Foto: © Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

Por Lucas Peterson Magalhães

Na última quarta-feira foi disputado um dos mais tradicionais clássicos do futebol, que completa 100 anos de história. Jogaram, em Itaquera, Corinthians e Palmeiras.

De início é importante destacar um fato sobre o autor deste texto: suas paixões pelo clube de verde e branco podem (e vão) influenciar na redação dos parágrafos abaixo.

Dito isso, voltemos ao jogo. Estava daquele jeito, muito disputado, algumas jogadas mais firmes, mas o árbitro conduzia bem a partida. O placar não saíra do 0x0. Até que aos 45 minutos do primeiro tempo, em um contra-ataque alviverde, o atacante Keno, que partia em velocidade na direção do gol, é derrubado pelo corintiano Maycon (de camisa nº 30). Falta clara, punível com cartão amarelo.

O árbitro, contudo, se confunde e, ao invés de dar o amarelo para o Maycon, o mostra ao volante Gabriel (nº 5), que até ano passado defendia as cores do Palmeiras e fora contratado nesta temporada pelo Corinthians (“Judas! Traíra!”). Como ele já tinha outro amarelo, foi expulso.

Em que pese a acentuada reclamação dos jogadores alvinegros e as orientações da equipe de arbitragem, Thiago Duarte Peixoto, árbitro da partida, não voltou atrás e manteve a injusta expulsão do (traíra, ops, digo) volante Gabriel.

E é aqui que vem minha surpresa. Nenhum jogador ou integrante da comissão técnica do Palmeiras avisou o árbitro do erro. É impossível imaginar que pelo menos uma pessoa que vestia verde naquele estádio não tenha visto o lance como de fato ele ocorreu. E se viram, por que ninguém foi avisar o árbitro de seu erro?

Ora, porque acontece no futebol o mesmo que acontece na minha e na sua vida. Temos uma vontade imensa de sempre nos dar bem, e na maioria das vezes é isso o que guia as nossas decisões.

Seja furando uma fila, pedindo para alguém responder chamada quando você não está na aula, mexendo em alguns dados para que a sua declaração de Imposto de Renda fique mais interessante, entrando num esquema com o governo para que sua empresa seja favorecida…

O que todas essas situações, inclusive a do futebol, têm em comum? Se o “árbitro” não vir a maracutaia, eu vou me dar bem. Essa acaba sendo a nossa verdadeira ética. Nos dar bem.

Tenho me impressionado com o que aprendo do Evangelho. E acho que se aplica exatamente para todas essas situações. A caminhada com Jesus redefine a minha ética. Aprendo que eu já me dei bem (sou mais que vencedor) por conta do que Jesus fez por mim. Assim eu não preciso ficar buscando me dar bem em todas as situações, e sou livre pra tentar ter uma ética e praticar uma moral com outros parâmetros, como justiça e amor.

Entender isso é libertador e reorientador.

Porque agora, nas partidas que disputo, não importa apenas o vencer. Mas o como vencer. E se eu não vencer porque disputei uma partida limpa, não tem problema. Porque todas as coisas que acontecem são para o meu bem. Posso ser o cara do Fair Play, porque aprendi que tem coisas que importam mais do que vencer uma partida.

Aquele que ganhou todos os campeonatos, se fez Íbis, e foi rebaixado à última divisão, para que eu e você pudéssemos jogar limpo. Para que nossa ética tenha um outro paradigma, diferente do se dar bem em todas as situações: o paradigma do seu amor.

E quanto ao resultado de Corinthians x Palmeiras, bom, melhor deixar pra lá…

*texto originalmente publicado em 24 de fevereiro de 2017

  • Lucas Peterson Magalhães, 26 anos. Formado em Direito, participa da Comunidade Evangélica em São Bernardo do Campo (SP).

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