Por Ioná Nunes

Vou te contar algo que você provavelmente já sabe, mas pode ter esquecido: uma pessoa não é um rosto ou corpo. Há mais dentro de um ser humano do que em um poço profundo. Nossa aparência é apenas uma carcaça, não mostra quem somos de verdade.

Você já experimentou conhecer alguém? Ser íntimo dessa pessoa? Me refiro a compartilhar desde os medos não pronunciáveis até os defeitos mais vergonhosos; ver suas entranhas e deixar que o outro veja as suas também; mergulhar no âmago de alguém e desvendar coisas incríveis. Já?

Quem olha demais para a superfície de outrem esquece que por trás da derme que cobre os ossos, vasos sanguíneos e órgãos, existe uma pessoa a ser descoberta, valorizada pelo seu caráter e personalidade, e aceita e perdoada em suas falhas. A beleza é passageira e tão fútil que nem deveria ser considerada como requisito para aproximação entre duas ou mais pessoas.

Relacionar-se com alguém não se resume a um sorriso, rosto, olho, corpo bonito. Relacionar-se com alguém tem a ver com construir um laço forte a partir de materiais como um caráter admirável, personalidade agradável, maneira de enxergar a vida, o mundo e outros. Relacionar-se com alguém vai além do que consigo descrever, é uma vivência particular e profunda, desenvolvida quando se tem um tempo de qualidade, quando você lê outra pessoa e permite que ela te leia também. Continue lendo →

Por Jeverton “Magrão” Ledo

Fiquei por dias pensando no que nos levaria a seguir os passos de outra pessoa.  Seria admiração ou uma veneração incontrolável? Ou ainda, um desejo de estar no lugar do outro?

Diante de tantos relatos de pessoas que deixam tudo para seguir alguém, um bom exercício é revisitar a própria caminhada.

O que dizer de seguir alguém como eu ou você? Seríamos capazes de sermos nossos próprios seguidores?

Quando me deparei com essa indagação, logo pensei: Seguir quem? Eu? Uma entre tantas pessoas incompletas, ora bem decididas e com tudo bem planejado. Ora tomados por uma inconstância que aflora de repente, com aquela vontade imensa de jogar tudo para cima e fugir.

Sim, eis aqui uma boa questão: estaríamos fazendo seguidores, ou melhor, discípulos?

Durante minha juventude pensava que a vida tranquila, de boas ondas, amizades bacanas, com o cuidado de meus pais, seria para sempre. Ops! Um dia me deparei com uma caminhada começando a perder o sentido. O mar azul continuava lá, assim como meu quarto na casa de meus pais. Mas isso não era tudo que eu queria para o resto de meus dias.

Dessa vez mergulhei não no azul do mar, mas no interior do eu.

Sempre tive meus pais como referencial, que estavam construindo um legado para mim e meus irmãos, mas eu queria mais.

Precisava dar sentido a meu próprio caminhar. Onde encontrar? Como buscar? O que perguntar? Ahhhh! Perguntas, perguntas… Continue lendo →

 

O Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio, está chegando ao fim, mas a necessidade de entendermos mais sobre o tema não está nem perto de terminar. Reunimos aqui vários artigos já publicados no portal Ultimato que podem ajudar quem sofre com pensamentos suicidas ou quem quer entender melhor a situação para poder estender a mão.

 

O suicídio e o papel preventivo da igreja

O estigma, a vergonha, a impotência, a dificuldade em se compreender os fenômenos em saúde mental, as distorções teológicas que não abrem espaço para o diálogo. Como seres humanos, não estamos imunes aos sofrimentos psíquicos e angústias da alma. Leia sua Bíblia e encontrará uma diversidade de pessoas em sofrimento e questionamento, vivendo todas estas situações na companhia e amparo do Eterno. >> leia mais

Suicídio: como lidar com o desejo de não estar vivo

Se falar da morte do corpo já tem sido algo evitado, muito mais é falar da morte por suicídio, que chega até nós como uma tragédia. Muitos familiares negam por toda a vida o suicídio de um ente querido. A morte intencional atinge todos aqueles que estão próximos da pessoa. Além do mais, no suicídio a vítima e o assassino estão na mesma pessoa. >> leia mais

Suicídio e o gemido dos pastores

“Prazer e dor” são as companheiras inseparáveis de um pastor. Num mesmo dia a alegria de criança que nasceu e o enterro de uma ovelha que partiu. Vai do alto para baixo, numa gangorra de sentimentos que exige equilíbrio e serenidade o tempo todo! >> leia mais

