*Conteúdo “Especial” da edição 374 da revista Ultimato

 

Cresce o número daqueles que intencionalmente não se ligam a uma igreja ou que deixaram as igrejas que frequentavam. Estima-se que sejam quase 10 milhões. Este grupo não é homogêneo. Há desde os que deixaram a igreja por terem sofrido decepções com a liderança aos que se apegam a uma teologia que ataca a igreja institucionalizada. 

Esta realidade está relacionada também ao modo de vida na sociedade contemporânea. Em todo o mundo a quantidade dos “sem-igreja” cresce em países secularizados e também em cidades maiores de países que ainda possuem maioria cristã, como o Brasil. 

Stott usa uma palavra dura para descrever a situação dos crentes que estão fora da Igreja: “anomalia”. Nelson Bomilcar, autor de Os Sem-Igreja, declara: “Continuo acreditando na igreja do Senhor. Estou na igreja porque fui colocado nela pelo Espírito Santo. É possível viver o evangelho na comunidade, apesar de todas as suas ambiguidades, para balizarmos aqui e ali sinais do reino de Deus”. Ultimato reafirma que a igreja é projeto de Deus (veja matéria de capa). Mas, ao mesmo tempo, quer se aproximar com misericórdia dos sem-igreja e entender melhor este universo. O debate entre “igrejados” e “desigrejados” assumiu contornos de polarização. Há zombarias, desrespeito, acusações generalizadas e falta de amor cristão entre os dois lados. A reação dos crentes deveria ser outra: “Quando um irmão se afasta da igreja, devemos lamentar e sentir saudades” (Lissânder Dias). Ultimato publica as respostas de oito entrevistados que já estudaram o fenômeno, acompanharam pessoas fora da Igreja e que até viveram a condição de desigrejados.

Quais são os tipos de desigrejados?

Idauro Campos – São dois os tipos principais: os decepcionados e os críticos do sistema. Os decepcionados deixaram de congregar por alguma decepção pessoal ou institucional. Trata-se de decepção pessoal quando envolve a relação direta com a liderança (pastores, bispos, “apóstolos” etc.), geralmente marcada por “abuso espiritual”, expressão empregada por Marília de Camargo César no livro Feridos em Nome de Deus (Mundo Cristão). Os críticos do sistema são aqueles desigrejados que afirmam não possuir decepção alguma, mas que explicam sua deserção institucional por meio da compreensão que alcançaram de que a institucionalização da igreja, com seus templos, liturgia, programas, nada mais é do que um empreendimento humano sem relação com o evangelho.

Um desigrejado perguntou se, em vez de o foco estar na ação de abandono à igreja, não deveria estar nos motivos pelos quais “miríades de pessoas estão abandonando a canoa furada do que se denomina cristianismo”.

Idauro Campos – Sim. Os quase 10 milhões de desigrejados no Brasil devem levar as lideranças a pensar nas razões que levaram tantas pessoas a deixarem as congregações. Explicar o fenômeno do “niilismo eclesiástico” apenas de forma superficial, como, por exemplo, classificar os desigrejados como “gente complicada” ou “falsos crentes” não resolve o problema. Muitas vezes a igreja institucional dá causa à deserção.

Como se alimentam espiritualmente os desigrejados?

Idauro Campos – Geralmente fazem suas reuniões com irmãos na mesma situação. Mas há também aqueles que não querem nenhuma relação com encontros para adoração. Seguem sozinhos, com suas leituras e vídeos na internet. Há trabalhos acadêmicos que tratam da espiritualidade dos desigrejados nas redes sociais.

Os desigrejados são parte da “igreja virtual”? As novidades em tecnologia contribuíram para o aumento das pessoas que deixaram suas igrejas?

Marcos Botelho – Acredito que a tecnologia seja apenas uma fatia do bolo, uma parte que ajudou nesse fenômeno, pois hoje todos podem ter acesso às melhores pregações on-line, que provavelmente sejam melhores do que a pregação que uma pessoa ouviria em uma igreja perto de sua casa. Mas há também outras causas: uma geração desacreditada de qualquer tipo de instituição; um fenômeno pós-neopentecostais, em que milhares de pessoas decepcionadas com a teologia da prosperidade saíram dessas igrejas e não se engajaram em outras; e, por último: como crescemos muito numericamente, é normal parte de nós continuar acreditando no que acreditamos, mas não sentir necessidade de congregar semanalmente em um lugar; simplesmente alguns não sentem falta e não vão a uma igreja.

