Por Amanda Almeida

Ontem, depois de dizer “Pai, não há nenhum outro deus em quem eu confie além do Senhor”, parei minha oração no meio e me perguntei se aquilo era verdade mesmo.

Não adoro a outras divindades como as de religiões gregas, egípcias, africanas e nórdicas, nem atribuo características místicas ao sol, à lua, ao mar. Não peço para que nenhum santo interceda por mim, nem me agarro a objetos ou a costumes supersticiosos.

Mas vira e mexe parece que meu coração só vai deixar de ficar atribulado se eu tiver certeza de como será o futuro. Um constante desejo meu é o de poder espiar dois meses, dois anos, duas décadas lá na frente, e então poder ficar tranquila ao voltar pra hoje, sabendo como tudo vai desenrolar.

Isso é o contrário do que Deus pede que eu exerça em fé, o “firme fundamento das coisas que se esperam”. Isso é confiar nas coisas desse mundo e não em Deus. Jesus mesmo alerta: “Não busquem ansiosamente o que hão de comer ou beber; não se preocupem com isso. Pois o mundo pagão é que corre atrás dessas coisas; mas o Pai sabe que vocês precisam delas” (Lc 12:29,30).

Seja o que for que vá acontecer nesses dois meses, dois anos, duas décadas lá na frente, o que preciso é caminhar hoje e a cada dia depois desse realmente confiando apenas no Senhor. Ainda que eu faça planos, não é com eles que devo contar. E mesmo com o melhor dos planejamentos, ainda não sei como será o futuro, mas sei que Deus sabe do que preciso, em todas as áreas da vida.

Essas “coisas dessa terra” não são outro tipo de divindade idolatrada em um sistema religioso, mas deixo de glorificar a Deus quando coloco minha confiança nelas tanto quanto se minha esperança estivesse depositada em Baal, por exemplo.

Nosso orgulho e vaidade, nossa carreira e estabilidade financeira, nossos sentimentos, o sonho de uma família… tudo isso e muito mais pode se tornar, pegando emprestado o termo de Tim Keller, um deus falso, tomando o lugar de dependência e segurança que deve ser só de Deus em nossos corações.

Observem como crescem os lírios. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé!” (Lucas 12:27,28).

Sei que minha fé é pequena, ainda menor que um grão de mostarda. Mas que, mesmo nessa pequenez, ela esteja firmada somente em Deus. E se a cada dia eu me lembrar de que “não sei como será o futuro, mas sei que Deus sabe do que preciso”, talvez ela cresça um pouquinho.

  • Amanda Almeida tem 25 anos, é formada em Comunicação Social e mestre em Estudos de Linguagens.
  1. Bacana o texto! Num momento oportuno diante do cenário político das eleições onde o falso deus do governo nos causa transtornos e ansiedades. Que nosso coração se agarre e descanse apenas em Deus.

  2. Oi Amanda, seu texto é bem real.
    Em algum livro, o querido Henri Nouwen diz que o nosso Deus “…defies all our calculations and predictions.” É nesse Deus vivo, dinâmico, soberano e responsável que podemos confiar. Um abraço!

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