Palavra do leitor
- 05 de fevereiro de 2015
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Somos todos humanos
(Uma reflexão sobre religião e esfera pública)
“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” Provérbios15:1
No último dia 07 de janeiro o mundo presenciou apreensivo o atentado terrorista contra a equipe do jornal francês “Charlie Hebdo”. O atentado acontecido em París no escritório do jornal resultou em 12 mortes e 11 feridos. Os assassinatos foram cometidos por uma célula terrorista, posteriormente identificada como uma ramificação da “Al-Qaeda” em retaliação as charges publicadas satirizando a figura do profeta Maomé. Esta mesma organização terrorista surpreendeu o mundo com o atentado de 11 de setembro, contra as torre gêmeas e o Pentágono em 2001 que resultou na chamada “Cruzada contra o terror.” Culminando em uma caçada ao então líder da organização Osama Bin Laden morto em 2 de maio de 2011, e na guerra ainda não concluída, no Afeganistão.
Após o incidente na França, uma nova caçada foi feita aos autores do atentado e quase que simultaneamente a tragédia, uma campanha foi deflagrada por meio das redes sociais. Cujo lema era “Je suis Charlie” – “Somos todos Charlie”.
Cerca de três milhões de manifestantes e quarenta chefes de Estado, incluindo Judeus e Palestinos estiveram em ato público em defesa da democracia e da liberdade de expressão cuja maior concentração se deu em desfile na praça Champs Elysses. A ausência do Presidente Barack Obama e da Chefe de Estado brasileira Dilma Roussef foram pontos de inflexão neste grande fluxo solidário ao povo francês e a democracia como um todo.
O exército e a polícia tomaram as ruas de Paris para garantir a segurança protegendo mesquitas, sinagogas e igrejas cristãs. O presidente francês François Hollande envia mais um Porta-Aviões para aumentar as forças beligerantes no Iraque.
No Níger 45 igrejas recebem ataques em protesto contra o Jornal Francês. No Brasil o teólogo Leonardo Boff adverte a infeliz linha editorial do “Charlie Hebdo”. O Papa Francisco em linguagem coloquial em pronunciamento público afirmou que se alguém “falasse mal de sua mãe, deveria esperar um soco”. Com isto ele pretendia afirmar que o tom ofensivo da revista resultou em uma esperada reação. Tal pronunciamento papal tem gerado fortes repercussões.
Estaria Dawkins correto ao afirmar que toda a religião é nociva, por trazer dentro de si a possibilidade da intolerância? O jornal Charlie Hebdo com a sua linha editorial provocativa e anticlerical estaria exercendo a sua livre expressão na perspectiva da sociedade democrática ou ao invés disto, estaria cometendo violência simbólica contra o islamismo, o cristianismo e a religião como um todo? Quais são afinal os limites da liberdade de expressão em democracias?
A França, palco de uma revolução sangrenta, para o estabelecimento da república e de duas grandes guerras para a manutenção das liberdades democráticas, estaria agora vendo o renascimento de um espírito anti-clerical que associa religião, fundamentalismo e terror.
Em meio a estes questionamentos levanta-se a questão do teólogo. Até que ponto ele pode ser um fator determinante para a superação das tensões sociais? Como a linguagem teológica poderia ser a linguagem do respeito, da tolerância e da paz?
Até que ponto deve ir a liberdade de expressão e a liberdade religiosa numa sociedade democrática? Como preservar a confessionalidade sem incorrer em violência simbólica contra o outro, e sem diluir a sua própria mensagem numa assimilação cultural, traição, ou transubstanciação da fé?
Como construir uma linguagem técnica para o estudo das tradições religiosas que sirva de base comum para inserção no debate público em uma sociedade democrática? Quais são as habilidades que este teólogo deve possuir para realizar a sua missão de compartilhar a sua fé como uma verdadeira alternativa para um mundo interconectado.
Qual o papel do ministro religioso num mundo onde todos somos humanos?
“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” Provérbios15:1
No último dia 07 de janeiro o mundo presenciou apreensivo o atentado terrorista contra a equipe do jornal francês “Charlie Hebdo”. O atentado acontecido em París no escritório do jornal resultou em 12 mortes e 11 feridos. Os assassinatos foram cometidos por uma célula terrorista, posteriormente identificada como uma ramificação da “Al-Qaeda” em retaliação as charges publicadas satirizando a figura do profeta Maomé. Esta mesma organização terrorista surpreendeu o mundo com o atentado de 11 de setembro, contra as torre gêmeas e o Pentágono em 2001 que resultou na chamada “Cruzada contra o terror.” Culminando em uma caçada ao então líder da organização Osama Bin Laden morto em 2 de maio de 2011, e na guerra ainda não concluída, no Afeganistão.
Após o incidente na França, uma nova caçada foi feita aos autores do atentado e quase que simultaneamente a tragédia, uma campanha foi deflagrada por meio das redes sociais. Cujo lema era “Je suis Charlie” – “Somos todos Charlie”.
Cerca de três milhões de manifestantes e quarenta chefes de Estado, incluindo Judeus e Palestinos estiveram em ato público em defesa da democracia e da liberdade de expressão cuja maior concentração se deu em desfile na praça Champs Elysses. A ausência do Presidente Barack Obama e da Chefe de Estado brasileira Dilma Roussef foram pontos de inflexão neste grande fluxo solidário ao povo francês e a democracia como um todo.
O exército e a polícia tomaram as ruas de Paris para garantir a segurança protegendo mesquitas, sinagogas e igrejas cristãs. O presidente francês François Hollande envia mais um Porta-Aviões para aumentar as forças beligerantes no Iraque.
No Níger 45 igrejas recebem ataques em protesto contra o Jornal Francês. No Brasil o teólogo Leonardo Boff adverte a infeliz linha editorial do “Charlie Hebdo”. O Papa Francisco em linguagem coloquial em pronunciamento público afirmou que se alguém “falasse mal de sua mãe, deveria esperar um soco”. Com isto ele pretendia afirmar que o tom ofensivo da revista resultou em uma esperada reação. Tal pronunciamento papal tem gerado fortes repercussões.
Estaria Dawkins correto ao afirmar que toda a religião é nociva, por trazer dentro de si a possibilidade da intolerância? O jornal Charlie Hebdo com a sua linha editorial provocativa e anticlerical estaria exercendo a sua livre expressão na perspectiva da sociedade democrática ou ao invés disto, estaria cometendo violência simbólica contra o islamismo, o cristianismo e a religião como um todo? Quais são afinal os limites da liberdade de expressão em democracias?
A França, palco de uma revolução sangrenta, para o estabelecimento da república e de duas grandes guerras para a manutenção das liberdades democráticas, estaria agora vendo o renascimento de um espírito anti-clerical que associa religião, fundamentalismo e terror.
Em meio a estes questionamentos levanta-se a questão do teólogo. Até que ponto ele pode ser um fator determinante para a superação das tensões sociais? Como a linguagem teológica poderia ser a linguagem do respeito, da tolerância e da paz?
Até que ponto deve ir a liberdade de expressão e a liberdade religiosa numa sociedade democrática? Como preservar a confessionalidade sem incorrer em violência simbólica contra o outro, e sem diluir a sua própria mensagem numa assimilação cultural, traição, ou transubstanciação da fé?
Como construir uma linguagem técnica para o estudo das tradições religiosas que sirva de base comum para inserção no debate público em uma sociedade democrática? Quais são as habilidades que este teólogo deve possuir para realizar a sua missão de compartilhar a sua fé como uma verdadeira alternativa para um mundo interconectado.
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