Por Jean Francesco

Para os cristãos, o advento é um tempo de celebrar o nascimento de Jesus, o salvador do mundo. A palavra significa “vinda” ou “chegada” e representa no calendário cristão (católico, ortodoxo e protestante) o período corresponde às quatro semanas que antecedem o dia de Natal.

Inspirados por tal ciclo, nós podemos nos preparar para reencenar a vinda de Cristo. Nessas semanas, você e eu somos desafiados a exercitar nossa mente e coração para as surpresas que Deus é capaz de realizar em nossa vida. Os próximos parágrafos foram escritos para encorajar você a desfrutar um Natal repleto de significado e esperança.

Antes de tudo, aproveite esse tempo para renovar sua vida espiritual. Como está a sua relação com Deus? Que momento incrível para relembrar a maior promessa que Deus fez nas Escrituras: a vinda daquele que esmagaria a cabeça da serpente, destruindo suas obras, e reconciliando a humanidade escravizada pelo pecado e morte com o Pai eterno. Jesus é esta promessa. Jesus é o nome que traz esperança. Jesus é o rei que esmaga a cabeça do Maligno. Jesus é a ponte que nos leva direto aos braços do Pai.

Ele chegou há dois mil anos atrás, na plenitude dos tempos — o tempo mais perfeito e estratégico da história humana (Gl 4.4). Prepare o seu coração para celebrar a vinda de Jesus, o Cristo! Deus foi, é, e sempre será fiel às suas promessas. Volte a se emocionar com a história de Deus com a sua criação. Volte a alimentar seu interior com o amor e as palavras de vida eterna que transbordam do Salvador!

O Natal também é um desafio para sermos mais humanos. É tempo de pararmos para pensar que Deus se fez carne. Deus desceu à terra. Deus andou entre nós. Deus nos tocou por meio das mãos de Jesus. Natal é, de fato, um tempo misterioso. De uma forma extraordinária Deus, o Todo-Poderoso, pisou em nossa terra pelos pés de Jesus, se identificou plenamente conosco, e não alterou de forma alguma sua própria glória e identidade divina. Para sempre Jesus será o Deus-homem. Continue lendo →

Por Gabriel Louback

Por algum tempo, mantivemos nosso relacionamento harmonioso com o Eterno. Respondemos livremente a seu amor, amando-o e caminhando com Ele. Nos encontrávamos diariamente no jardim, quando a brisa do dia soprava, e ele andava ali, entre nós e conosco. Porém, um dia, tudo mudou: decidimos que aquilo ali não era mais o suficiente.

Queríamos mais, sem saber direito o que, com o desejo e a vontade de que precisávamos ser independentes, sermos senhores de nosso próprio destino, de sermos soberanos sobre nós mesmos. Decidimos, então, dar esse passo em direção à desconfiança, à suspeita de que Deus não havia sido sincero conosco e que estava escondendo algo de nós.

Comemos do fruto que Ele havia dito para não fazermos. Tínhamos escolha e tomamos nossa decisão. Medo, dúvida, descrença, incerteza e desesperança tomaram conta de nós e decidimos por isso em vez de permanecermos Nele.

Adão e Eva, então, pegaram folhas de figueira para cobrir-se. (Gen 3:7)

A ironia é que eles acharam que comer daquele fruto traria um conhecimento divino, mas não entenderam algo simples, como o fato de que a aceitação de Deus não depende de nossa aparência externa. As folhas significavam isso: cobriram-se para ficarem ‘melhores’ diante de Deus. Em vão, tentaram fazer isso por esforço e mérito próprios.

Essa nossa tentativa de produzir coisas externas para que Deus nos aceite continuaria até os dias de hoje, em todas as vezes que achamos que ler a Bíblia, orar, dizer as palavras certas, ir à igreja, agir do jeito certo e seguir rituais e tradições fará Deus olhar para nós e se agradar de quem somos com base no que fazemos. Ledo engano. Continue lendo →

Por Raphael Cavalcanti

Fazer coisas para Deus não é o mesmo que estar com Deus”. Lembra quando ouvi essas palavras? Foi numa das milhares de pregações do seminário. Coisa óbvia. Mas desconfio que muito do caminhar contigo seja composto das obviedades que insisto em me esquecer.

Será que tenho estado contigo? Será que já estive contigo? Não sei, acho que você pode ter me tido em mente quando contou aquela velha história. Sabe, sempre imaginei que ela estava ali para me ensinar que existem filhos teus perdidos por aí. Gente que largou tudo e foi viver como quis. Gente que gastou dinheiro com prazeres e findou por comer com os porcos. Era muito bom ver que a história estava lá para me mandar buscar esses. Para me alegrar com a sua volta. Para cantar que as portas estavam abertas e que a mesma casa tem pessoas certas, amigos e irmãos.

Só que desconfio que você não estava me falando dos outros. Estava falando de mim mesmo! Eu também estou perdido nessa história.

Será que você não quis me dizer que eu sou o filho que ficou? Eu também vivo na tua casa. Desde 1989, eu vivo na tua casa. Eu como na tua mesa, conheço cada cômodo. Não preciso de mapas, nem de luz acesa para caminhar pelos lugares tão conhecidos. Eu conheço os servos, conheço os outros familiares, conheço os moradores. Sei decorado cada pedacinho do prédio todo. Mas será que realmente faço parte daqui?

