Artes para o Reino

Cartaz do curso Artes para o Reino

O Reino de Deus não tem um só tipo de arte! Para aprender a expressar essa diversidade, uma sugestão é o curso “Artes Para o Reino”, que ocorrerá entre os dias 3 e 8 de setembro na base da missão ALEM (Associação Linguística Evangélica Missionária), em Brasília (DF). O objetivo é fornecer ferramentas para missionários, plantadores de igrejas e obreiros transculturais conhecerem as artes da comunidade na qual trabalham para que, através delas, a comunidade venha se tornar mais parecida com o Reino de Deus.

O curso foi elaborado por missionários etnomusicólogos e envolvidos com etnodoxologia em seus ministérios ao redor do mundo. O livro Creating Local Arts Together: A Manual to Help Communities Reach Their Kingdom Goals  serve de base e será oferecido para cada participante. No evento, será apresentado o método “Criação Conjunta de Artes Locais” como um manual de pesquisa de etnoartes que qualquer pessoa pode colocar em prática (para mais informações veja aqui). Também será possível conhecer possibilidades de estudos futuros e oportunidades de contato com outros obreiros da mesma área.

Os professores serão Héber Negrão (ALEM/MEIB), Saulo Silva (Igreja Batista) e Meiry Bakairi (Centro AMI/CONPLEI). O custo será R$ 350,00 com hospedagem. Mais informações na página do curso ou via heber_negrao@wycliffe.org.br.

Leia mais sobre etnodoxologia neste texto publicado na Análise Global de Lausanne.

Entre os dias 18 e 21 de outubro a missão ALEF, que busca capacitar igrejas para atuarem como agentes de transformação, estará promovendo seu congresso na cidade de Natal (RN). O evento está em sua quinta edição e tem por objetivo promover capacitação, conectar e equipar pastores e líderes de igrejas. De acordo com o site, o congresso quer formar líderes “que anseiam trabalhar para o desenvolvimento de uma igreja saudável e relevante na sua comunidade”.

O tema do evento será “Redescobrindo o Evangelho”, numa referência aos 500 anos da reforma protestante e ao contexto atual de violência, apatia e injustiça. O congresso buscará abordar este duplo movimento de buscar a centralidade do evangelho com o olhar sensível aos desafios atuais no desenvolvimento da missão da igreja contemporânea.

Dentre os preletores há nomes como Michael W. Goheen, Sergio Queiroz, Analzira Nascimento, Ricardo Agreste e Leandro Silva, presidente da missão. O local será a Assembleia de Deus Bom Refúgio e a inscrição custa R$ 70. Confira mais informações no site do evento.

O mundo muçulmano pode ser uma grande incógnita para muitos cristãos. Buscando combater a desinformação e servir de ferramenta formativa, a agência missionária Sepal (Servindo aos Pastores e Líderes) possui em sua plataforma de ensino à distância o curso online “De Maomé ao Estado Islâmico”.

Com duração de 50 horas e garantia de certificado, o programa foi preparado por Marcos Amado, diretor do Martureo, centro de reflexão missiológica focado na formação dos missionários brasileiros. Amado também teve anos de experiência entre povos muçulmanos.

O curso possui vídeos, provas e textos e busca, a partir do conhecimento, transformar nossa realidade ministerial. Seu custo é de R$ 50. Mais informações podem ser adquiridas no site da plataforma. Além deste, entre os outros cursos oferecidos pelo site da Sepal há temas como vocacionados, discipulado e liderança. Não deixe de conferir também os artigos e cursos do Martureo, que abordam estudos orientais e budismo, entre outros assuntos.

Conheça a iniciativa de acolhimento de missionários da Igreja Batista do Bacacheri

 

Pelo Pr. Walter Azevedo

 

Eu, minha esposa (missionária Nair), e nossa filha (Naiara Azevedo) somos naturais do Rio de Janeiro e missionários no Rio Grande do Sul, na cidade de Sapiranga, desde de julho de 2008, plantando uma igreja multiplicadora.

Em nove anos de muito trabalho, foram milhares de quilômetros percorridos, não só em nossa cidade, como também em outras. Centenas de pessoas foram evangelizadas, destas, algumas dezenas foram batizadas e muitos líderes e discípulos formados, inúmeras ações evangelísticas e contatos com os moradores a fim de estabelecer relacionamentos discipuladores. Não foram poucos os momentos que as lágrimas escorreram em nossos rostos e passamos por muitas frustações, mas estamos cada vez mais motivados e convictos do chamado do nosso Senhor Jesus Cristo. Chego a dizer que estamos mais motivados do que quando chegamos há nove anos.