A maior parte dos que deixam a igreja são jovens. Este abandono tem a ver com os conflitos geracionais ou com o perfil da juventude?

Marcos Botelho – Um levantamento feito pelo Ibope, para o jornal O Estado de São Paulo, mostra que, no final de 2012, 56% das pessoas diziam não ter preferência partidária, contra 44% que apontavam preferência por alguma legenda; isso acontecia pela primeira vez desde 1988. Podemos pensar que isso esteja ocorrendo por causa dos escândalos políticos dos últimos tempos. Pode até ser, mas essa pesquisa veio antes da Lava Jato e todos esses escândalos, por isso acredito que nessa geração emergente está surgindo um pensamento que vai além de abandono de uma legenda partidária. Vejo cada vez mais um desapego das instituições organizadas e um apego ao que chamo de causas primárias. A cidade ganha importância, a união perde; o time de futebol ganha, a seleção perde; o ensino informal cresce, o ensino formal cai; o ministério de uma igreja ganha importância, a denominação perde. Assim também cresce a cada dia o número de jovens e adultos desapegados das denominações protestantes. Lembro-me de, na infância, ouvir brincadeiras entre amigos, que expressavam a forte rixa entre presbiterianos e batistas. Hoje essas piadas não têm mais graça nem mexem com ninguém. Vejo pessoas frequentando por três anos uma igreja sem nem pensar em se tornar membro. Sim, é uma nova geração muito mais desapegada de sistemas e instituições, e não estou dizendo que mudou pra melhor ou pior. Apenas mudou. E essa mudança ajudou no fenômeno desigrejados, ou, como eles gostam mais de se autodenominarem, desinstitucionalizados.

Alguns têm defendido que os desigrejados são um campo missionário. Você concorda com isto?

Marcos Botelho – Aprendi ao longo do ministério que existe um campo missionário gigante entre os evangélicos, entre os que vão à igreja semanalmente, pois são religiosos que precisam se converter à graça de Cristo, são como o irmão mais velho da parábola do “filho pródigo”. Por que não enxergarmos entre os desigrejados esse campo missionário? Grande parte das pessoas que tomam a decisão de seguir a Cristo na igreja que pastoreio são jovens que já frequentaram alguma igreja, mas que precisavam de uma palavra bíblica, não para voltarem à igreja, mas para voltarem a ter fervor pelo Cristo e sua missão, para fazerem parte como sinalizadores do reino.

Existe uma intolerância exagerada da liderança das igrejas com os desigrejados?

Nelson Bomilcar – Vivemos um momento não favorável ao diálogo sobre este assunto, principalmente no Brasil, mesmo com vasta literatura sobre o tema a partir de diversas óticas. É preciso destacar também que muitos não estão desigrejados (o termo acaba não se aplicando), mas caminham em outras formatações que não as tradicionais “templárias” ou denominacionais. Algumas causas do desinteresse: 1) não há disposição para a promoção de fóruns nos seminários, missões denominacionais e interdenominacionais para conversarmos com humildade e genuíno interesse sobre este fenômeno na história da igreja. Envolve pessoas com suas histórias, gente por quem Jesus morreu e ressuscitou e que muitas vezes são atropeladas em nossas estruturas religiosas em sua dinâmica relacional, dinâmica de serviço e dinâmica de crescimento de igreja nos moldes empresariais de resultados; 2) intolerância e polarização, em que ninguém ouve de fato ninguém e participantes já chegam com seus conceitos e preconceitos; 3) as pessoas somente se sensibilizam quando percebem que seus queridos, familiares e amigos, vão deixando a experiência comunitária. Quando as dores se instalam no coração por perceberem o grande número de pessoas queridas que estão ausentes ou se afastaram da comunidade local, parece que a ficha começa a cair; 4) desinteresse das lideranças por discutirem o assunto, pois são os principais alvos das críticas e avaliações. São muitas vezes os protagonistas de abuso espiritual na vida de ovelhas do Senhor e de escândalos que se multiplicam. Alguns líderes são protagonistas de projetos pessoais personalistas, que nada têm a ver com a natureza e missão da igreja. A igreja é uma instituição divino-humana, onde muitos se machucam e se decepcionam. Mas o evangelho traz sempre oportunidade do recomeço relacional, em que perdão, misericórdia, reconciliação, busca do interesse do outro, amor ao próximo, acolhimento e o exercício de ouvir os reclamos responsáveis dos desigrejados (como chamei no meu livro) estão presentes.

