Por Lucas Peterson Magalhães

Tenho pedido a Deus um espírito como o de Moisés.

Moisés é uma das personagens mais importantes da Bíblia. Ele costuma fazer sucesso especialmente entre as crianças, tendo até virado uma animação vencedora de Oscar (O Príncipe do Egito, 1998).

Quando eu era pequeno as suas histórias mais famosas me foram contadas várias e várias vezes.

Como quando ele ainda bebê foi colocado em um cesto e lançado no rio Nilo com o intuito de escapar da ordem de morte proferida pelo Faraó a todos hebreus nascidos meninos (sim, é por isso que chamam de “moisés” aqueles cestinhos de bebês). Vigiado por sua irmã, Moisés acabou sendo encontrado pela filha do Faraó, que o adotou como seu filho. Assim, o menino hebreu cresceu como príncipe no Egito.

Ou ainda a história das 10 pragas do Egito, que resulta no resgate do povo hebreu (que tinha sido feito escravo pelos egípcios) sob a liderança de Moisés. A cena cinematográfica do Mar Vermelho, que, segundo o relato bíblico se abriu ao meio, permitindo que o povo de Deus passasse, se fechando depois sobre os egípcios e matando todo o exército do Faraó.

Mas a história que me tem movido a orar por um espírito como o de Moisés ocorre mais tarde.

Após a saída do Egito, o povo hebreu começa a ser conduzido pelo próprio Deus no deserto. Deus literalmente envia dos céus o alimento (maná e codornas). Certo dia, Deus ordena a Moisés que suba o monte, pois Ele iria lhe transmitir os mandamentos que serviriam de Lei a Seu povo.

Moisés sobe o monte e fica na presença do Senhor por alguns dias.

O povo, ao ver que Moisés demorava a voltar, procurou Arão (sacerdote) e lhe pediu: “faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que aconteceu”. Arão concorda com o desejo do povo e pede para que lhe entreguem os ornamentos de ouro que usavam e, fundindo-os, esculpe um bezerro e exclama: “Eis aí os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito!”.

Ao ver a corrupção do Seu povo, Deus se ira e promete destruí-lo, poupando Moisés para fazer dele uma grande nação.

Mas Moisés intervém.

Ele suplica a Deus por misericórdia e piedade.

Ele traz à memória de Deus os seus servos fiéis, Abraão, Isaque e Jacó e o lembra da promessa feita a eles de que a descendência deles seria mais numerosa que as estrelas do céu e a ela seria entregue a terra prometida.

O Senhor, então, se arrepende de destruir o Seu povo.

Eu tenho orado por um espírito como o de Moisés.

Ao voltar meus olhos para a Igreja brasileira, que se proclama o povo de Deus, eu tenho visto que a idolatria reina. Ao atravessar o deserto, o povo de Deus tem se esquecido do Seu Libertador e desejado novos e falsos deuses para adorar. Os líderes religiosos (“sacerdotes” do nosso tempo) têm criado ídolos de ouro e anunciado que são eles os verdadeiros libertadores. O amor ao Dinheiro e a busca pelo Poder fizeram o povo de Deus acreditar em falsos Messias que não o enviado pelo Senhor. O povo de Deus se corrompeu. Os sacerdotes se corromperam. A Igreja se corrompeu.

Mas o Senhor tem me instruído a intervir como Moisés.

Pedir misericórdia pelo seu povo. Pedir piedade. Que Ele não o destrua por sua corrupção.

Que o Senhor não mande o juízo e que eu tenha um coração compassivo como o de Moisés.

Que eu siga o exemplo de Moisés que, ao mesmo tempo em que pede por misericórdia pelo povo corrupto, os corrige assim que desce do monte.

Que os ídolos da Igreja brasileira caiam um a um e sejam consumidos pelo fogo até virarem pó!

Que o nosso povo, que se autodenomina “povo de Deus”, não brinque mais com a santidade do ensino do Evangelho. Que não zombe da Palavra nem do Deus da Palavra. Amemos a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Que o Senhor se arrependa de enviar essa terrível calamidade sobre o Seu povo!

  • Lucas Peterson Magalhães, 27 anos. Formado em Direito, participa da Comunidade Evangélica em São Bernardo do Campo (SP).
  1. Não é fácil criticar a própria casa. Entretanto, se faz necessário nesse momento em que a nossa prática religiosa contribuiu com tanta coisa que não reflete a verdade do Evangelho. Obrigado pelo texto. Inspirador!

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