Obviamente, o corpo sente toda esta “pressão” e expectativa do campo. A solidão é uma companhia garantida, mesmo tendo a família próxima, para aqueles que atendem ao chamado missionário. Pela graça de Deus, todos os anos, temos a oportunidade de sermos abençoados pelo CRESCER Missionário, oferecido pela Igreja Batista do Bacacheri. São dias aguardados com muitas expectativas, temos dias de descanso, de refrigério e somos cuidados, ao invés de cuidar. Revemos os amigos missionários, conhecemos novos missionários, somos bem recebidos e acolhidos pelas famílias da igreja, somos alimentados espiritualmente e recarregamos as baterias para retornarmos ao campo missionário.

No primeiro dia, todos nós missionários fomos para um sítio. Fizemos caminhada ecológica, com ótima alimentação, banho de piscina com água aquecida, sauna e momento de descanso. Eu e minha esposa fomos muito bem recebidos e recepcionados pelo casal de hospedeiros: irmãos Jaques e Tatiana. A cada dia tínhamos uma surpresa por conta do casal. Ganhamos uma toalha de banho e rosto personalizadas com os nossos nomes. Ganhamos uma linda cesta de café da manhã. Sempre que saíamos para os eventos na igreja, a irmã Tatiana preparava um lanche para minha esposa. Fomos cercados de muito cuidado e carinho. Nossa gratidão ao Pr. Silvado, Pr. Natal, líderes e membros por esta visão em abençoar os missionários e suas famílias.

Com gratidão,

Pr. Walter Azevedo –

Coord. Plantação de Igrejas Multiplicadoras – JMN/CBB

Aprender sobre missões também pode ser divertido. O blog “Veredas Missionárias”, elaborado por Sammis Reachers há 10 anos, criou um jogo para celebrar o aniversário de uma década da publicação.

Chamado de Trilha Missionária, a iniciativa propõe acompanhar a carreira de um missionário do chamado, passando pelo campo transcultural, até a aposentadoria. O objetivo é ensinar e conscientizar jovens e adultos, mas com paciência nas explicações também pode ser usado com crianças.

A ferramenta é mais uma empreitada do blog que, de acordo com Reachers, objetiva “criar e disponibilizar, na medida do possível e sempre gratuitamente, recursos diversos de incentivo à conscientização, promoção e capacitação missionária”. O jogo pode ser baixado no site.

Por Antonia Leonora van der Meer

Dia a dia temos sido confrontados com notícias trágicas da fuga de inúmeros refugiados de guerra, procurando uma oportunidade para sobreviver na Europa, América do Norte ou mesmo no Brasil.

Tem havido reações muito negativas, temendo que no meio dessas vítimas haja um número significativo de elementos radicais que vão trazer problemas e ameaças. Infelizmente, aqui no Brasil, tem crescido entre os evangélicos manifestações muito preconceituosas em relação aos refugiados, aos árabes em geral e a todos os muçulmanos, vistos como povos extremamente violentos e ameaçadores.

Fico muito preocupada com essas reações. Imagino como Jesus avalia essa atitude. Ele ama pessoas de todos os povos, línguas, tribos e nações e nos enviou para levar-lhes a boa nova do seu amor. Não o fizemos no passado e não podemos fazê-lo com o coração cheio de preconceito.

Tenho recebido notícias incríveis de alguns países europeus onde igrejas estão crescendo e se reavivando com o grande fluxo de refugiados muito abertos e receptivos para o evangelho. Há batismo de centenas de uma vez em lugares públicos.

Em seis igrejas na Alemanha, no último ano, 1500 muçulmanos refugiados converteram e batizaram-se. Um pastor comentou: “Os íranianos são os mais abertos. Eles tomam a iniciativa de procurar as igrejas”.

Um pastor na Suécia comentou: “Em cada igreja que conheço na Suécia, em todo o lugar, há sírios, afegãos, iranianos e curdos vindo às igrejas e buscando conhecer a Jesus”.

Já um pastor dinamarquês disse: “Quando chegam à Dinamarca querem se conectar com uma igreja. Eles literalmente vêm, batem à porta e dizem: ‘Posso conhecer mais do Cristianismo? Posso conhecer mais de Jesus?’”

