Por uma missionária não identificada servindo em contexto de risco*

 

Aos 20 anos, saí de minha casa. Enviada pela minha igreja, fui servir em uma agência missionária.

Cheia de sonhos e muitos planos para alcançar as nações, não me sobrava lugar para pensar que estaria solteira por muitos e muitos anos.

Em meio à equipe e viagens, e vendo almas se convertendo ao Senhor, me sentia plenamente satisfeita e até feliz por ainda não ter me casado.

Hoje sirvo em um país distante.

Sou a única brasileira na região, e moro sozinha.

Mesmo em meio ao trabalho intenso em um campo de risco, ainda me pego pensando:

E se eu tivesse encontrado uma pessoa?

E se eu tivesse escolhido o casamento?

E se eu não me casar?

Hoje tenho 19 anos de ministério.

Uaauu!. Nunca pensei que chegaria até aqui.

Sou plenamente satisfeita em Deus e tento estar contente em toda e qualquer situação (Filipenses 4:12).

Mas sei que ainda tenho partes de mim que sonha.

Sonha em ter um amor romântico.

Sonha em ter borboletas no estômago ao encontrar a pessoa de Deus.

Em parte vejo que Deus, em sua soberania, me deu a graça de aprender a viver comigo mesma; em meio à solidão de um inverno rigoroso, encontrar Nele o alento para a alma.

Vejo que servir a Deus não é base para troca.

“Se eu for fiel, Deus vai me dar um marido.”

Pode ser que eu nunca me case.

Pode ser que Deus não responda aos meus sonhos.

Mas eu O louvo porque, mesmo em meio a uma terrível realidade, não fui tirada do privilégio de ser uma mulher.

Feminina, sonhadora e talvez aberta para um relacionamento.

Mas também O louvo por que Ele preenche todas as coisas.

É fácil ser solteira, missionária? Claro que não.

Ainda quero me casar? Claro que sim.

Mas até se isso acontecer, o meu Bom Pastor tem refrigerado a minha alma.

E me guiado no Caminho com Ele.

Que mais posso eu querer?

 

* Esse é um dos testemunhos do livro Solteiros mas não Solitários: Missionários Solteiros no Campo Transcultural. Organizado por Antonia Leonora van der Meer e Rúbia Mara Moreira, lançado no VIII Congresso Brasileiro de Missões, em outubro.

O livro tem 4 partes: 1. Testemunhos e Experiências; 2. Sexualidade; 3. A viagem para o casamento; e 4. O que aprendemos de Solteiros no Ministério. Está disponível pelo CIM (Cuidado Integral do Missionário): +55 41 9519 6856.

 

Por Felipe Fulanetto*

Eu sou fascinado por filmes, principalmente drama e ação. Tenho minha própria coleção de filmes em casa com os melhores títulos, aqueles que nos fazem refletir após longas horas de atração. Mas uma das coisas mais interessantes na escolha de filmes é que buscamos saber o elenco que os compõe e, principalmente, os atores principais para, então, decidirmos se começamos a assistir ou não.

Os protagonistas, sim, são estes que chamam atenção e fazem todos delirar e querer autógrafo e selfies no meio da multidão. São eles que levam os créditos pelo sucesso de toda a equipe; são os que ganham títulos e honrarias. No entanto, no reino de Deus, quem é o protagonista? Quem são os heróis?

Quando olhamos para Atos 10 na conversão de Cornélio, o protagonista não é o próprio centurião, muito menos os anjos ou ainda Pedro, mas definitivamente é o próprio Deus que está agindo para salvar uma família inteira. E todos envolvidos nessa história são apenas coadjuvantes, secundários, ajudantes do grande Protagonista da cena. Em contrapartida, no mundo real, nós gostamos de criar ícones gospel, desde pastores e músicos até missionários.

É bem verdade que precisamos de modelos na fé para inspirar a nova geração e conclamar como Paulo disse “sedes meus imitadores como sou de Cristo” (1 Co 11:1), mas estou convencido que temos valorizado demasiadamente pessoas famosas, os figurões dos congressos, e esquecido dos anônimos. São estes que não tem seus nomes escritos no cronograma de eventos, não tem suas biográficas publicadas, não são convidados para podcasts ou possuem canais de Youtube com milhares e milhões de inscritos.

