Por Tiago Mattes

Existe um movimento entre a nova geração chamado “Eu Escolhi Esperar”. Como é legal ver jovens e adolescentes que decidiram se guardar sexualmente no meio de uma cultura imediatista, permeada por sexo e incentivadora da cultura do “matar o desejo”.

Mas infelizmente, quando se trata de casamento, o desafio não é só “esperar”. É preciso também trabalhar e amadurecer! O casamento e tudo que se vive nele, não dependem somente da espera. Tenho aconselhado muitos jovens que se casaram virgens, ou até namoraram com “corte”, mas que no primeiro ou segundo ano de casamento já estão buscando o divórcio.

Os motivos maiores se encontram no coração egoísta de uma geração que vive a tirania da felicidade ou da realização pessoal e na postura de imaturidade em tudo que se refere a trabalho.

A Bíblia diz que casamento é coisa de gente grande, é preciso “deixar pai e mãe” para tornar-se “uma só carne”. Isso significa que é preciso ser minimamente maduro para se assumir um lar. Isso envolve maturidade emocional, espiritual e financeira.

Muitos jovens estão se casando sem cumprir os ciclos antes do casamento. São emocionalmente frágeis, espiritualmente perdidos e financeiramente desestruturados. O sábio disse: “Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família” (Provérbios 24.27).

Isso significa que preciso completar ciclos importantes da vida antes de casar, como pensar e trabalhar pelo sustento antes do casamento. Isso não significa ter muita grana ou ser rico, mas é necessário o mínimo para deixar pai e mãe e assumir um lar.

Muitos falam da “estabilidade” financeira, mas a palavra estabilidade significa firmeza, constância. Você pode ter estabilidade financeira ganhando pouco, isso depende da sua “firmeza” ao lidar com as finanças, impulsos, desejos consumistas e criar um padrão simples e seguro para sua família, esposa e filhos.

O problema é que por serem imediatistas, egoístas e mimados, muitos jovens têm encontrado problemas no que se refere a trabalho. Vivem em busca de fantasias e atalhos, um trabalho que “os realize pessoalmente” e que dê muito dinheiro com o mínimo esforço. Continue lendo →

Por Maurício Avoletta Júnior

“Oh, Alegria, você sabe muito bem que se eu sofro tanto,
É por sua causa,
Porque não renunciei a você.
Oh, Alegria, você sabe muito bem que se grito com
tanta força
É por sua causa,
Porque ainda escuto o seu chamado.
E você sabe muito bem, Alegria, que se me revolto diante do horror,
É por sua causa,
Porque não me esqueci do seu sorriso.
Sem ter você por perto, o mal me pareceria normal
e a morte não seria amarga.”

Frabice Hadjadj in: Jó – ou a tortura pelos amigos

Eles dizem que tudo vai ficar bem, e admito: eles não estão errados. Mas temos noções diferentes do que é ficar bem. Eles querem porque querem que tudo fique bem agora, mas eu entendo que se nada ficar bem aqui, ainda terei a esperança de tudo ficar bem no final.

Para que esse texto não seja tão pesado quanto o tema que quero tratar, acho que é justo eu tentar ser mais direto e menos misterioso. Por “eles”, me refiro a uma maioria assustadora da Igreja. Quando digo “eu”, estou me colocando junto de uma grande tradição que tem pensado sobre os problemas que penso, muito antes de eu sonhar em existir.

Antes que alguém fale que estou sendo prepotente, gostaria de dizer que não, não acho prepotência dizer “eu”, ao me referir a Tradição Cristã, pois realmente, ao fazermos esse esforço de crer juntamente com a Igreja de todos os tempos, nos tornamos um: o eu se torna nós, pois não é mais um eu sozinho, mas uma existência compartilhada com o tempo.

Por que acho que a Igreja atual se afastou da Tradição e aos poucos tem se afastado dos evangelhos? Por um simples motivo: nós nos esquecemos da verdadeira esperança. Na realidade, acho que não nos esquecemos, pois esquecer pressupõe que já houve um conhecimento a respeito de algo e creio que esse não é o caso. Talvez nossos avós soubessem disso, talvez nossos pais soubessem um pouco também, mas nós não temos a menor ideia do que seja esperança.

Temos esperanças vãs de passar na faculdade, de conseguir um emprego, de constituir uma família e de sermos bem sucedidos, como se fossem essas coisas que motivassem nossa existência. Estamos aos poucos abandonando a fé cristã e abraçando o paganismo, pois transformamos nossa fé em um materialismo extremamente egoísta. Continue lendo →

Por Levi Agreste

Acordou cedo para admirar os raios de luz que pintavam as árvores. Gostava da sensação revigorante de dormir e experimentar um novo segmento do Tempo, apreciar os sábios ciclos de tudo aquilo que fizera. Suas mãos transpassadas enxugaram as rugas cansadas, que contrastavam com o leve sorriso juvenil. Preparou o café e limpou o pouco de pó que deixara cair sobre o balcão. Enquanto as gotas negras pingavam lentamente, degustava de antemão seu sabor amargo. Escolheu sua caneca predileta e levou-a cheia à frente do computador. Esperou a máquina carregar, abriu o navegador e foi procurar as marcas de seus discípulos no mundo.