Como vamos encarar a vinda de refugiados muçulmanos ao Brasil? Como uma ameaça? Ou como uma oportunidade para a igreja lhes acolher, mostrar o amor de Jesus e deixar que Ele mesmo lhes mostre a verdade?

Analzira Nascimento, da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB), explica a variedade de organizações que estarão presentes no Congresso Brasileiro de Missões (CBM) deste ano e convida os participantes a fazerem a inscrição para aproveitarem do espaço agradável de reflexão em Águas de Lindoia e encontrarem “toda turma missionária brasileira”. Veja o vídeo abaixo, leia aqui para mais informações e inscreva-se em http://www.amtb.org.br/cbm-2017/.

O que é e o que não é missão? Quem é missionário? Em “A Missão do Povo de Deus”, o teólogo britânico Christopher J. H. Wright responde a perguntas como essas. Com o objetivo de conectar teologia e missões, teoria e prática, para que um possa servir ao outro, o autor define conceitos básicos como “missão”, “envio” e “boas novas” na obra, publicada no Brasil pela Editora Vida Nova.

Wright realiza um panorama bíblico, retirando das Escrituras as definições e compreensões para cada ponto. Para o autor, fazemos parte da história revelada na Bíblia e por isso é importante o estudo aprofundado a partir dela. Ele caminha gradualmente (e, para alguns leitores, até mesmo lentamente) da criação à nova criação. Do envio para que o povo de Deus seja bênção às nações e à criação (com nossa resposta a partir de Abraão em fé e obediência), às boas novas em Jesus.

Wright apresenta Israel como um modelo pretendido diante das nações do que significa ser redimido e viver de modo redentor: “O modo como vivemos (ética) é o conector entre a nossa eleição e a nossa participação na missão de Deus”, ressalta. Embora especialista no Antigo Testamento, no qual enfoca bastante, Wright aponta para Jesus como “o propósito e o destino final da história”, de quem devemos dar testemunho. Há também um belo capítulo da obra que trata adoração como alvo da missão.

O livro remete bastante à outro título do autor, “A Missão de Deus” – também em português pela mesma editora –, mas Wright não deixa de explicar o que retoma. Apesar de uma leitura extensa, o ganho do livro é justamente este: o detalhamento que nos ajuda a esclarecer a amplitude e o objetivo de nosso chamado missionário a partir das Escrituras.

Destacam-se, por exemplo, os pontos que analisam biblicamente partes da “missão do povo de Deus” que não costumam ser vistas como tal: o cuidado com a criação, a ação social e a atuação do cristão que trabalha na esfera pública, com diversas referências à missão holística (ou “integral”). É uma leitura importante para quem quer poder dizer o que é ser um missionário biblicamente.

Por Antonia Leonora van der Meer

A igreja evangélica brasileira em poucas décadas transformou-se de campo missionário em “celeiro de missões”. Como a igreja está assumindo e tratando seus missionários?

Maluco?

Fui convidada para falar sobre missões numa igreja bem viva e dinâmica. A família que me hospedou não se cansava de ouvir minhas experiências missionárias. Até que, de repente, a filha que estava para terminar o curso de medicina começou a mostrar que estava seriamente considerando a possibilidade de servir na obra missionária. O ambiente mudou totalmente:

— Isso seria uma loucura!

Muitos cristãos ainda consideram o missionário basicamente um maluco. Como é que uma pessoa de boa formação ou com responsabilidades dentro da família abandona tudo e todos para embrenhar-se em alguma selva entre povos tribais ou para confrontar situações de alto risco em países resistentes, onde há falta de segurança e de confortos básicos?

— Missionários solteiros, tudo bem (desde que não seja meu irmão ou minha filha), mas um casal com filhos é o cúmulo do absurdo! É claro que Deus não pediria uma coisa dessas para seus filhos! — é o pensamento de muitos.

Será que Deus não pediria? O que lhe custou o seu projeto missionário? A Bíblia afirma que se trata de uma loucura de Deus: uma loucura poderosa para salvar e transformar vidas humanas. Graças a Deus pelos que aceitam ser “os malucos de Deus” (1 Coríntios 1:21-29).

Mas isso significa uma atitude irresponsável da parte do missionário? Ou da igreja? Infelizmente, muitas vezes tem sido! E aí já abandonamos a categoria da loucura segundo Deus para uma loucura humana, irresponsável. Isso acontece quando o missionário é enviado com um espírito ufanista, sem o preparo espiritual, bíblico, missiológico e pastoral adequado. Quando ele ou sua igreja se sentem auto-suficientes, não precisam de ajuda ou orientação, nem de missionários mais experientes, nem de líderes cristãos nacionais. Assim, o missionário é enviado para ser bênção, mas nem sempre será.