Quando terminei meu período missionário no Peru, recebi uma honraria por ter plantado uma igreja entre o povo Chachani. No entanto, o que poucos sabiam é que durante mais de dois anos uma missionária norte-americana chamada Kindra, que mal falava espanhol, evangelizou crianças e adultos sem aparente sucesso em conversões, mas ela arou a terra para o que Deus iria fazer. São estes anônimos que não recebem títulos, mas fazem toda a diferença no reino de Deus. Como os anônimos de Antioquia, que plantaram a igreja missionária onde foram chamados primeiramente cristãos (Atos 11); como a escrava de Naamã, que sem ela não haveria milagre (2 Reis 5); como a mãe de Rufo, que cuidou de Paulo como se fosse sua mãe (Romanos 16:13); como Jasom, que hospedou os apóstolos na cidade Tessalônica (Atos 17); entre outros.

O livro de Atos termina sem conclusão porque demonstra que quem está escrevendo a história é o Senhor, através de milhares e milhares de anônimos que tem pago o preço, colocado suas vidas em risco e alcançado os perdidos. Que o Senhor nos ajude a sermos seus coadjuvantes, sem buscar a glória e prestigio humano, mas almejar a glória daquele que nos arregimentou, vencendo o tentador desafio que o pastor queniano Mutua Mahiaini disse em referência a João Batista e Jesus: “A escolha que eu tenho todo o tempo é se eu vou ser um nome ou ter uma voz”.

 

* Felipe Fulanetto é pastor e missionário pela Igreja do Nazareno, serviu no Peru e Paraguai com plantação e revitalização de igrejas. Atualmente pastoreia uma igreja em Campinas (SP). É também pesquisador missionário da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB), coopera no Movimento VOCARE e no Centro de Reflexão Missiológica Martureo. Organizador e coautor do e-book Vocação e Juventude, publicado pela editora Ultimato, e autor do livro Artigos de Fé na Ótica Missional, publicado pela Sal Cultural.

Por Antonia Leonora van der Meer

Participo dos Congressos Brasileiros de Missões (CBM, organizado pela Associação de Missões Transculturais Brasileiras, AMTB) desde o segundo, em 1998. Houve um amadurecimento e crescimento significativo nessas décadas.  Dessa vez foi uma nova geração de líderes que organizou o CBM, o que trouxe algumas mudanças criativas, mais variedade nos que dirigiam o louvor, nem todos grupos de louvor agradaram os presentes. Houve algumas inovações como o Espaço Acolher e o Hangout (coordenado pelo departamento de Cuidado Integral do Missionário, CIM), onde havia um número de conselheiros disponíveis todas as tardes e noites para ouvir e orar com os interessados. Três noites houve um diálogo mais informal com um dos missionários mais experientes, como, por exemplo, Na Piscina com Tonica… rsrsrs.

Houve certa insegurança sobre o número de inscritos, mas no fim surgiu um número maior do que esperado. E com mais variedade de igrejas, de agências, uma boa representação do CONPLEI (líderes indígenas) e dos ciganos, a apresentação do grande desafio dos surdos não alcançados, e da Janela Verde, povos tribais não alcançados nas regiões tropicais.

A AMTB tinha um bom estande na entrada do auditório, onde todos os departamentos estavam representados, entre esses o CIM.

Foram lançados vários excelentes livros missionários sobre uma variedade de desafios e experiências (refugiados, ciganos, missionários solteiros etc.).

Foi apresentado o DEMI, o Departamento de Educação Missiológica, que substitui o antigo APMB (Associação de Professores de Missão).

Houve uma grande variedade de excelentes oficinas, testemunhos de experiências ricas, e ensino de muito valor dado por líderes brasileiros e alguns estrangeiros, que deram uma contribuição muito valiosa, como o Patrick Lai, que desenvolveu toda uma rede estratégica de BAM (Business as Mission, no caso deles, for Transformation).

(Fotos: Stela Portes Soares – Facebook AMTB)

Motivos de celebração e atenção

Por Felipe Fulanetto*

Louvado seja o Senhor, sim, exaltamos a Deus por tudo que Ele tem feito no Brasil e através dos missionários brasileiros! Depois de dois anos de dedicação na atualização da pesquisa da Força Missionária Brasileira, a Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) lançou o resultado final no VIII Congresso Brasileiro de Missões (CBM), realizado nos dias 23 a 27 de outubro em Águas de Lindoia (SP).

