Gratidão ao ministério estudantil
Foi por causa dele que o aspecto de viver o evangelho cresceu dentro de mim
Por Ravena de Albuquerque Pereira
Aos 14 anos, fui convidada pela primeira vez para ir a um encontro para “estudar a Bíblia”. Eu acabava de ingressar em outra igreja e uma amiga1 fez o convite. O encontro seria com outros adolescentes, mas na casa de alguém. Assim como Paulo de Tarso se dirige “Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos” (Ef 3.20a, NVI), aceitar aquele convite foi iniciar um caminho que Deus estava preparando para minha vida. Para toda a vida.
Aquele primeiro semestre de 2015 foi muito marcante para mim. Nunca havia estado com outros adolescentes divertindo-me e falando de coisas sérias da fé. Lembro-me muito bem de quando André, o assessor, explicou ao grupo a diferença entre graça e misericórdia. Eu não ouvira isso antes. Mesmo tendo crescido em igreja evangélica, a amizade com a Aliança Bíblica Secundarista de Natal, RN, foi uma oportunidade de formação e reflexão junto com outros adolescentes da mesma fé.
Alguns meses depois, soube que o Curso de Férias – uma formação para abeuenses – da região Nordeste aconteceria em Natal. “Vamos, Ravena, vai ser legal!” Claro que fui. O livro estudado foi Gênesis e observamos a criação de Deus em uma linda granja em Monte Alegre, RN. Era um ambiente com universitários e estudantes do ensino médio. Eu me identifiquei tanto com as pessoas que participei ativamente da formação. Lembro que durante o evento eu e vários jovens compusemos uma música sobre missão e apresentamos com coral e orquestra.
Eu já havia participado de alguns retiros com adolescentes. Normalmente, voltava para casa com um ar de “vou colocar em prática o que aprendi e manter vínculos com quem conheci”. Por mais que eu quisesse manter esse pensamento, ele durava em torno de uma semana. Todavia, me lembro de voltar à rotina depois do Curso de Férias e pensar: “Acho que estou sentindo algo diferente”. Aquele pensamento de viver o evangelho estava crescendo dentro de mim sem ter data de validade.
Todas essas memórias têm se revolvido em minha mente por uma data de celebração. Neste início de 2024, completo nove anos de participação no ministério estudantil. Em mais alguns meses, faço também aniversário de 9 anos como uma nova pessoa; morri e ressuscitei para Cristo.
Agora, como uma jovem adulta aproximando-se de concluir uma graduação, tenho revisitado o passado para observar minha trajetória na fé. E tenho buscado aplicar a disciplina da celebração. A vida deve ser sempre celebrada. A celebração promove um coração cheio de gratidão. Na Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB), participei em âmbito local, regional, nacional e agora internacional, na Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (IFES, em inglês), à qual a ABUB é afiliada. Foi apenas na Assembleia Mundial da IFES em 2023, em Jacarta, na Indonésia, que percebi que a ABU teve participação direta na minha conversão a Cristo. Meu coração se enche de gratidão por todas as pessoas que participaram do meu encontro eterno com Jesus e por todas as oportunidades que tive e tenho tido de amadurecer a minha fé.
Nota
1. Expressa gratidão a Bianca Muniz.
Ravena de Albuquerque Pereira é representante estudantil da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (IFES, em inglês), participa da Aliança Bíblica Universitária do Brasil e é membro da Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo. É estudante de letras – português e inglês –, assistente editorial na ABU Editora e autora do livro de poesia Na Calçada (Caule de Papiro, 2023).
Artigo publicado originalmente na edição 405 de Ultimato.