Mas existe outra irresponsabilidade ou loucura injustificável e pecaminosa que nossas igrejas têm praticado. Enviam o missionário com a bênção da igreja, que se orgulha em divulgar que sustenta “X” missionários. Mas, de repente, surge um projeto de construção ou outra necessidade urgente que demanda toda a atenção.

— Ora, o missionário é pessoa de fé. Deus cuida dele — e a igreja abandona seus missionários no campo.

Será que o pastor também não é homem de fé? Por que, então, tal atitude inconsequente? O missionário enfrenta dificuldades, às vezes problemas de saúde, falta de recursos básicos, falta de explicações e comunicação, dívidas. Como resultado, surge uma profunda crise. Às vezes trata-se de uma pessoa que se adaptou bem ao campo, progrediu no estudo da língua nacional, relacionou-se bem com os nacionais e acaba sendo derrotada por esse abandono!

Gostamos de falar em guerra espiritual, mas abandonamos nossa tropa de elite, nossos comandos no campo de batalha, sem orientação, sem recursos, às vezes feridos, sem qualquer cuidado! Nenhum exército humano faria isso.

Outra manifestação dessa inconsistência acontece no momento em que o missionário põe os pés de volta no Brasil:

— Voltou do campo? Deixou de ser missionário. Acabou o sustento! — um tremendo contraste com empresas e governos, que enviam funcionários para servir em outras culturas ou situações de risco, e sempre oferecem uma série de compensações.

Mas, no caso dos nossos missionários, se o sustento não acaba por completo, geralmente diminui consideravelmente, afinal “o missionário é uma pessoa simples, chamada para sofrer”…

Não nego que muitos sejam chamados para sofrer. Mas esse sofrimento não deveria ser causado pela igreja que o envia e sustenta, mas pelas condições do contexto de vida do local onde trabalha. É triste saber que missionários brasileiros voltam prematuramente do campo muito mais por causa da falta de preparo, de sustento e de apoio pastoral adequados, e por problemas de relacionamento com os que os enviam, do que por problemas de ministério ou de relacionamento com as pessoas a quem servem, mesmo em países considerados de alto risco.

E o que seria o mártir e o mendigo? E afinal, quem é o missionário? Leia a continuidade deste texto aqui.

> Texto publicado originalmente na edição 269 da revista Ultimato.

Em meio aos percursos da vida missionária, é comum encontrar desânimo, falta de perspectiva, ou até mesmo dúvida sobre para onde e para que Deus está te chamando, não é mesmo? Teresa Santos, Diretora de Desenvolvimento Organizacional do Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral (CADI), acredita que o coaching pode ser uma ferramenta de apoio nessas horas.

Atuando como coach desde 2014, ela conta que tem visto resultados reais entre missionários. O coaching é uma ferramenta moderna que ajuda o profissional a elaborar um plano de ação para mudança de um estado atual para um desejado. A ferramenta tem sido muito usada de forma secular, mas a base do trabalho que Teresa está preparando será fundamentada na cosmovisão bíblica cristã.

A carioca está se formando num programa dos Estados Unidos específico para coaching em missões e, para sua dissertação no mestrado em Missiologia no Centro Evangélico de Missões (CEM), também está pesquisando a ferramenta e seus benefícios. Em paralelo, está em desenvolvimento um programa brasileiro de coaching para missionários com diversos eixos, que será oferecido através do CADI quando disponível. Com esse objetivo, ela está reunindo outros coaches e capacitando-os para terem a mesma visão ao fornecerem a assessoria com valor acessível.

De acordo com Teresa, o coaching pode ajudar missionários a compreenderem sua parte na Grande Comissão e a fortalecerem sua identidade, além de encontrarem equilíbrio e realização no que fazem. A metodologia serve tanto para quem está em fase de transição quanto no fim do ministério, sem contar com equipes de campo, ajudando-as no trabalho em conjunto.

Os que estão no começo do caminho missionário não ficam de fora. Teresa deu uma oficina no congresso Vocare em abril: “[Pode servir] para [que os jovens] compreenderem que o ser é mais importante que o fazer”. No evento, ela lançou um coaching em grupo para até 10 participantes em 10 sessões, que serão focadas em buscar respostas sobre o chamado e propósito de Deus em suas vidas.