Hoje somos 15 mil missionários transculturais espalhados no Brasil e no mundo, desde os povos minoritários brasileiros até nas nações de mais difícil acesso. Somos um movimento missionário mais dinâmico e multifacetado do que podemos imaginar.

Alguns motivos de celebração:

  • A pesquisa aponta para um movimento missionário crescente, principalmente no início dos anos 2000 e um novo impulso por volta de 2010, crescendo 8.2% ao ano;
  • Há um grande foco no ministério evangelístico (41,2%) e de plantação de igreja (37,7%), seguindo a tendência notória da igreja brasileira;
  • 23% dos missionários são envolvidos com mais de uma organização missionária nos seus ministérios, demonstrando que o movimento missionário é interdependente;
  • Há um equilíbrio entre as faixas etárias, trazendo uma boa perspectiva de transição de geração.
  • Equilíbrio entre o sexo dos missionários: homens (52%) e mulheres (48%);
  • O bom entendimento das organizações dos pré-requisitos para ser missionário: possuir formação missiológica (59,2%), possuir formação bíblica (65,7%), filiação à uma igreja local (88,1%), possuir recomendação de um(a) pastor(a) ou líder (90,7%), ter caráter cristão (96%);

Alguns motivos de atenção:

  • 11,8% das organizações não oferecem nenhum tipo de preparo missionário;
  • Alto índice de missionários com nível escolaridade até o ensino médio: 30,2%;
  • Baixo índice em treinamentos linguístico (27,6%) e antropológico (39,4%) oferecidos pelas organizações;
  • Baixo índice de cuidado missionário quando ele regressa ao seu país ou cidade (26,3%);
  • 79% e 71% das organizações, respectivamente, não se envolvem com os custos do plano de saúde e previdência social dos seus missionários;
  • 50% das organizações não tem nenhum tipo de plano de evacuação em caso de risco eminente para os missionários;
  • Baixo envolvimento nos ministérios de: cuidado missionário (1,3%), entre os surdos (1,7%), pescadores (1,7%), ciganos (2,2%), hindus (4.8%), budistas (5,4%) e pesquisas (5,9%);
  • 65,8% das organizações relataram dificuldades na área financeira;
  • A cada 3.953 cristãos evangélicos, um missionário é enviado. Precisamos de 13 igrejas para enviar apenas um missionário;
  • Em base nas respostas das organizações que responderam o questionário, a média de oferta para missões dos brasileiros é menos de 2 reais ao mês;

Olhando para estes e outros pontos a serem considerados, devemos responder a seguinte pergunta: estamos preparados para receber e enviar essa força missionária de forma competente e cuidadora?

Acreditamos que o rápido crescimento numérico de missionários transculturais nos últimos anos nos leva a celebrar a bondade do Senhor, mas deve também nos fazer refletir. Por isso fazemos pesquisas, pois acreditamos que a pesquisa missionária é um processo de observação debaixo da dependência de Deus, pois seu alvo é compreender o que Deus fez, está fazendo e como ele direciona a sua igreja no espalhar do evangelho entre todos os povos. Contudo, tendo um olhar crítico, humilde e sincero diante dos êxitos e dos fracassos que cometemos, não acreditamos que são apenas números e estatísticas, mas são vidas sendo representadas.

Que o Cordeiro que tira o pecado do mundo possa nos encher de sabedoria e poder para prosseguirmos na obra que nos foi confiada!

Para acessar o relatório completo da pesquisa, confira no site.

* Felipe Fulanetto é pastor e missionário da Igreja do Nazareno, membro do departamento de pesquisa da AMTB e coordenador da pesquisa Força Missionária Brasileira.

Por Patrícia Brandão*

“Como iniciar negócios a serviço do reino” é o tema principal do “Alargando Tendas”, curso de curta duração que será ofertado pelo Centro Evangélico de Missões (CEM) no feriado do carnaval de 2018, em Viçosa (MG). O curso é voltado para profissionais em missão, especialmente de contextos transculturais.

Os alunos vão aprender como identificar oportunidades, iniciar negócios e administrar finanças biblicamente. Além disso, vão poder se aprofundar em estudos sobre evangelismo e discipulado em pequenos grupos, panorama dos continentes e o desafio missionário, espiritualidade e orientação missionária, entre outros.