Se o fenômeno dos desigrejados tem a ver com insatisfação pessoal, inquietação desta época, incapacidade de ouvir e resolver problemas (pastores e ovelhas, líderes e liderados), entre outros, que passos poderiam ser dados para prevenir novos casos de afastamento?

Nelson Bomilcar – Como afirmei, a igreja é uma instituição onde muitos se machucam e se decepcionam, como acontece numa família nuclear comum. E nela temos que resolver nossos problemas relacionais. Temos também que ajustar expectativas e reconhecer a ambiguidade presente na vida da igreja. Somos uma comunidade de pecadores, ambiente onde a graça deveria ser vivenciada. Quando a igreja não vive os valores e a cultura do reino, não prioriza o aspecto relacional, a simplicidade e profundidade do que Jesus ensinou no Sermão do Monte, ela vai se tornando apenas uma instituição religiosa com relacionamentos superficiais e sem saúde ou sanidade espiritual. Quando a igreja vive seu pior, ela machuca e destrói. Quando, porém, vive o seu melhor, ela abençoa, encoraja, acolhe em amor incondicional e cria o ambiente relacional desejável para preparar todos para a obra de Deus. Temos que buscar caminhos de esperança na experiência comunitária. Temos que pregar, refletir e ensinar o que significa de fato, em sua amplitude, “ser igreja”. Muitos equívocos nesta compreensão levam, portanto, ao não diálogo, à polarização, à incapacidade de ouvir o outro e de tirar as traves de nossos próprios olhos. Igreja é congregação e espaço de amor, acolhimento e aperfeiçoamento relacional que deve refletir a pessoa e o caráter de Cristo, onde estamos para servir e não para sermos servidos. Precisamos de uma pastoral a muitos que são negligenciados na ação pastoral. Precisamos ser preventivos para não perdermos mais do que já perdemos nas igrejas locais.

Estar desigrejado significa necessariamente estar fora da comunhão com outros irmãos?

Karen Bomilcar – Acredito que não necessariamente. Respondo com sinceridade e baseada não apenas na minha percepção teológica do que é ser igreja, mas também na experiência das dores de ter vivido um momento como desigrejada (da instituição “formal”). Encontrei caminhos para nutrir a comunhão, até que retornasse ao convívio “formal” da igreja. O que faz a comunhão com os irmãos é a intencionalidade, a disponibilidade em ser vulnerável junto com as pessoas que também seguem a Jesus e caminhar junto no amadurecimento espiritual e emocional e no compromisso com o serviço e a missão do Pai. Juntos refletimos o Pai. Mas você pode estar “igrejado” e ainda assim estar apenas envolvido no ativismo comunitário, cumprindo papéis sem reflexão e desprovido de relacionamentos sinceros e significativos ou transformações concretas na sua vida. Conheço muita gente “igrejada” fora da igreja e muitos “desigrejados” dentro dela. A linha é tênue, mas tendo vivido tantas experiências com a igreja e acompanhado tantas pessoas em suas lutas, hoje sou muito cautelosa para falar sobre esses aspectos, não desprezando a importância e o significado da igreja. 

Como cultivar, nas crianças, a ideia de comunhão com o povo de Deus?

Karen Bomilcar – Com crianças a questão é em especial o exemplo. A intencionalidade e o compromisso dos pais em nutrir as relações comunitárias são fundamentais para que compreendam a importância da comunidade como espaço de comunhão e ensino da Palavra. E uma outra dimensão prejudicada hoje na comunidade é a interação intencional entre as diferentes faixas etárias. Com a ênfase nos ministérios específicos (crianças, adolescentes etc.), que, claro, são importantes para a comunicação do evangelho aos pequenos, temos perdido de vista a importância da intergeracionalidade. É preciso promover espaços para que todas as gerações convivam, para que crianças e adolescentes compreendam que a comunhão da comunidade, do Corpo de Cristo, é inteira quando estamos todos juntos. Parece algo simples, mas faz toda a diferença na percepção e construção relacional e de igreja. Uma vez que se sintam parte, incluídos nas relações comunitárias e com espaço para convivência conjunta, percebem naturalmente seu papel e amadurecem ao longo dos anos neste espaço e no aprendizado nas relações e discipulado.

