Por Timóteo Neves

Há muitos anos atrás disse: eis-me aqui!

A partir dos meus 12 anos eu comecei a ver a minha vida como uma grande aventura. Até então, tinha morado desde minha infância em Jataí, uma cidade no sudoeste de Goiás, mas daquele ponto para frente minha família voou longe dali. Primeiro nos mudamos para a África do Sul, aonde passamos 1 ano aprendendo inglês, e depois nos mudamos para o Líbano, onde estamos por quase 10 anos.

Eu e meu irmão fomos lançados em anos escolares decisivos no Líbano. Eu comecei no 1º ano do ensino médio, e tive que encarar matérias que eu sabia muito pouco como química, física e matemática em uma língua que eu não sabia quase nada: o libanês. A língua oficial da escola era o inglês, mas a maioria dos professores e colegas ao meu redor falavam uma salada de frutas de inglês, árabe e um pouco de francês, que é o normal do país. Foi um desafio muito grande passar aquele ano letivo, e eu desenvolvi um trauma da língua local.

Era claro para mim que tinha muito mais potencial na área de humanas; porém, o que eu não sabia era como Deus me apontaria justamente para a área de línguas. No meu último ano de escola queria fazer design gráfico, e depois decidi fazer literatura inglesa por sempre gostar de ler e escrever. No final das contas, fiz linguística em inglês com licenciatura, e não literatura. Minha motivação tinha sido bem simples: permaneci no Líbano porque achei mais viável ficar perto de meus pais, escolhi linguística porque as matérias me chamaram mais atenção do que literatura e escolhi uma universidade cristã porque ela tinha reputação na área de inglês. Porém, Deus estava me guiando com essas decisões.

Fazer linguística em inglês me ajudou a aprender mais sobre a língua libanesa e a superar o trauma que tinha, me ajudando a desenvolver uma paixão maior pelos libaneses. Além disso, como a universidade era cristã, eu tinha a companhia de outros jovens que compartilhavam a minha fé em cultos semanais e estudos bíblicos. Nessa época, eu não estava mais morando com meus pais, então senti um chamado para servir a Deus de uma forma mais individual.

O versículo que sempre tive em mente é um que Paulo deixou ao meu xará alguns milênios atrás em 1 Timóteo 4.12 – “Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” Sendo brasileiro (e alto), eu sempre chamava atenção nos grupos em que fazia parte, e tentei usar essas oportunidades para espelhar um caráter cristão. Durante os últimos anos eu me envolvi com diversos grupos e ministérios: o LIVF Líbano, que trabalha com jovens universitários no país, o de estudos bíblicos para céticos em Beirute, o de jovens cristãos da minha universidade e o de filhos de missionários organizada pela Philhos (AMTB).

Sei que minha vocação é na área de ensino de línguas e na área de escrita. Por enquanto não tenho um chamado para algum lugar específico, e mesmo agora que completei meu curso não sei onde estarei nos próximos meses. Porém, o que aprendi é que o primeiro passo é se dispor a servir. Assim que nos dispomos, Deus já começa a usar tanto as nossas habilidades como os nossos traumas e fraquezas. Há muitos anos atrás disse: eis-me aqui! Hoje vejo como Deus guiou minhas decisões e me usou por onde passei. Ainda repito: eis-me aqui! Estou pronto para continuar a aventura.

  • Timóteo tem 23 anos e é bacharel em linguística em Inglês.
  1. “Porém, Deus estava me guiando com essas decisões.”
    Ler essa frase me lembrou como podemos e como é bom descansar no Senhor de nossas vidas que guia nossas decisões.
    Obrigada por escrever Timóteo.

  2. Rosa Maria de Oliveira del Pino

    Gostei muito do seu testemunho Timóteo, nós os pais missionários por vezes no sentimos culpados pelos traumas trasculturais dos filhos, mas al final Deus usa tudo e até os traumas para trabalhar na vida dos seus filhos! 🙏🏻

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