Já está confirmada a presença de Tom Alexander, pastor, empreendedor e diretor da Interseve Internacional (comunidade internacional de profissionais cristãos comprometidos com a missão integral) como preletor. Philip John Greenwood, mestre em teologia e diretor da Escola de Missões do CEM, também vai ministrar aulas do curso.

O investimento é de R$ 480, que podem ser divididos em até seis vezes até o mês de janeiro. O valor inclui hospedagem e alimentação. Para quem mora em Viçosa e prefere ficar em casa durante os dias do curso, o valor é diferenciado.

O curso “Alargando Tendas” acontece entre os dias 10 e 14 de fevereiro de 2018. Para mais informações e inscrições, acesse o site do CEM.

*De Belo Horizonte (MG), Patrícia é estudante de jornalismo e apaixonada por missões. Ela estará colaborando com o blog regularmente. Obrigada, Patrícia!

Numa “visita ao passado missionário”, Maria Arlete Dias escreveu para o Projeto Redomas sobre as histórias anônimas das mulheres de grandes missionários. Confira abaixo parte de seu texto:

Por Maria Arlete Dias*

Seria muito interessante uma conversa de uma mulher cristã do século XXI com uma do século XIX, ambas da sociedade ocidental. Penso que os paradigmas se chocariam tanto que a do passado se tornaria uma revolucionária militante dos direitos da mulher em seu tempo, e a contemporânea, uma historiadora (antropóloga ou teóloga), igualmente preocupada com as injustiças, as violências, as ideologias sociais, evidentemente exteriores à Bíblia, mas que foram dadas como teologia. Se acreditamos nas palavras de [René] Padilla de que não temos uma teologia latino-americana, sul americana, e daí mais próxima da nossa realidade e dos nossos conflitos socioculturais e pessoais pós-modernos, eis aí uma questão que não pode desmerecer nossa atenção: O que é a mulher americana (brasileira, particularizando um pouco mais) à luz da Bíblia e enquanto missionária?

Com base nas minhas leituras sobre o tema, dados, convivência, conversas e experiência de campo, resumo aqui, da perspectiva da mulher enquanto esposa de missionário, o que passamos no campo missionário, a partir de uma visão íntima de nossa vida como missionária, também esposa e mãe.  Tarefas múltiplas que vêm no pacote de se estar “ao lado” de um grande homem de Deus. Para tanto, me proponho a olhar os lares de quatro grandes e conhecidos missionários no século XIX que inegavelmente marcaram a história da igreja/missões e até hoje inspiram novos obreiros. Estes são: William Carey, Hudson Taylor, Adoniram Judson e David Livingstone. Evidentemente, atendendo ao tema, não é deles que pretendo falar, mas sim de suas esposas sem nome na história. São quatro mulheres, com histórias que se cruzam no que diz respeito a sofrimento, morte, abandono e invisibilidade.

Confira a história de Dorothy Carey, Maria, Ann Judson (Nancy) e Mary Livingstone no Projeto Redomas.

*Maria Arlete é missionária, bacharel em Teologia, professora licenciada em Sociologia e especialista em gestão escolar. Casada com o Pr. Ricardo Dias, serviu como missionária da Missão Novas Tribos do Brasil por 15 anos (1997-2012) entre os índios da etnia Matses.

Agradecemos a Francisco Carvalho pela sugestão.

Com o tema “Juntos construímos sonhos”, uma campanha busca arrecadar recursos para construção de orfanato em Burkina Faso, no oeste africano. O espaço da ONG CAFI (Centro de Assistência e Formação Integral) busca contribuições de qualquer valor na plataforma Vakinha. Quem quiser fazer doações maiores, pode escrever diretamente para cafiburkinafaso@gmail.com para doar “um tijolo” simbólico (mil reais).

Atualmente, a ONG CAFI conta com duas casas para receber integralmente os ex-garibous e outros em situação de risco social. Estes são os lares Novo Amanhecer, nos quais há 43 meninos sob a tutela da organização. Recentemente, o CAFI pode adquirir um terreno de um hectare com o objetivo de construir um orfanato e uma sede própria para ampliar o atendimento. O investimento será em torno de 300 mil reais.