Com o avanço do “desigrejismo”, o que as igrejas perdem em termos do exercício dos dons, da unidade do Corpo de Cristo, da comunhão? 

Maurício Zágari – A Igreja não é chamada de “Corpo” à toa: um corpo plenamente funcional demanda que cada membro não apenas esteja conectado aos demais, mas seja, também, totalmente funcional. O sangue, os nutrientes e o oxigênio precisam fluir entre os membros, e as toxinas precisam ser eliminadas mediante essa conexão. Membros decepados ou disfuncionais paralisam ou gangrenam e morrem. Torna-se evidente, então, que as igrejas perdem com o desigrejismo o seu potencial máximo de saúde, vigor e funcionalidade. No entanto, quem mais sofre são os membros desconectados do corpo. Não é à toa que entre os desigrejados encontre-se tanto rancor e ressentimento: são membros importantes que se voltam contra os demais, como numa doença autoimune: o corpo atacando o corpo. O resultado é óbvio: o corpo, como um todo, enferma. 

O que a igreja pode aprender com os desigrejados?

Maurício Zágari – Acima de tudo, pode aprender a amar. O fenômeno do desigrejamento deveria nos conduzir ao exercício do amor. As pessoas que se afastaram não se desigrejaram do nada. Algo aconteceu. E, se queremos trazê-las de volta à comunhão, precisamos agir com graça, empatia e amor extremo. Ortodoxia sem ortopatia não é cristianismo, é legalismo. Lamentavelmente, quando se fala de desigrejados no meio da igreja institucional, via de regra, a postura de muitos é meramente farisaica, no sentido de criticá-los, ofendê-los e tratá-los como rebeldes ou, até, inimigos. Mesmo pastores e teólogos de maior visibilidade têm errado – muito! – nesse sentido. O fenômeno do desigrejamento tem como única e exclusiva solução a prática do amor, com paciência e mansidão. E amar demanda tempo e esforço. Então, é mais fácil, rápido e popular postar cinco linhas nas redes sociais atacando os desigrejados do que sentar dia após dia com eles para tratar suas feridas e amá-los. Precisamos aprender a amar melhor, e os desigrejados podem ser excelentes meios de nos exercitarmos na prática do amor. 

Há algo que a igreja institucional e os desigrejados possam fazer juntos?

Maurício Zágari – Desigrejados ou não, continuamos sendo irmãos, com todas as implicações que a fraternidade em Cristo traz. Os desigrejados estão equivocados em suas decisões? A meu ver, sim, pois desigrejar-se não cura feridas, não evita novas feridas nem resolve os males da igreja institucional. Ou seja, desigrejar-se não resolve absolutamente nenhum dos problemas que levaram alguém a se desigrejar. Porém, por mais equivocados que estejam os desigrejados, ninguém deixa de ser filho do mesmo pai porque comete equívocos. Igreja institucional e desigrejados devem seguir como irmãos (e não inimigos), amando, exercendo os dons e ministérios e fazendo o reino de Deus vicejar nesta Terra. E creio, até, que, se caminharem juntos nesse propósito, com o tempo se reaproximarão e voltarão a se conectar. Porque o amor faz isso. 

A ética do mercado – marca da sociedade contemporânea – tem a ver com o fenômeno dos desigrejados?

Ricardo Bitun – Creio que em parte sim. As relações se tornam cada dia mais utilitaristas, clientelistas. A lógica da oferta e procura acaba de uma maneira ou outra interferindo na relação fiel–Igreja. O fiel começa a procurar a igreja que lhe “cabe” melhor; por sua vez, a igreja, conscientemente ou não, procura oferecer facilidades e conforto ao fiel. Por fim, depois de consumidas todas as possibilidades (ofertas), o fiel acaba por optar pela não ida à igreja. Não tendo compromisso, ele se sente à vontade para ir e vir e até não ir. As relações, agora superficiais e descompromissadas, acabam permitindo a possibilidade para o desigrejado.

