Por João Vinícius

Fake News. Se existe um termo que ganhou a boca do povo nos últimos meses foi este. Na última semana, o termo atingiu picos de pesquisa no Google nunca antes registrados no Brasil. Este aumento deve-se principalmente as acusações feitas pelo jornal Folha de São Paulo, que, na última semana, denunciou um suposto esquema de empresários que financiam uma das campanhas presidenciais através de promoção de notícias falsas.

O tema não é novo. Quem não lembra a corrida presidencial dos Estados Unidos, quando o ainda candidato Donald Trump excalamava “You are fake news!” para os seus adversários da imprensa? Fato é que acusar os outros de mentira enquanto você se porta como o bastião da verdade se tornou uma arma poderosa para chegar ao poder.

Entretanto o que me chama a atenção nesse cenário é a facilidade pela qual as notícias falsas ganham espaço nos ambientes cristãos. Infelizmente é comum vermos notícias como estas sendo compartilhadas e replicadas em diversos grupos e páginas nos quais a maioria é formada por cristãos. Muitas vezes o compartilhamento é movido pelo ideal de confirmar um viés já definindo (já que eu não gosto de fulano e essa notícia queima o seu filme, vou compartilhar) e ai de quem ousa frustrar o encaminhamento de uma notícia dessas com um link que a desmascara.

Mas os cristãos não devem ser assim. Nós somos agentes da verdade.

Desde o Antigo Testamento percebemos que o povo de Deus é um povo reconhecido pela virtude da verdade. O justo, aquele ou aquela, que reconhece a sua vida diante de Deus, despreza a mentira (Pv 13.5) e vive com integridade (Sl 15.2).

No Novo Testamento, Cristo reconhece a si mesmo como a própria verdade (Jo 14.6) e é na verdade das suas palavras e ações que o cristianismo se estabelece. As boas notícias anunciadas pelos quatro cantos do mundo são as notícias verdadeiras sobre o reino que se iniciou por Aquele que é a verdade e verdadeiramente resusscitou. Este é o Reino da verdade.

Por outro lado, a mentira é destruição (Sl 5.6) e também a arma daquele em quem não há verdade alguma. Quem utiliza-se de mentiras para tentar convencer as pessoas de suas ideias é aquele que é mentiroso desde o princípio (Jo 8.44) e que promove o império da mentira. Este império tem como sua lei ter as coisas sobre o seu próprio controle, e para isso precisa manter os seus enredados em mentiras e enganações para que o seu poder se consolide.

Só que essa não é a lógica em que opera o cristão. Pertencemos ao reino da verdade e não ao império da mentira.

Isto dito, o que temos é uma exortação pela honestidade. Uma vez que somos agentes da verdade não somos mais reféns da mentira. O domínio ao qual pertencemos e o Rei a quem servimos exige que a verdade esteja sempre em nossos lábios e dedos e para isso quero deixar dois conselhos:

Ainda que você não concorde ou ache que aquela notícia vai provar muito o seu ponto: desconfie, cheque as fontes, valide as informações e só então, compartilhe. Se você passou algo pra frente que não era verdade, peça perdão e diga a verdade. Se você não pediu perdão, sua identidade é de refém da mentira e não de agente da verdade.

Busque discernimento sobre aquilo que você compartilha. Pertencer ao Reino da verdade implica em não se alegrar com o mal e em lutar pelo bem. Pergunte a si mesmo: Se isso é verdade, o que eu posso fazer diante dessa situação? Um exemplo: Se a crise de alimentos na Venezuela é tão cruel quanto parece, o que eu, como um agente da verdade e servo de Deus posso fazer em relação a isso? A verdade sempre exige uma responsabilidade e cobra uma atitude. Pense em como você deve responder a ela.

Não caia no conto sedutor das notícias falsas. Não busque orgulhar-se em mentiras e nem provar o seu argumento pela falsidade. Evidencie que você pertence a Deus através de uma vida que rejeita a falsidade e luta pela verdade. É por causa da verdade que estamos aqui e é pela verdade que seremos reconhecidos.

Publicado originalmente no blog Cristão Tupiniquim

• João Vinícius, 26 anos. Sul-matogrossense, nascido e criado em Campo Grande e nas terras pantaneiras dos sonhos guaranis. Agraciado pela benção do chá gelado de Ilex paraguariensis (mais conhecido como tereré).

 

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