Entrou numa das redes da época e começou a explorar sua timeline. Entre alguns “bom-dia-Deus-abençoe” e outros versículos isolados se deparou com um post recheado de comentários. Um de seus queridos questionava a visão bíblica de certos “batizadores de crianças”, enquanto outro retrucava “na paz de Deus” com textos sobre alianças e batismos de famílias. A discussão era acompanhada por muitos outros dos seus, que ora apaziguavam ora incendiavam os ânimos. A polêmica rendeu linhas quase infinitas de comentários individuais – e nenhum consenso.

Seu coração estava perturbado com a caótica compilação de pensamentos e resolveu procurar algo que lhe alegrasse – alguma palavra sincera, uma experiência reveladora – mas seus olhos logo se fixaram em outra vigorosa ágora virtual: tudo começou quando um amilenarista resolveu desconstruir na presença de outros bilhões de internautas um post “teologicamente equivocado” de um dispensacionalista. Outros dos seus assumiram a dor do criticado a se abriu uma discussão sobre a literalidade das Escrituras, passando pelas interpretações de criação e fim de mundo, os personagens dos livros de Apocalipse e Daniel, com diversas citações de variados comentaristas. Alguns comentários raivosos despontavam, gerando curtidas e múltiplas respostas ainda mais fervorosas. Continue lendo →

Por Rafaela Senfft

“Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo”. João 14:27

Qual é a paz que o mundo oferece? Vinte dias num SPA ou num lugar paradisíaco? A paz do mundo significa ausência de perturbações e ela não pode ser constante, pois nem sempre tudo vai bem, pelo contrário. Se somos um pouco menos narcisistas, ao ligar a TV as notícias são estarrecedoras. Nada está tranquilo. Ainda que as tragédias pareçam passar longe dos nossos lares, nestes temos as infindáveis inconstâncias privadas que nos assalta.

A paz do mundo parece ser migalha de bons momentos, que se dissipam como neblina sob o menor raio de sol. Basta o regresso daqueles dias gloriosos de descanso nas cidades montanhosas ou nas ilhas calmas do Rio de Janeiro. Bastam alguns minutos na Avenida Brasil pra suprimir parte do seu investimento sensorial e do sossego.

A bateria parece descarregar em meio a um cenário desagradável e a dissonância das buzinas. O ar puro dá lugar à toxicidade da fumaça escura, à paisagem de concreto e à desarmonia estética das construções inacabadas e precárias.

O mal parece ser mais expressivo que o bem. O bem é sutil e, neste caso, está menos aparente. Ele é um habitante no interior das pessoas que nasceram de novo e que muda a perspectiva delas do que é a paz.

A paz de Deus não são migalhas de bem-estar. O salmista recitou que ainda que andasse pelo vale da sombra da morte não temeria mal algum porque sabia que Deus estava com ele. Essa é a paz verdadeira. Continue lendo →

Por Renan Vinícius

Se você está lendo este texto no blog Jovem da Ultimato, você é, provavelmente, um jovem.

Como jovem, certamente tem algumas responsabilidades, como trabalhar ou ir à universidade, cuidar da casa, pagar a conta de internet, aluguel, entre tantas outras coisas. Mas embora hoje você tenha muitas responsabilidades, um dia você foi criança. E, quando criança, o que você gostava de fazer? Correr? Brincar de elástico? De “lutinha”? Esconde-esconde? Se eu perguntar se você ainda continua participando de alguma dessas brincadeiras, certamente pensará: “é claro que não”. Será?

Recentemente, revisitei algumas músicas cristãs infantis que ouvia durante a infância. Uma delas me chamou bastante a atenção: “Esconde-esconde”, do Diante do Trono. Percebi então que, embora pareça coisa de criança, o “esconde-esconde” pode ser um hábito que permanece mesmo quando adultos.

Quando criança, tentamos nos esconder dos nossos pais quando fazemos alguma arte e quebramos algum objeto de nossas casas. Quando pré-adolescentes, nos escondemos daquele amigo com quem brigamos ou do professor quando nos esquecemos de fazer a tarefa. E na sua caminhada cristã, será que você já brincou de esconde-esconde? Será que já tentou se esconder de Deus após falhar ou errar de novo em relação àquele pecado com o qual você luta há anos?

Não preciso que você responda, certamente em algum momento da sua vida você já tentou se esconder de Deus, mesmo que por pouco tempo. Se você nunca parou para pensar nisso e está achando agora que somos inovadores, lamento dizer que a humanidade tenta brincar de esconde-esconde com Deus há muito tempo. Olha só:

“Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus, que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim. Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando: “Onde está você?”. E ele respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi” (Gênesis 3:8-10 NVI).

Quando pecamos, nos sentimos distantes de Deus. Deus é santo, puro, perfeito e, como pecadores que somos, não merecemos a glória dele. Como o profeta Isaías escreveu, “as suas maldades separaram vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto dele, e por isso ele não os ouvirá” (Isaías 59:2 NVI).

A teimosia de Adão e Eva os afastou de Deus. Quando perceberam que erraram, eles tentaram se esconder. Eles já conheciam a glória do Senhor, mas se renderam às tentações do pecado, como muitas vezes nós fazemos.  A tentativa de se esconder não deu muito certo, é claro. Eles foram encontrados e então não restou nenhuma alternativa a não ser… pedir desculpas? Não, Adão colocou a culpa em Eva e até em Deus, enquanto Eva colocou a culpa na serpente. Continue lendo →