Entre as lideranças das igrejas que lamentam e que “condenam” o desigrejismo, há aqueles que o fazem por receio de perder prestígio e poder?

Ricardo Bitun – Não tenho certeza quanto a essa relação. Pessoalmente, acredito que prestígio e poder não se encaixam no perfil de um líder espiritual; seria quase uma contradição de termos. Caso o líder se permita entrar nesta equação, ele ficará refém do seu público, dando ao povo somente aquilo que ele deseja. Isso é muito desgastante, pois o alimento que você dá ao povo é aquilo que você sempre terá que fornecer; caso contrário, as pessoas irão embora (Jo 6).

É possível prescindir da igreja?

Augustus Nicodemus – Eu não tenho ilusões quanto ao estado atual da igreja. Ela é imperfeita e continuará assim enquanto eu for membro dela. A teologia reformada não deixa dúvidas quanto ao estado de imperfeição, corrupção, falibilidade e miséria em que a igreja militante se encontra no presente, enquanto aguarda a vinda do Senhor Jesus, ocasião em que se tornará igreja triunfante. Ao mesmo tempo, ensina que não podemos ser cristãos sem ela. Que apesar de tudo, precisamos uns dos outros, precisamos da pregação da Palavra, da disciplina e dos sacramentos, da comunhão de irmãos e dos cultos regulares. Acho que eles [os desigrejados] querem mesmo é liberdade para serem cristãos do jeito deles, acreditar no que quiserem e viver do jeito que acham correto, sem ter que prestar contas a ninguém. Pertencer a uma igreja organizada, especialmente àquelas que historicamente são confessionais e que têm autoridades constituídas, conselhos e concílios, significa submeter nossas ideias e nossa maneira de viver ao crivo do evangelho, conforme entendido pelo cristianismo histórico. Para muitos, isto é pedir demais. 

Como ajudar os crentes a amar a igreja e a enfrentar juntos problemas que favorecem o afastamento e aumentam o número dos desigrejados?

Ricardo Moreira – Não há milagres ou métodos revolucionários. O ensino da Escritura é o melhor caminho. O fenômeno dos desigrejados é o efeito colateral de uma igreja que desconhece a Bíblia em sua riqueza e profundidade. Precisamos ensinar o que é ser igreja não baseados em livros e propostas de administração eclesiástica. Precisamos ouvir o texto sagrado sobre o que é a Igreja, o que significa ser parte dela e sua importância. Cristãos maduros, conhecedores da Bíblia, estão equipados a enfrentar todo e qualquer desafio para o fenômeno de distanciamento da igreja local. Os crentes, naturalmente, amarão mais a Igreja quando amarem mais o Senhor dela. Quanto mais conhecermos Cristo através de sua Palavra, mais o amaremos. 

O senhor pode relatar histórias de desigrejados que regressaram?

Ricardo Moreira – O grupo dos evangélicos sem igreja não é estático, tampouco hermético. Está aberto para receber novos desigrejados e também está perdendo os que retomam a vida eclesiástica. Na caminhada pastoral testemunhei muitos regressando à comunidade local. Infelizmente nem todos permaneceram, mas algumas histórias ainda me trazem muita alegria. Estas histórias sempre envolvem uma comunidade amorosa, que ajuda a quebrar barreiras e curar traumas.


• Augustus Nicodemus é pastor auxiliar da Primeira Igreja Presbiteriana de Recife, vice-presidente do Supremo Concílio da IPB e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.

• Idauro Campos é ministro congregacional e autor do livro Desigrejados – Teoria, história e contradições do niilismo eclesiástico (BV Books).

• Karen Bomilcar
 trabalha como psicóloga clínica hospitalar em São Paulo, SP. É mestre em teologia e estudos interdisciplinares – Regent College/UBC (Canadá).

• Marcos Botelho
 é fundador e líder do ministério JV na Estrada e do ministério Terra dos Palhaços Brasil. É pastor de jovens e adolescentes da Igreja Presbiteriana de Alphaville, São Paulo.

• Maurício Zágari
 é teólogo, editor da Editora Mundo Cristão, autor de nove livros publicados, comentarista bíblico e jornalista.

• Nelson Bomilcar serve há quarenta anos no Brasil como pastor, músico, compositor, produtor musical. Autor do livro Os Sem-Igreja – Buscando caminhos de esperança na experiência comunitária (Mundo Cristão).

