Quando aprendi sobre ressurreição na casa da minha avó

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Por Daniel Theodoro

Foi no despretensioso jardim da casa de minha avó onde descobri o valor da ressurreição. É claro que, como criança nascida em berço cristão reformado, já tinha tido contato com a abstrata palavra na Escola Bíblica Dominical e, em especial, durante a celebração da Páscoa. Sabia que estava tudo bem documentado na Bíblia e bem representado nas cantatas. Porém, foi naquele jardim rosado, cravado de hortelãs e violetas, onde o substantivo tornou-se verbo e habitou em minha mente.

Na minha perspectiva pueril, a casa da vó Dora era a materialização da alegria. Afinal, as férias de dezembro se passavam lá. Tinha cômodos grandes, um quintal lateral espaçoso perfeito para partidas de futebol, sem contar a piscina no fundo, único ambiente capaz de trazer algum refrigério ao corpo em plena quente Bauru, no interior de São Paulo. Tinha ainda uma sauna que fora transformada em depósito, em função da baixa demanda por quererem transpirar entre quatro paredes já que, a céu aberto, o Sol provocava um suadouro danado na gente.

Tinha ainda um feliz desarranjo familiar naquele lar: minha vó se mudara para aquela casa ao se casar pela segunda vez, depois de passar anos viúva. A cerimônia de casamento foi na própria residência, uma festa com direito a comida, bebida, muita gente e até fogos de artifício. Nesse dia, meus pais me explicaram que aconteceu um milagre: após um simples sim, eu ganhei um avô, muitos primos e tios. Assim, minha conclusão era que se tratava de uma casa incrível, com capacidade de multiplicar vida e alegria. Mais >

Quem é você dentro de você?

Por Thales RiosUltJovem_13_06_16_quem-vc

Num passado distante cientistas foram desafiados a criar um complexo sistema mundial de interligação de computadores para troca de informações à distância. As possibilidades eram enormes: poderiam enviar informações militares e científicas de um continente a outro, acessar dados bancários, conversar com pessoas do outro lado do mundo, comprar e vender sem sair de casa. Décadas mais tarde, cá estou eu, me dedicando a gastar tempo nesse tal complexo sistema mundial de interligação de computadores para fazer testes em que descubro qual seria meu Pokémon na vida real.

Por mais tonto que seja, é muito divertido responder 5 perguntas e descobrir que no universo de Friends eu seria o Ross (droga, sempre quis ser o Chandler), que no Star Wars eu seria o Jar Jar Binks (o que é indiscutível, infelizmente) e que dentre as princesas da Disney eu seria a Branca de Neve (sim, eu já fiz esse teste mesmo). Os resultados são meio deprimentes, mas é viciante demais pra parar com isso.

Fora estes testes bisonhos de “quem é você na fila do pão” e “quem é sua alma gêmea” (nunca funciona, acreditem em mim), tem outros realmente interessantes por aí, alguns que dá até pra botar certa fé e parecem ter algum embasamento de psicologia por trás. Meus favoritos são aqueles em que você tem que imaginar um cenário com vários elementos e depois descobre que aquele deserto é a representação da sua vida patética e sem sentido, o cavalo rebelde é sua pessoa amada que está pisando na única flor do jardim, que representava seu último amigo. (Baseado em fatos bizarramente reais de um amigo meu esse exemplo.)

Meu primeiro contato com testes assim foi na época em que a Internet ainda era tudo mato. Quando criança, conheci uma velhinha muito simpática que parecia ter poderes sobrenaturais. Ela estava em casa conversando com minha mãe e do nada me pediu pra desenhar uma estrada, árvores e uma casa. Achei tonto da parte dela (e não disse isso porque eu era um menino muito educado), mas fiz lá o tal desenho pra velhinha. Ela pegou o papel na mão, abaixou os óculos de velha dela e começou a me descrever completamente se baseando no desenho: “Olha, menino, estas árvores inclinadas pra direita mostram que você gosta de imaginar muito as coisas antes de fazê-las; a cerca na estrada feita assim me diz que você tem muito medo de arriscar nas suas decisões; o caminho com curvas deste jeito mostra que você é muito desorganizado; e esta casa com telhado deste jeito e um cachorro na porta me indicam que você gosta muito de cachorro, porque eu nem pedi pra desenhar cachorro”. Caramba! Não lembro bem como foi que ela descreveu as coisas na verdade, mas ela parecia saber mais de mim do que eu mesmo! Em seguida pegou meu caderno da escola e descobriu pela minha letra que eu era impaciente, distraído e sentia ciúmes da menina que gostava (o que era verdade mas neguei, obviamente). Depois de desnudar meus sentimentos e personalidade ela deu um sorrisinho, fez alguma piadinha sobre poderes mágicos e me deixou anos pensando que ela era prima da Morgana ou algo do tipo. Mais >