Por Jeferson Cristianini

“Tudo mudou”. Essa foi a frase da moça que trabalha no caixa do banco aonde tenho conta. Fui pagar algumas contas e sacar um pouco de dinheiro em 19/03/2020, e a agência estava vazia. O segurança deixava duas pessoas entrarem após duas pessoas saírem, e a agência tinha apenas alguns poucos funcionários. Ao ser chamado, vi só caixas vazios e apenas uma moça atendendo. Creio que ela percebeu meu olhar de espanto. Nos comunicamos mesmo quando não falamos.

A moça disse “tudo mudou” e começou a relatar como sua rotina pessoal e profissional estava diferente. Enquanto ela me atendia, eu ouvia os relatos daquela mulher, que dizia que sua vida foi revirada. É verdade que as mudanças nem sempre, ou quase nunca, nos dão avisos. Uma situação como essa que estamos vivendo, de pandemia viral, mexe com nossa vida e certamente nunca mais viveremos da mesma forma.

É claro que as pessoas que estão olhando esse cenário caótico e têm um pouco de consciência estão valorizando muitas coisas que eram julgadas banais no cotidiano, e estão desvalorizando tantas outras coisas e buscas que agora não fazem nenhum sentido. Não podemos generalizar, mas muitas pessoas- a grande maioria- está refletindo muito sobre o que de fato importa, sobre quais valores temos alimentado, estão repensando seus objetivos, e quais pessoas amam de fato.

É verdade, também, que muitos estão “correndo atrás do vento”, como nos diz o sábio Salomão. Ou seja, estão correndo atrás de coisas efêmeras e sem valor eterno, e seguindo o fluxo do mundo, sendo guiados pelos princípios secularizados de recursos financeiros, carreira promissora, fama, vida luxuosa de ostentação e etc. Outros estão pensando no tempo em que poderiam ter dedicado aos filhos, ao cônjuge, à igreja local, aos pais, à saúde. A verdade é que o coronavírus mudou tudo para muita gente.

O coronavírus mudou a rotina. Mudou o rumo da vida das pessoas, que agora estão preocupadas ao extremo, vivendo e alimentando ansiedade sem saber onde se segurar. Mudou o ritmo das cidades, o ritmo das informações. Mudou a forma de nos relacionarmos com nossos familiares queridos, a forma de prestarmos cultos a Deus, que agora tem que ser online. Mudou nossos hábitos de compra. Mudou a maneira como lidamos com o tempo. A moça do caixa da agência bancária tinha razão, muita coisa mudou.

Mesmo vendo e sentindo a mudança de muitas coisas, como cristãos, precisamos (re)visitar nossa cartilha doutrinária que nos ensina que Deus é Soberano. Nós fomos surpreendidos com a pandemia do coronavírus, Ele não. Nós estamos sofrendo com todas essas modificações em nossa vida e rotina, e teremos que nos adaptar ainda mais, mas o Senhor continua sendo Deus.

A pergunta “por que Deus permite o sofrimento?” volta à tona. A discussão em torno de “se Deus é bom, por que Ele permite o sofrimento humano?”, já respondida pela Bíblia, emerge dos lábios daqueles que ainda não creem nas Escrituras. Os cristãos que conhecem e manejam a Palavra da Verdade, sabe que Deus continua no mesmo lugar: no trono. Deus continua amando a humanidade caída e perdida, que dá as costas ao seu Criador. Deus está ao lado daqueles que têm seus corações quebrantados e que O buscam.

Muita coisa mudou, Deus não. O amor de Deus não mudou, continua sendo um amor eterno. A graça de Deus não mudou, continua sendo o favor imerecido que nos garante a salvação de nossa alma. Ela continua sendo derramada sobre “justos e impuros”, assim como o sol e a chuva (cf. Mateus 5:44 e 45). A misericórdia de Deus não mudou, continua sendo abundante a cada amanhecer, e por Suas misericórdias não somos destruídos e aniquilados (cf. Lamentações 3:22). O perdão de Deus não mudou, continua disponível para aqueles que aceitam o evangelho redentor e remidor de Jesus Cristo, nosso Senhor. A absolvição do pecado não mudou, continua produzindo liberdade nos que creem em Jesus, pois os salvos sabem que “agora, nenhuma condenação há para os que estão Cristo Jesus” (Romanos 8:1).

Muitas coisas mudaram, e outras ainda mudarão, mas Deus permanece fiel (cf. 2 Timóteo 2:13). Deus não mudou. Mesmo sendo infiéis, Deus permanece fiel. Deus continua nos amando. Que nesse caos e desespero, voltemo-nos todos para Ele. O Senhor estará lá, como sempre esteve, nos esperando de braços abertos, como nos ensinou Jesus na parábola chamada do filho pródigo (cf. Lucas 15:20). Muito mudou, mas segundo Jesus, nenhum pardal cai sem a permissão de Deus, e que o Senhor conta os fios de cabelo de nossa cabeça. Muito mudou, e o nosso Deus continua Soberano. Nada mudou. Que segurança isso traz a alma aflita, agitada e vacilante!

  • Jeferson Rodolfo Cristianini é pastor da Igreja Batista Nova Canaã Sorocaba.

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