Por Daniela Piva

O céu de outono de 2020. Arquivo pessoal da Daniela.

Um pedacinho do céu. Esse foi o nome que minha irmã deu a uma das torradas que fiz nessa quarentena, nada mais do que pão caseiro com catupiry assado e alho frito. É uma delícia mesmo. E esse o seria nome do café que sonhamos em ter quando a gente se aposentar. Ficamos pensando em nomes de pratos e receitas que poderíamos fazer. Sonhos, quantos sonhos.

Céu, quanto céu.

A verdade é que sei muito pouco sobre o céu e não tenho tanto interesse em estudá-lo teologicamente. Mas o que gosto de fazer é sonhar e imaginar como será lá. Imaginação é uma coisa linda, afinal foi Deus quem nos deu. Penso que vamos ter trabalho no céu, já que existia trabalho antes da queda. Mas a diferença é que o trabalho no céu será com o propósito certo, eu acredito que terá a ver com nossa essência mais pura.

Sendo assim, eu gosto de imaginar que serei do time de cozinheiros e hospitaleiros, aqueles que acolherão com abraço e com pão. Aqueles que receberão os trabalhadores dos campos, virão sentar todos à mesa para comer com nosso Senhor. E é daquelas mesas de madeira linda, de picnic, que não tem fim nem começo, toda redonda, de coisa sobrenatural mesmo. Lá todos estarão sempre sentados, sempre haverá espaço para mais alguém. Ao mesmo tempo, estaremos todos ao lado de Jesus, olhos nos seus olhos.

Céu, só no céu.

E teremos pão caseiro, flores nos vasos, frutas dispostas, torta de maçã da Alicia, suco de limão com capim santo geladinho na medida. Parmesão reggiano inesgotável, vinho italiano, chileno ou sul africano, azeitonas zapatta, brie, fondue, merengue da vovó Linda, mel, nozes, castanhas, tapioca, pão de queijo de Minas, puxa puxa da tia Pati, e sorrisos fartos com a chegada do café.

E os cheiros então, aromas de encher o coração de uma fornada infinita de pães celestiais, e cookies de canela. Abraços, sorrisos, toques e afetos não faltarão. E não, não teremos dólar alto, colesterol desregulado, diabetes alterada, nem obesidade e muito menos coronavírus.. Afinal, estaremos no Céu, não é mesmo? Onde a morte e a vida se tornam unidas pela mesma linha.

Ah, que gostoso pensar no céu. Que imagens mais lindas que eu gosto de sonhar.

Ao mesmo tempo, também fico me questionando se não podemos trazer um pedacinho do céu para o nosso todo dia aqui na Terra.
Um pedacinho do céu pra mim é quando trato alguém cheia de afetos.
Um pedacinho do céu é olhar para as florzinhas do meu chá de camomila, tão perfeitas, tão pequenas, tão lindas em simetria, que sou obrigada a sussurrar uma oração de gratidão.
Pedacinho do céu ao carregar a Dudinha no colo, a recém-nascida da família, e saber que diante de sua perfeição de bebê, só existe paz dentro dela.
Um pedacinho do céu ao olhar para o pôr do sol de outono e todas as suas cores quentes, e receber essa chuva do amor de Deus.
Pedacinho do céu ao estender a mão ao outro e ajudá-lo a sair do buraco.
Um pedacinho do céu ao conseguir perdoar alguém que me fez muito mal, e junto com o Criador conseguir seguir caminhando pra frente.
Um pedacinho do céu quando eu deixo de pensar só em mim e penso em todos, principalmente naqueles que têm menos.
Pedacinho do céu ao deixar de lado as agendas políticas e conseguir olhar para o humano, todo ser humano.

Um pedacinho do céu quando todos se reúnem à mesa e o tempo parece parar…

Ah, quantas saudades… A gente se encontra em breve. Até lá, viva os seus pedacinhos de céu, e eu te encontro nos meus.

  • Daniela Piva é psicóloga. Filha do Criador. Psicodramatista. Viajante do mundo por chamado e paixão. Escritora e Artista amadora. Curiosa e questionadora. Cozinheira por hobby. Aprendiz da vida. Em busca de uma vida mais saudável de corpo, alma e espírito. Texto publicado originalmente em seu blog pessoal.

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