Ligação para prevenção ao suicídio passa a ser gratuita em todo o país

Ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV), que auxilia na prevenção do suicídio, passaram a ser gratuitas em todo o país. Um acordo de cooperação técnica com o Ministério da Saúde, assinado em 2017, permitiu o acesso gratuito ao serviço, prestado pelo telefone 188. >> leia mais

Quando viver se torna uma angústia

Vários fatores podem estar relacionados ao suicídio: histórico familiar, distúrbios de humor ou de doenças mentais, desequilíbrios psicológicos, fatores ambientais e sociais, eventos altamente estressantes, ausência de apoio social e emocional, impulsos mórbidos, entre outros. Isolados ou em interação, esses fatores de risco podem variar em intensidade e imprimir na pessoa o desejo e a certeza de que a única saída viável é interromper o seu ciclo de vida. >> leia mais Continue lendo →

Por Daniel Theodoro

No meio do caminho até o parque tem um cemitério, tem um cemitério no meio do caminho até o parque… Mais que uma paródia tosca e malfeita da poesia drummondiana, a frase é uma verdade recente em minha vida.

Cinco meses atrás, mudei para um pequeno apartamento da região sul de Winnipeg. Lugarzinho tranquilo, bairro família, onde de manhã pedestres distraídos dividem a calçada com coelhos, e à noite, com guaxinins e gambás.

Uma caminhada de cinco minutos leva ao parque mais próximo, um grande espaço verde idílico cortado pelo majestoso Red River, um dos principais rios da cidade. Frondosas árvores acolhem visitantes que queiram passar momentos de pura contemplação. Um bosque amplo serve de quintal para fêmeas de veado-mula e seus filhotes, famílias de gansos, além de esquilos que fazem a festa nas latas de lixo. No início do Outono, o dourado das folhas deixa tudo mais bonito. À tardezinha, quando o Sol banha o rio e o reflexo alveja a grama, caminhos de ouro abrem-se aos olhos. É um lugar violento em beleza.

No entanto, antes de acessar esse diminuto paraíso, é preciso contemplar a morte. Quem quer alcançar o lugar de descanso precisa experimentar a inconveniente sensação de finitude primeiramente. Continue lendo →

Por Gabriel Louback

Ele era difícil de fazer amigos. Alguns não gostavam muito de seu passado, de onde tinha vindo. Diziam que daquele lugar não dava pra vir coisa boa. Outros consideravam-no um baderneiro: diziam que bebia demais e que não se controlava na hora de comer; que andava só com gente que não merecia confiança, traíras e gente sem caráter ou pudor. Por isso, muitos o odiavam.

Ele nunca me falou sobre isso, mas eu não duvido que tenha se sentido usado, sabe? Para quem tinha pouco, Ele deu muito. Para quem não tinha nada, Ele deu tudo. Distribuiu comida pra uma galera que estava com fome, ofereceu vinho do bom em uma festa na qual tinha acabado toda a bebida. Massa, né? Aí o negócio começou a ficar sério. Com Ele, teve cego que começou a enxergar, paralítico que passou a andar, e Ele lá, indo de um canto para o outro, só fazendo o que o povo pedia.

Vai dizer que você também não ia desconfiar que a galera estivesse só interessada no que você tem, e não em quem você é?

Sério, imagina a dificuldade pra Jesus fazer amigos verdadeiros. Se deve ser difícil pro Bill Gates, imagina pra Jesus? Estou falando de amigo de verdade, daquele que vai estar contigo no dia em que você lança o Windows, mas também no dia em que lança o Zune (lembra? Era o iPod da Microsoft). Amigo de verdade. Que vai continuar do seu lado no dia em que acabar o vinho, no dia em que você não andar sobre as águas, no dia em que não tiver cura. Amigo que não vai te abandonar quando te acusarem de conhecê-Lo, amigo que não vai te negar, amigo que vai estar ao seu lado ainda que você esteja morrendo crucificado. Não amigo desses que só vai pro momento da cura e libertação, do Espírito descendo como pomba e de Deus Pai falando com todas as letras que gosta de você, mas amigo de verdade, daquele que vai pra vigília contigo. Que vai pra vigília e não dorme.

Pense na dificuldade de Jesus em fazer um, apenas um amigo de verdade, sem ser por interesse. Pois bem, parece que essa é uma das maneiras de encarar o ministério Dele: Ele veio e fez 12 amigos, caminhou e trabalhou com eles, e deixou seus amigos responsáveis por continuarem o que Ele começou. Ele próprio falou por essa perspectiva, um pouco antes de deixar seus amigos: “Tenho esperado ansiosamente para comer convosco essa Páscoa” (Lucas 22:15). “Ansiosamente”. Essa palavra me intrigou. Afinal, você já viu Deus ansioso com algo? Continue lendo →