Igreja em ação
Por Julia Gomes

Quais seriam as necessidades de nossos dias?

A pandemia jogou sobre mim inúmeras questões que precisavam ser respondidas, como a citada acima e outra que ficava ecoando em minha mente: “Qual o papel da Igreja?” ou melhor, “O que é ser Igreja?”.

Penso que, para nós, cristãos, não refletir sobre isso é um tanto difícil em meio a esta crise vigente.

Voltei meus olhos para a primeira igreja, que está registrada no livro de Atos. Verdade seja dita: é impossível não se apaixonar por aquela comunidade que pulsava o caráter de seu Senhor, Jesus. Aqueles cristãos “primitivos” ainda têm muito a nos ensinar.

Após analisar os adjetivos e as ações que caracterizavam aquela igreja, contrastei com as comunidades atuais que conheço. Algumas, é triste dizer, tornaram-se apenas instituições e perderam-se no meio da jornada. Mas tenho a alegria de contar de outras que lutam para ser relevantes e autênticas como a comunidade de Atos, a começar pela igreja em que frequento. Há uma beleza singular no servir, e provei disso.

Em dezembro de 2020, meus pais e eu contraímos a Covid-19, e minha mãe foi hospitalizada. A comoção de nossa comunidade, Igreja Presbiteriana do Calvário de Sorocaba, foi incrível: desde pessoas orando até gente perguntando se estávamos precisando que passassem nossas roupas ou de ajuda com compras no mercado.

Minha família se recuperou – graças ao bom Deus – mas o trabalho de nossa igreja não parou por aí. O fato é que o momento instável nos deu a oportunidade de servirmos ainda mais; cestas básicas simplesmente apareciam para doações, às vezes nem sabíamos de quem. Foi realizado um projeto para doações de marmitas para caminhoneiros quando restaurantes estavam fechados e estes não tinham onde comer; esperamos que com a entrega da comida, o coração tenha sido acalentado. Também escrevemos cartas para todos os profissionais de um hospital local, agradecendo, orando e os encorajando, os heróis da pandemia.

Ademais, não posso deixar de notar o árduo trabalho dos pastores e líderes para pastorearem os seus, seja aprendendo a utilizar vídeos chamadas para aconselhamentos e discipulados, como também para o ensino e alimento espiritual da comunidade. Houve erros, sim, com certeza. Lives sendo interrompidas por falha de conexão, vídeos travando. Entretanto, eles se fizeram presentes para nós. Eles se adaptaram por nós. Logo, os membros das comunidades também devem se adaptar para continuarem ativos e servir como podem. Nosso Deus é criativo, se você não sabe por onde começar, peça direção a ele e converse com sua liderança para saber onde seu empenho pode vir a ser útil.

“E lhes disse: ‘A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita’” (Lucas 10.2).

Com esta experiência, compreendi que Igreja é ser e, também, estar. Ser como o Cristo, a anunciar seu evangelho, amar o próximo e obedecer ao Pai; bem como estar presente onde é preciso estar, e o local é exatamente onde Deus a colocou, a fim de ser relevante, pulsando o caráter de Jesus. Igreja, do mesmo modo, é responder as necessidades do tempo em que está inserida. Podemos não ser igualmente como a comunidade de Atos, no entanto, é necessário inspirar o fôlego da origem, para expirarmos a fragrância do Espírito, aquele que tem poder e traz o consolo. Nosso mundo tem de encontrar seu Criador, sendo assim, nós devemos ser Igreja.

 

  • Julia Oliveira Gomes, 18 anos. Estudante, acabou de concluir o ensino médio. Leitora voraz, ama C. S. Lewis e é fã de Star Wars. Gosta de música e tem paixão por piano.

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