Por Cássia de Oliveira

Ao contrário do senso comum, ser um jovem prodígio tem seu lado negativo. Lidar com o sucesso tem seus desafios e as expectativas externas impostas são bem pesadas. Há também algumas armadilhas pelo caminho que podem fazê-lo cair e se perder na confusão que é lidar com o próprio brilhantismo.

O jovem considerado um prodígio é alguém que nasceu com algum talento ou inteligência que o destaca dos demais. Geralmente cresceu ouvindo que um futuro esplêndido o esperava, cheio de grandes feitos.

Com esse tipo de jovem, tudo é grande, nada é pequeno. Inclusive as expectativas alheias. Apesar de toda a adoração e admiração que os outros lhe presenteiam, existe uma pressão velada de ser criteriosamente perfeito em tudo o que faz.

Todos esperam que o extraordinário jovem tenha um alto rendimento constante e crescente em sua vida. Não existe margem para o fracasso. Perdas e falhas, comuns na trajetória de todo ser humano, se tornam inadmissíveis. Quando intempéries o atingem, causa um espanto geral.

Embora a admiração e apoio dos outros sejam sinceros e receptivos, inconscientemente geram altos níveis de autocobrança e perfeccionismo no jovem promissor. São tantas profecias de êxito e glória, que quando ele erra, acaba se culpando e passa a ter um medo irracional de decepcionar os outros.

A preocupação com o que outras pessoas pensam sobre ele é tanta que acaba imergindo em si mesmo, num esforço ilusório de ser perfeito e agradar a todos. É aí que entra num terreno perigoso; de tanto olhar para si mesmo, procurando excelência, se torna refém de apreço e aplausos. Assim como Narciso, não consegue desviar o olhar do próprio reflexo nas águas da vaidade. E o pior: corre o perigo de cair na armadilha do orgulho, do egoísmo e, por fim, do narcisismo.

A saída para essa enrascada é silenciar as vozes dos outros sobre quem somos. Entregar os pesados fardos das expectativas sociais aos pés de Jesus, reconhecendo nossas limitações humanas e nossa pequenez diante de um Deus grandioso. E desviar o olhar do casulo interior que nos confinamos e fixar os olhos em Jesus.

Nada é tão libertador como reconhecer nossa miséria e vulnerabilidade. Esquecer-se de si mesmo e voltar a focar no Salvador traz alívio e descanso para nossa alma afadigada. O amor de Deus por nós não está condicionado com desempenho e com o quanto conquistamos nesse mundo. Deus nos ama porque Ele é misericordioso e bom. Nada é sobre nós, tudo é sobre Ele.

Tudo o que somos é graça às misericórdias de Deus. Todo nosso ser é dele. Tudo o que fazemos deve ser para glorificar seu nome. E quando formos tentados a se achar bom lembremos o que Jesus disse: “Ninguém é bom, senão um, que é Deus”. E cantarolemos com Victorino Silva:

Tudo o que sou e o que almejo ser, eu devo a ti

E se o aplauso eu receber, no calvário irei me gloriar

A Deus seja a glória.

 

Sou como um prodígio para muitos, mas tu és o meu refúgio forte.” – Salmo 71:7

  • Cássia de Oliveira, 26. Jornalista formada pela UFRGS, noticiando boas novas. Fã de Jane Austen, defensora dos direitos das mulheres e cristã com senso crítico até dizer chega. Congrega na Assembleia de Deus de Guaíba/RS.

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