Nos últimos anos, tenho tido mais responsabilidades. Agora participo contigo dos cuidados da casa. Eu tiro o mato, conto teu rebanho, cuido do que é teu. Minha vida é cuidar do que é teu! Sou eu quem apago a luz acesa, que arrumo toda a mesa. Mas será que eu não me sento para comer sozinho no fim de tudo? Continue lendo →

Por Maurício Avoletta Júnior

O ano era 2005, eu tinha entre onze e doze anos e estava conversando com um amigo da escola sobre “O Senhor dos Anéis”. A trilogia dos filmes já estava completa e fiquei fascinado com aquele universo. No meio da nossa conversa, ele se lembrou de algo que o animou bastante: “Minha mãe falou que vai sair no cinema a adaptação de ‘As Crônicas de Nárnia!’” disse ele.

Eu não tinha a mínima ideia de quais eram as crônicas às quais ele se referia. Ele, então, me explicou que “As Crônicas de Nárnia” nada mais eram do que uma coletânea de histórias escritas pelo melhor amigo do autor de “O Senhor dos Anéis”, o até então desconhecido – para mim, pelo menos – C.S. Lewis. “Se o Tolkien gostava de Lewis, então eu também vou gostar!”, pensei. Ledo engano.

Na época, minha tia me levou ao cinema para assistir “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa”. Não vou dizer que foi ruim, até porque não foi. Gostei do filme, mas confesso que não me animou muito. Quando começaram a sair os filmes de Nárnia, eu estava terminando de ler “A Sociedade do Anel” e sabia de cor todas as falas dos três filmes.

Em paralelo à paixão por “O Senhor dos Anéis”, que por sua vez estava me levando a conhecer a vasta obra do Tolkien, meu tempo era dividido com o famoso bruxinho britânico, Harry Potter, que acabou crescendo junto comigo. Eu estava bastante ocupado conhecendo Hogwarts e a Terra-média, não havia espaço para um mundo maluco que se escondia dentro de um armário. Acabei por deixar o velho Lewis de lado.

Alguns anos depois, em 2012, para ser mais exato, acabei comprando aquele volume único de “As Crônicas de Nárnia” que todo mundo tem. A leitura me agradou mais que os filmes, mas, ainda assim, achava algo muito bobinho. Todavia, minha opinião mudou drasticamente ao chegar em “O Cavalo e seu Menino”, o terceiro livro das crônicas na ordem cronológica, mas o quinto a ser lançado. Quando acabei essa crônica, em vez de continuar a leitura das outras quatro histórias, optei por relê-la.

A experiência de acompanhar a história de Shasta foi, para mim, algo maravilhoso. Em “O Cavalo e seu Menino”, não li uma simples história de criança. Lá, li a aventura de um garoto que queria descobrir sua identidade e, assim como Jó, Santo Agostinho e Dietrich Bonhoeffer, a descobriu no Criador de todas as coisas. Nessa pequenina história, percebi que havia um C.S. Lewis que eu ainda não conhecia. Havia algo maior na obra dele, que ainda estava oculto para mim. A curiosidade para desbravar o pensamento do autor começou a me corroer… Continue lendo →

Por Daniel Theodoro

Tenho lido nas redes sociais – esse nosso muro das lamentações digital – relatos de irmãos chateados com a proporção que o embate político das últimas eleições ganhou dentro das igrejas evangélicas.

Já li crente dizendo que vai largar a igreja porque escutou o pastor dizer que votaria no Bolsonaro; outro escreveu textão no Facebook porque quase foi excomungado por ter declarado voto em Haddad; e tem irmãozinho que está desde outubro sem participar da Santa Ceia porque se recusa a fazer parte de uma comunidade onde o pastor fica sempre em cima do muro.

Nessas horas em que o vinho oxida e o pão embolora, o cristão evangélico brasileiro ainda pode encontrar na pizza um caminho sobremodo excelente para comungar.

Há tempos a pizza após o culto do domingo à noite entrou definitivamente para a liturgia da igreja evangélica brasileira. O apêndice litúrgico nunca foi oficializado em nenhum concílio, mas está lá, latente logo após a bênção sacerdotal, habitando a mente e o estômago dos crentes.

Acredito que a santa pizza dominical ganhou espaço na comunidade evangélica brasileira porque é o único tema unânime na multiforme congregação nacional. Diante da iguaria, já presenciei arminianos e calvinistas degustarem a graça comum de uma simples mussarela, elegendo incondicionalmente a borda de catupiry antes mesmo do menu chegar à mesa.

Noutra ocasião em uma padaria, notei irmãos amilenistas quase serem arrebatados da mesa após serem servidos de uma pizza de rúcula com tomate-seco e mussarela de búfala. A santa pizza, somente ela, une heterodoxos – que ungem a fatia com catchup – e ortodoxos – que preferem o tradicional azeite. Eu mesmo, como presbítero, já participei de reuniões de conselho onde a única concordância girou em torno da calabresa com cebola. Continue lendo →