Por Rafaela Senfft

Quando eu chegar ao céu, gostaria de falar com Nietzsche. Um pensador tão complexo… que se voltou pra dentro do humano em busca de conhecimento e gerou as interpretações mais antagônicas dentro das mentalidades mais herméticas. Tão na frente do seu tempo…

Que bom que estamos num tempo em que as pessoas, de uma forma ou de outra, voltam-se pra dentro da alma, na proposta de se autoconhecer, de buscar inteligência emocional e etc. Se interessar por aprender a administrar as emoções é um bom começo.

Os contrastes servem para que as coisas fiquem claras e bem definidas, geram parâmetros bem delineados, criando a possibilidade de nivelar nossas emoções. Por isso sou contra a o método homescholling – e já fui muito adepta dele.

As crianças precisam se desentender, discutir e viver em meio às diferenças para aprender a respeitá-las. Os contrastes apresentarão situações que lhes darão a oportunidade de praticar virtudes como honestidade, perdão, empatia… Conviver é o campo de aprendizado fundamental hoje; uma vez que a tecnologia oferece a parte do conteúdo.

Os benefícios de aprender a gerenciar as emoções oferecerão soluções para a própria vida e, consequentemente, para outras vidas.

Mas, voltando a Nietzsche, ele tem muito a ver com isso: falava de se amar tanto que esse amor seria transbordado, fluiria e afetaria quem estivesse próximo, o que continuaria seguindo assim por diante. Mas veja que contradição: o narcisismo trata de que se você e eu nos amarmos a nós mesmos, em demasia, nos tornaríamos egoístas em potencial.

Então que tipo de amor próprio é esse que, em Narciso, é um suicídio e, pra Nietzsche, fortalece a sociedade?

O primeiro é o amor da aparência, o que se vê por fora, no espelho, uma projeção, virtualização viciante de si mesmo. “O mundo está caindo, mas eu preciso me projetar”.

O segundo é o amor espiritual, reconhecer um potencial que pode ser despertado dentro da gente. Busca pela própria existência, pelo sentido da vida, cava fundo para encontrar o tesouro enterrado.

Jesus falou que assim seria o reino de Deus (Mt 13:44) e do Espírito Santo em nós, fazendo obras maiores que as dEle. “Ame o próximo como a ti mesmo”, ou seja, se não houver uma administração correta do emocional, iremos gerar dogmas e impor limitações para amar.

Então, é necessário um amor próprio saudável que antecede esse tão falado amor ao outro; pois se eu me amo errado, vou amar o outro errado, distorcidamente. Se eu mesma me engano, enganarei aos outros também.

Bom, mas eu só ia mesmo contar a Nietzsche que atravessei a sua tão cara ponte com esses sentimentos.

  • Rafaela Senfft é artista plástica formada pela Escola Guignard/UEMG, onde é professora de História da Arte Ocidental no curso de extensão. É membro de CIVA (Christian in Visual Arts) e congrega na Caverna de Adulão, em BH.

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