Por Karol Coelho

Estou trocando o dia pela noite. Nada do que eu planejo, eu consigo fazer. Se antes eu já estava em um momento de incerteza, que eu via como um mar de possibilidades, agora eu estou mergulhada na própria imprecisão. E eu posso colocar a culpa na Covid-19.

Muitos de nós estamos dizendo que é um tempo para aproveitarmos, nos desintoxicar das redes sociais, ler os livros que sempre quisemos ler ou buscar a Deus. Quantos grupos de oração não surgiram nas últimas semanas? Perdi as contas! E seria estranho se não tivessem surgido. Mas, nem sempre quero participar.

Estou farta de futuros. Meu coração não tem descansado com as improbabilidades que minha imaginação tem cultivado. Vou dar conta de pagar o aluguel? Meus pais vão ficar bem? A empresa em que meu irmão trabalha vai mantê-lo no emprego? Vou conseguir um trabalho neste período de quarentena?

Preciso admitir que a culpa por essas perguntas não é da pandemia, pois a qualquer hora os temores batem às portas do coração e, se não abro, são capazes de pular as janelas.

Não quero diminuir toda a dor, dificuldades e mortes que essa pandemia está causando à humanidade. As nossas preocupações não são infundadas. A questão é que eu preciso apresentar as minhas limitações diante de todas elas.

Confesso que às vezes me esqueço da soberania do nosso Criador e acredito cegamente que não conseguirei aproveitar qualquer oportunidade de ser sua filha, respondendo com santidade e amor às mágoas desse mundo.

É tempo de crer e é tempo também de confessarmos: sem Deus não sobrevivemos a nós mesmos. Diante do espelho, pintados com todas as insuficiências que temos e que somos, trancados em nossos próprios desejos, planos e sonhos, escorregamos da realidade de filhos dEle para a mentira de que não há esperança.

Mas, há esperança. Ele é a esperança.

Que a gente confesse nossa dependência e que a gente clame, a cada mergulho em nossa escuridão, pela sua salvação. Pois “em todas essas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou”.

Não está tudo bem. A palavra de Deus é transparente: “no mundo vocês terão aflições”. A parte boa é que Ele venceu e, por isso, podemos nos alegrar.

  • Karol Coelho, 28. É jornalista, poeta, autora do livro “Estado Atmosférico” e membro do Projeto 242.

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