Por Ioná Nunes

Quando minha amiga confessou que pedia a Deus para casar antes de Jesus voltar, eu não segurei o riso. Há quatro anos tivemos essa conversa e eu sorri porque pensava a mesma coisa e de nervoso, porque nunca admitiria isso. E não é que ela casou antes de ele voltar mesmo? É mãe de uma garotinha linda chamada Alícia.

Em tempos de pandemia, esse pensamento voltou à minha cabeça e, diferente da primeira vez em que o tive, não fiquei desesperada – eu tinha o amor romântico como ídolo e nem sabia ainda -, eu fiquei feliz. Feliz porque logo encontraria o meu noivo e não tinha a menor possibilidade de estar com ele não ser a melhor coisa que podia me acontecer.

Nosso coração é uma fábrica de ídolos e o principal deles entre as moças é o amor romântico. Basta observar o tema das rodas de conversas de adolescentes e jovens. Tim Keller, em seu livro Deuses Falsos, sugere um exercício simples e que pode mostrar que a boca realmente fala daquilo que o coração está cheio: para onde sua mente vai quando está vazia? Em que direção ela vai? Isso é tão revelador quanto constrangedor. Confesso que quando pedi a Deus que me ajudasse a fazer isso, fiquei envergonhada por perceber que uma maçã poderia me fazer pensar no amor romântico. É cômico e trágico, mas mostrou o quanto eu estava obcecada por isso e como Cristo não era suficiente.

Sentei com duas moças sábado passado e uma delas já tinha sido noiva duas vezes e a outra nunca esteve em um relacionamento sério. No meio delas, no sofá, fiquei tão incomodada com o fato de o amor romântico ser o tema central da conversa. Mas me reconheci nesse discurso. Deus não me fez ficar inquieta porque sou melhor ou mais madura do que elas e sim porque queria que, em amor, eu lhes falasse que somente Ele pode preencher nosso coração e dar propósito às nossas vidas.

Li em algum lugar que “são os desejos do homem que o matam”. Se trouxermos essa frase à luz da escritura, encontramos verdade nela. A própria Bíblia afirma que Deus sabe quais são nossas necessidades antes mesmo de falarmos para Ele. O que seriam os desejos? Aquilo que queremos e não precisamos, e sem sombra de dúvidas, eles podem estar desalinhados com o Senhor quer para nós. Porque somos maus, idólatras e ao invés de assumir a posição de Cristo e servir a Deus, queremos ser servidos.

Você está dizendo que é errado desejar casar e constituir uma família? De forma alguma, pois eu mesma tenho esse desejo. Então o que você está dizendo? Que o nosso coração é enganoso e que o que aos nossos olhos pode parecer um inocente sonho, não passa de idolatria. Que algo permeia nossos pensamentos 24h, aquilo é o nosso deus. Que se a nossa boca fala apenas de um assunto, é porque ele é prioridade e provavelmente o centro da nossa vida.

Somos seres sociais. É normal ansiarmos por conexão. É normal querermos ser amados. Mas algo precisa ser esclarecido: Deus é único que pode dar significado à nossa existência e nos completar. Você não será completa apenas quando tiver um marido, filhos e uma casa. Somente o grande EU SOU, pode dizer quem sou. E Ele diz que fomos criados para a sua glória. Se Ele quer que façamos isso quando estivermos casados, quando formos pais. Mas se Ele quiser nos ter só para si, assim o fará. Não é extraordinário saber que Deus, o Criador, seu pai e único bem, lhe fez com o fim último de amá-lo sobre tudo e todos?

C.S. Lewis, como alguém que já tentou satisfazer-se com prazeres terrenos e/ou efêmeros diz: “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que fui feito para um outro mundo… Se nenhum dos prazeres terrenos é capaz de satisfazê-lo, isso não prova que o universo é uma fraude… Provavelmente os prazeres”. A citação é autoexplicativa. Nem o prazer de casar, de amar outro ser e ser amado por ele, nem a honra de dar à luz e o privilégio de criar uma criança nos caminhos do Senhor é mais prazeroso e satisfatório do que o próprio Deus.

Podemos glorificar o Senhor sendo solteiros ou casados, Ele mesmo se encarregará disso. Em seu livro Uma Paixão Consumidora por Jesus, John Piper fala o seguinte: “Deus é mais glorificado em nós, quando estamos mais satisfeitos Nele”. Dito isso, meu desejo é que você deixa que o Senhor sonde seu coração, traga à luz seu ídolo e o substitua por Ele mesmo. Oro para que você case e O glorifique com essa aliança, se essa for Sua vontade; que o Eterno leve cativo todo pensamento e fortaleza que se oponha ao fato de você satisfazer-se Nele. Na presença do Senhor há um rio de delícias e plena alegria em sua presença, que você se aproprie dessa verdade e a viva!

  • Ioná Nunes, 24 anos. É jornalista e congrega na Igreja Cristã Evangélica.

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