Criada em 2014 por brasileiros, a ONG presta assistência a crianças e jovens em situação de risco social, especialmente os garibous, que são meninos confiados por seus pais islâmicos, que não têm como mantê-los financeiramente, a escolas corânicas e que são obrigados a mendigar para sobreviver. O CAFI atua nas áreas de educação, recreação, saúde, formação profissional e ajuda emergencial, provendo a inclusão social e cidadania solidária. Informe-se em seu site.

Por Elena Mambrini

Em novembro, a Aliança Cristã Evangélica Brasileira se reunirá em um encontro para pensar os temas “A crise brasileira e a vocação da igreja”, além de “Ideologia/teoria de gênero e seus desafios pastorais”. No evento também ocorrerá a realização de sua Assembleia Geral.

A Aliança é uma plataforma onde igrejas, organizações e pessoas comprometidas com o evangelho se relacionam em rede a fim de afirmarem parcerias a serviço da missão de Cristo. Conheça mais sobre o grupo aqui.

Os preletores convidados para o evento são os psicólogos Fátima Fontes e Ageu Heringer Lisboa e os pastores Estevam Fernandes, Lisânias Moura e Valdir Steuernagel. O encontro será no dia 15 de novembro das 9 às 18 horas na Igreja Metodista da Liberdade em São Paulo e será aberto aos filiados da Aliança Evangélica e para todos que se interessarem pelos temas. É necessário realizar a inscrição prévia. Encontre maiores informações e o link para inscrição aqui.

De 2 a 5 de novembro a Rede SOS Global realizará o Treinamento SOS Global. Sediado na JOCUM Maringá, o evento busca atingir maiores de 21 anos com no mínimo 2 anos de conversão que queiram servir em socorro emergencial. O custo da capacitação será 280 reais, com inscrição, alimentação e hospedagem.

Depois, entre os dias 5 e 12 de novembro, a Associação Missão Esperança (AME), agência voltada para o sudeste asiático, realizará um Treinamento Transcultural na cidade paranaense de Maringá. O evento busca profissionais e “vocacionados” que queiram conhecer a dinâmica do campo transcultural e acontecerá na Primeira Igreja Presbiteriana Renovada de Maringá, no Paraná.

O custo do treinamento será 500 reais, que inclui alimentação, hospedagem econômica e inscrição. Durante a capacitação serão tratados temas como comunicação transcultural, fenomenologia das religiões orientais, teologia missiológica, entre outros. Dentre os palestrantes estão Durvalina Bezerra, Margaretha Adiwardana e Bertil Ekstrom. Encontre mais informações sobre preço e inscrições no site da missão.

O blog Caminhos da Missão conversou com o professor doutor Gustavo Assi, secretário executivo da Associação Brasileira Cristãos na Ciência, conhecida por ABC2, para conhecer mais sobre a iniciativa. Voltada tanto para os cristãos imersos na área quanto para os interessados e leigos, a ABC2 ajuda a formar o cristão brasileiro para servir como uma conexão entre ambos os mundos, estabelecendo o diálogo.

Gustavo é professor de engenharia naval na Universidade de São Paulo e uma das suas áreas de maior interesse é a interação entre a fé cristã e a tecnologia, “a ciência aplicada no dia-a-dia das pessoas”, como ele nos contou. Criado na igreja, é presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil em São Paulo (SP). Confira abaixo a entrevista:

Como começou a ABC2?

Passei um tempo fora do país enquanto fazia meu doutorado em Londres e tomei conhecimento do diálogo entre fé cristã e ciência no nível que eu não sabia que existia. As universidades lá conversam com a comunidade da fé num nível exemplar, muito bem feito, muito educado, muito respeitoso. Tive contato com o Faraday Institute, da Universidade de Cambridge, que estuda a interação entre ciência e religião e isso abriu meus olhos para a necessidade no Brasil. Um pouco antes, o Guilherme de Carvalho também tinha passado pelo Faraday. Ao mesmo tempo, o Roberto Covolan também tomou contato com esse diálogo. Sentimos que Deus foi plantando no coração de algumas pessoas a necessidade de trazer esse diálogo de alto nível para o Brasil.