• Ricardo Bitun é coordenador do curso de pós-graduação do Programa de Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor da Igreja Evangélica Manaim.

• Ricardo Moreira 
é pastor batista, casado e pai de duas crianças. Atualmente serve com a família na Ásia.


Leia mais 
» Entre dores e amores: comunhão na comunidade
» Um recado aos desigrejados
» Estudo bíblico “Desigrejismo – crentes caindo fora da igreja”
» Livro “Dê Outra Chance à Igreja”

  1. Ser igreja é “padecer no paraíso”. É bom o convívio, mas, o evangelho nos reclama a sub missão o negar-se a si mesmo. Tudo isto implica em doar-se à uma causa profundamente justa que é amar ao próximo que te contradiz, que te magoou, que te decepcionou, que te causou prejuízo, que é folgado demais, que não tem cultura, que é pobre, que é fedido, que é feio, que é muito chato, que falou mal de você a todos, ou seja, o mais importante é aquele que se deve amar como a si mesmo.

  2. Muito boa descrição!
    É preciso destacar também que muitos não estão desigrejados (o termo acaba não se aplicando), mas caminham em outras formatações que não as tradicionais “templárias” ou denominacionais. Nelson Bomilcar

    Resumindo – Muito mais atuantes que os igrejados.

  3. Estar desigrejado significa necessariamente estar fora da comunhão com outros irmãos?

    Karen Bomilcar –

    Encantado com a resposta da irmã. Que visão! (Conheço muita gente “igrejada” fora da igreja e muitos “desigrejados” dentro dela.)

  4. Maurício Zágari – A Igreja não é chamada de “Corpo” à toa.

    E porque pra ser Igreja(corpo) tem de estar dentro de uma igreja(prédio). Será que a pele não faz parte do corpo ? Sim, mas está do lado externo e não dentro.

    Maurício Zágari – Membros decepados ou disfuncionais paralisam ou gangrenam e morrem.

    Um “desigrejado” não necessariamente está decepado, afinal o corpo é de Cristo e não de prédios institucionais.

    Maurício Zágari – o corpo atacando o corpo.

    Será que é corpo mesmo?

    Maurício Zágari – Torna-se evidente, então, que as igrejas perdem com o desigrejismo o seu potencial.

    As igrejas sim, a Igreja não.

  5. Rodrigo Antonio Soares

    Há pouco mais de um ano me reúno , juntamente com cerca de 15 irmãos, 2 vezes por semana para estudar a palavra , comungar e prestar ações de graça ao Senhor.
    Tenho mais de 30 anos de fé crista evangélica e sempre servi as comunidades que congreguei.
    O problema maior da decepção de muita gente é que o Evangelho Puro e Simples de Jesus deixou de ser ensinado e as reuniões vem perdendo o sentido de ser , dando lugar a liturgias estranhas , exaltação á personalidades e interesses institucionais acima dos valores do Reino.
    Da minha parte , minha saída não proporcionou em mim feridas , porque tratei o assunto com muita maturidade e verdade.
    Hoje trabalho ainda mais para o reino e não me preocupo muito com as criticas dos igrejados , pois sei que o cerne do evangelho é a busca constante por trilhar o caminho do Amor, que se reflete na nossa relação com Deus e com a comunidade dos santos.
    Se reunir como igreja é uma ordenança bíblica , pertencer a uma instituição , não é uma exigência.
    O que temos que fazer é andar na consciência do Evangelho , tendo Jesus Cristo sempre como nossa chave interpretativa e amar as pessoas em nossa volta , seja igrejado ou desigrejado.

  6. O grande avivamento da verdadeira Igreja de Cristo chegou! Muitos estão despertando do grande sono profundo que estiveram, alguns infelizmente por até 50 anos! Mas antes tarde do que nunca acordar do sono profundo e letargia espiritual! As máscaras dos líderes religiosos estão caindo! Deus é bom demais em ter deixado eu ter nascido nesta geração e ter visto este lindo avivamento! Todos religiosos, sem exceção, são lobos devoradores e cães gulosos, como já nos avisou Paulo e Cristo! Alguns foram enganados e repassam os enganos (para esses ainda há esperança de conversão) e outros agem de má fé mesmo!

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