Por  Julia Gomes

A morte passeia nas ruas das cidades, a zombar dos profissionais da saúde que estão exaustos, assustando aqueles que esperam nas filas para conseguir um leito nos hospitais, causando o abalo emocional daqueles que perderam um amor, seja um cônjuge, um pai, filho de alguém ou amigo. Ela veio e levou consigo milhares de almas, enquanto governos falham com seu papel de proteger o cidadão, e acusam os enlutados de exagero.

Não fosse apenas a pandemia, o setor econômico parece sucumbir, e sair do mercado com sacolas e sacolas de compras se transformou em luxo. Neste ínterim, há os vendados por sua indiferença e egoísmo, num país onde quase três mil morrerem por dia tornou-se normal, tendo a capacidade de organizarem aglomerações para se divertirem. Minh’alma se contorce nestes tempos sombrios, e não deveria? 

Diante desta tragédia terrena, ergo meus olhos para os céus em busca do Eterno, aquele que tem poder para trazer à minha memória o que me dá esperança. Mas não é a esperança infantil e romântica de que tudo se acertará no devido tempo, ou a sociedade humana alcançando sua própria paz e prosperidade construída em solo frágil e finito. Não, devo me lembrar de minha origem, o Reino do qual fui criada para pertencer, a morada Eterna, a Casa de meu Pai para onde a filha deve retornar. O Céu. 

Desse modo, é preciso colocar, constantemente, combustível na lenha de nossos corações e mentes, arder em entusiasmo, queimar a chama interna do cidadão da Cidade de Deus, manter vivo o desejo pelo país de destino, saber que todo prazer e alegria que temos nesta Terra não passam de um eco, miragem e reflexo do que está por vir. Somente assim a jornada para o outro mundo fará sentido e as tribulações aqui serão transformadas em glória.

É interessante notar que os cristãos que mais fizeram por este mundo tinham seus corações voltados para o Céu. Desde que nós, seguidores do Cristo, paramos de nos importar com o Reino vindouro, tornamo-nos irrelevantes para nossa era. Aspirar o céu é deixar marcas eternas na história; e não há melhor exemplo disso do que Jesus.

Todavia, colocamos nossa esperança em figuras messiânicas falsas, falhas, tiranas, mundanas, passageiras, enganadoras, políticas, e que nos levam à idolatria. Mesmo assim, o próprio Deus envia a si mesmo na forma do Cristo, a completa e perfeita expressão do divino agindo sob condições humanas. 

Aquele cujo próprio nome narra nossa linha temporal histórica, que tem o governo dos céus, da Terra e debaixo da Terra sob seus ombros, o príncipe do Reino do Pai que traz paz ao caos, onde sua luz brilha em esplendor no meio das trevas. Ele é liberdade para os cativos, fiel na luta e glorioso na batalha, misericordioso para com os cansados e sem esperança, a ponte entre os céus e a Terra que se fez caminho para nós peregrinos. 

A eternidade já começou e toca cada presente, a Terra ecoa os céus, o Reino está aqui, o Espírito de Deus mora dentro de nós e nos une como Corpo de Cristo, o Messias vive, e o Pai vem. Minh’alma se contorce nestes tempos sombrios, não deveria. Por isso, ergui meus olhos para o céu, e o Eterno me trouxe à memória o que me dá esperança, Jesus e meu encontro com ele quando a jornada findar. Ou talvez, algo mais glorioso, presenciar o grande dia em que os Céus descerão e irão tocar este solo doente. Aquele que se lembra, diga: Vem!

  • Julia Oliveira Gomes, 18 anos. Estudante, acabou de concluir o ensino médio. Leitora voraz, ama C. S. Lewis e é fã de Star Wars. Gosta de música e tem paixão por piano.

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