Em 2010, nos encontramos e marcamos uma primeira reunião, [que teve] talvez 15 a 20 pessoas. Dessa reunião saiu a ideia de elaborarmos um projeto para estruturação de uma Associação Brasileira Cristãos na Ciência. O projeto levou quase dois anos para ser escrito e consistia em planos de ação para estruturação de uma associação e todas as atividades que ela poderia exercitar nos seus primeiros anos. Por exemplo, geração e introdução de conteúdo, o que inclui tradução de livros para o português [confira aqui alguns dos livros já publicados], produção de material próprio, ensino à distância, vídeos e tudo mais; a estruturação de uma rede de contatos, para formar grupos locais e trazer pessoas para círculos de discussão e fomentá-la nos meios da igreja e ciência em todo o Brasil; engajamento das pessoas através de eventos etc.

Conseguimos financiamento da Templeton World Charity Foundation, uma fundação americana que financia projetos dessa natureza. E disparamos o projeto nos três primeiros anos, agora já quatro, para fundar uma associação [já se passaram dois anos]. O evento que culminou com a fundação da associação que foi a conferência nacional em São Paulo, em novembro do ano passado. A fundação é o começo da associação e o “meio” do projeto. Há mais dois anos para encerrar a primeira fase para que depois a associação ande com pernas próprias.

Dentre seus objetivos, a ABC2 busca apenas capacitar cristãos ou também alcançar não cristãos no espaço do diálogo com a ciência?

As duas perspectivas estão unidas dentro do projeto. Estamos trabalhando com dois campos: o da fé e o das ciências naturais. Partimos do pressuposto que existe interação entre eles. Existe gente que está tanto dentro de um campo quanto do outro. Mas temos os espectros opostos também. Por exemplo, dentro das ciências naturais, no contexto da universidade brasileira principalmente, há aqueles antirreligiosos. Por outro lado, há dentro da igreja há pessoas que terão uma visão distorcida da ciência e vão dizer que é coisa do diabo. Dentro da igreja, nossa missão é mostrar para o cristão que ciência ou fazer ciência glorifica a Deus porque nada mais é do que o exercício do mandato cultural. Tão ministerial quanto servir em outras áreas. Para o acadêmico ou cientista antirreligioso, nossa missão é mostrar que não é só a ciência que tem condições ou capacidade de descobrir verdades, mas a fé também nos ensina e descobre verdades sinceras da realidade em que vivemos.

Claro que existe um aspecto missiológico, porque de certo modo a associação apresenta para o público em geral aspectos do Reino de Deus. Faz missão nesse sentido: revela que o Reino de Deus não é uma coisa fechada, mas é uma coisa que permeia e está por trás de tudo na nossa vida, inclusive a ciência. Contudo, a associação não é de defesa da fé, não faz apologética no sentido de pregar o evangelho. Isso é missão da igreja, da parte do corpo de Cristo chamado para isso. A associação trabalha mais um aspecto cultural, mostrando que o Reino existe, porém entendemos que o poder de convencimento que dá fé não vem dessa linha, mas da pregação do evangelho com a ação do Espírito Santo. A gente se vê tentando eliminar barreiras, fazendo pontes de conexão entre os lados que a princípio não se conversavam, para que o caminho esteja aberto para a missão evangelística da igreja.

Quem vocês gostariam que participasse da ABC2 e como as pessoas podem participar?

Num primeiro momento, pode parecer que a ABC2 é muito distante pelo nome: “Não sou cientista, não tenho formação acadêmica em área, será que posso participar?” Nossa resposta é: claro! Ciências aqui entendemos no sentido mais amplo, como tudo aquilo que o ser humano faz para conhecer o mundo criado. Qualquer pessoa que trabalha, pesquise nessa área é bem-vindo, mas não só. Qualquer interessado, alguém que gosta de ler a respeito, também é muito bem-vindo, não só para participar, mas para contribuir. Temos vários níveis de aprofundamento do campo da ciência, desde o interessado e leigo até o acadêmico pesquisador e cientista que trabalha no laboratório. Todo esse espectro é bem-vindo. E não tem idade para descobrir a interação entre fé e ciência. Pode participar da associação o perfil mais amplo possível, apenas há o pressuposto da fé cristã. Você tem que se identificar como cristão, tanto que escolhemos uma declaração de fé ampla e simples, mas objetiva.

Se eu puder fazer um convite: todos os cristãos interessados por ciência estão convidadíssimos a não só ler os livros e visitar o site, mas também a se associarem e participar. É muito simples, é muito fácil, exige apenas o interesse entre os dois campos.

Leia mais sobre a associação no site.