentando o Espírito por trás dela.

Ninguém podia esperar por nada disso e, ao mesmo tempo, a Criação e a humanidade ansiavam por tudo isso, justamente por esse momento, mais do que tudo.

Estava próxima a hora do Messias chegar.
Estava próximo o momento do Libertador prometido habitar entre nós.

Publicado originalmente em Ninguém podia esperar. Reproduzido com permissão do autor.

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